Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2026
- Código
- ce231876
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- UFAC
- Ano
- 2026
- Nível
- Médio
- Cargo
- Vestibular
- Aconativa.
- Breferencial.
- Cfática.
- Dpoética.
- Emetalinguística.
GabaritoE — metalinguística.
Gabarito: letra E — metalinguística. O parágrafo introdutório do texto Desafio tem como foco o próprio código linguístico: ele anuncia que apresentará duas crônicas e convida o leitor a diferenciar uma escrita pelo autor (humano) de outra gerada por inteligência artificial. Isso é a essência da função metalinguística — a linguagem que fala sobre a linguagem (ou, aqui, sobre textos).
"Apresento duas crônicas: uma é minha, outra da IA. Vamos ver até onde vai a diferença entre o humano e o sintético."
O trecho mostra que o autor não usa a linguagem para persuadir (conativa), informar sobre um fato externo (referencial), testar o canal (fática) ou valorizar a mensagem por sua forma (poética), mas sim para comentar e definir a própria produção textual que se segue. Portanto, a função predominante é a metalinguística.
Função da Linguagem | Característica Principal | Ocorrência no Texto | Gabarito |
|---|---|---|---|
Metalinguística | Linguagem que fala sobre a própria linguagem ou sobre textos | O parágrafo introdutório anuncia e comenta as crônicas que serão apresentadas | E (correta) |
Conativa | Foco no destinatário, com apelos ou ordens | O desafio ao leitor é secundário; não há ênfase em persuasão | A (incorreta) |
Referencial | Foco no contexto, informação objetiva sobre o mundo exterior | O texto não descreve fatos externos, mas sim os próprios textos | B (incorreta) |
Fática | Foco no canal de comunicação, testando sua manutenção | Não há verificação do canal (ex.: "Alô?") | C (incorreta) |
Poética | Foco na forma estética da mensagem | Não há elaboração artística predominante | D (incorreta) |
Conativa (apelativa). Essa função foca no destinatário, buscando persuadir ou ordenar. O texto até lança um desafio ("você consegue diferenciar..."), mas isso é secundário; o núcleo é apresentar e discutir as crônicas em si, não convencer o leitor a agir. A função conativa exigiria uma ênfase maior em imperativos ou apelos diretos, o que não é o caso.
Referencial. A função referencial centra-se no contexto, na informação objetiva sobre o mundo. O parágrafo introdutório não tem como objetivo descrever fatos externos, mas sim falar sobre os próprios textos que serão lidos. As crônicas que vêm depois têm conteúdo referencial, mas o parágrafo introdutório é metalinguístico.
Fática. A função fática visa testar ou manter o canal de comunicação (ex.: "Alô?", "Está me ouvindo?"). O texto não faz isso; ele usa a linguagem para explicar o que fará, e não para verificar se o canal está funcionando.
Poética. A função poética valoriza a mensagem por sua forma estética, com figuras de linguagem, ritmo, sonoridade. Embora o texto tenha algum cuidado estilístico, o foco não está na elaboração artística da mensagem, mas sim em comentar a natureza das crônicas. As crônicas em si podem ter função poética, mas o parágrafo introdutório não.
Metalinguística. Como demonstrado, o parágrafo fala sobre os próprios textos (as crônicas), explicando o desafio e a origem deles. A função metalinguística ocorre quando a linguagem se volta para o código, definindo-o, explicando-o ou discutindo-o. Aqui, o código linguístico (as crônicas) é o objeto do discurso.
O aluno pode confundir o "desafio" com função conativa (apelativa), mas o conteúdo central é a explicação sobre os textos, não a persuasão. A pegadinha é confundir o meio (convite ao leitor) com o fim (falar sobre a linguagem).
Gabarito: letra E — metalinguística.
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