Sobre estar doente — Virginia Woolf: sub-representação das doenças na literatura
Gabarito: letra A. Virginia Woolf argumenta que, apesar de as doenças serem experiências comuns e profundamente transformadoras, elas são sistematicamente ignoradas pela literatura, que dá preferência aos temas da mente. A passagem inicial do texto já expõe essa tese:
“parece realmente estranho que a doença não tenha encontrado o seu lugar, junto com o amor, o ciúme e a batalha, entre os principais temas da literatura.”
E, ao final, ela reforça que “de todo esse drama cotidiano do corpo não há registro algum” — ou seja, a sub-representação das doenças é central na crítica da autora.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa capta exatamente a tese do texto: as doenças são comuns e transformadoras (a autora lista gripe, febre tifoide, pneumonia, dor de dente) e, no entanto, a literatura as trata como “nulo, negligenciável e inexistente”. A comparação com a mente está explícita no trecho: “a literatura faz tudo o que pode para sustentar que sua preocupação é com a mente, que o corpo é uma placa de vidro liso [...] e que o corpo [...] é nulo”. Portanto, a alternativa é uma paráfrase fiel.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O texto menciona gêneros (romances, poemas épicos, odes) apenas como uma hipótese irônica (“Alguns romances, ocorreria a alguém pensar, seriam dedicados à gripe...”). Esse não é o argumento central; a autora não defende que tais gêneros são mais adequados — ela apenas usa a sugestão para evidenciar o contraste entre a relevância da doença e sua ausência na literatura. A banca extrapola ao transformar uma ironia em tese principal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O texto afirma justamente o oposto: a literatura “faz tudo o que pode” para ignorar o corpo e focalizar a mente. A dicotomia é apresentada como um problema, não como um tema frequente. A autora critica a literatura por negligenciar o corpo — logo, a alternativa contradiz o texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O texto equipara a doença ao amor, ao ciúme e à batalha em termos de importância (“comum”, “enorme alteração espiritual”), mas não diz que ela é mais profunda. Dizer “mais profundas” é um acréscimo sem apoio no texto — extrapolação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A autora critica a literatura por não abordar as doenças, mas não afirma que os textos literários são incapazes de captar esse efeito. A palavra “incapazes” impõe uma limitação absoluta que o texto não sustenta. A própria autora reconhece “poucas exceções”, o que mostra que, para ela, a capacidade existe, mas não é aproveitada. A alternativa generaliza indevidamente o que é dito como desinteresse.
Gabarito: letra A