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Questão de Português — Interpretação de Textos — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
ce232158
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
IPAAM
Ano
2026
Nível
Superior

Texto CG1A1


    O estudo das mudanças climáticas é essencial para a compreensão dos impactos decorrentes das atividades antrópicas sobre o sistema climático global, que provocam alterações significativas nos padrões climáticos, resultantes, principalmente, do aumento das concentrações de gases de efeito estufa (GEE), como o dióxido de carbono (CO₂) e o metano (CH₄). Tais emissões decorrem de múltiplas fontes, destacando-se a queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e a adoção de práticas agrícolas ambientalmente insustentáveis.


    A relevância desse tema torna-se ainda mais evidente à luz dos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU, os quais buscam promover um modelo de desenvolvimento sustentável em escala global. Nesse contexto, o ODS 13 — ação contra a mudança global do clima — destaca a necessidade de incorporação de estratégias de mitigação e adaptação às mudanças climáticas nas políticas públicas e nos processos produtivos e socioeconômicos. Ademais, os efeitos das mudanças climáticas repercutem diretamente em outros ODS, como a erradicação da pobreza (ODS 1), a segurança alimentar (ODS 2) e a promoção da saúde e do bem-estar (ODS 3), o que evidencia a natureza transversal das questões climáticas e sua estreita relação com o desenvolvimento sustentável. 


    As mudanças climáticas são impulsionadas por uma combinação de fatores naturais e antrópicos — feitos pelo ser humano ou resultantes de suas ações —, sendo as atividades humanas as principais responsáveis pelo aquecimento global observado nas últimas décadas.


    Gases como dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxidos de nitrogênio (NOx) são fundamentais para o crescimento do efeito estufa, um processo natural que mantém a Terra aquecida. No entanto, as concentrações desses gases aumentaram significativamente devido a atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis, processos industriais e processos ligados à agricultura ⸺ um crescimento que resulta em desequilíbrio e intensifica o aquecimento global.


    O desmatamento, especialmente em florestas tropicais, contribui para as mudanças climáticas ao reduzir a capacidade de absorção de CO2 pelas árvores. Além disso, a conversão de áreas florestais em terras agrícolas ou em concentrações urbanas libera o carbono armazenado no solo, agravando ainda mais o problema.


    A expansão urbana desordenada, frequentemente conduzida sem o devido planejamento, tem provocado o aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE). Esse processo de urbanização também intensifica o consumo de energia, o fluxo de veículos e a produção de resíduos, agravando a poluição atmosférica e a degradação ambiental. Além disso, cidades mal planejadas tornam-se mais suscetíveis a desastres, potencializando os efeitos das mudanças climáticas. Esses impactos recaem de forma desproporcional sobre populações socialmente vulneráveis, que, em geral, são as que menos contribuem para as emissões. A escassez de recursos para adaptação às mudanças climáticas aprofunda as desigualdades sociais e econômicas, gerando consequências severas para a saúde pública, a segurança alimentar e o acesso à água.


    A compreensão das mudanças climáticas é estratégica não apenas para a proteção dos ecossistemas, mas também para a garantia da qualidade de vida das gerações presentes e futuras. A produção científica e a disseminação do conhecimento técnico sobre o tema são fundamentais para subsidiar a formulação de políticas públicas eficazes e fortalecer a conscientização da sociedade, possibilitando o enfrentamento dos desafios decorrentes de um sistema climático em contínua transformação.


    Nesse contexto, a educação ambiental e técnica assume papel central na capacitação de indivíduos e comunidades para a tomada de decisões embasadas em critérios científicos e socioambientais. A ampliação da consciência quanto à conservação ambiental, ao uso sustentável dos recursos naturais e à redução da pegada de carbono favorece a adoção de práticas e comportamentos alinhados aos princípios da sustentabilidade.


    Em síntese, trata-se de um desafio de elevada complexidade, marcado pela interdependência de múltiplos fatores, que demanda ações coordenadas em diferentes níveis de governança. Tal enfrentamento pressupõe o aprimoramento de políticas públicas, o estímulo à inovação tecnológica e o fortalecimento do compromisso social em prol de um modelo de desenvolvimento sustentável.



Internet: www.creasp.org.br (com adaptações).

A palavra “vulneráveis”, em “populações socialmente vulneráveis” (quarto período do sexto parágrafo do texto CG1A1), é empregada com o sentido de
  1. Asujeitas a serem prejudicadas.
  2. Bestigmatizadas.
  3. Cpouco esclarecidas.
  4. Dmenos escolarizadas.
  5. Epassíveis de exclusão da vida pública.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — sujeitas a serem prejudicadas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido de "vulneráveis" no texto

Gabarito: letra A. A palavra "vulneráveis" é empregada no sentido de "sujeitas a serem prejudicadas", conforme se depreende do contexto do sexto parágrafo.

No texto, as populações socialmente vulneráveis são aquelas que sofrem de forma desproporcional os impactos das mudanças climáticas e que têm escassez de recursos para adaptação. O trecho "Esses impactos recaem de forma desproporcional sobre populações socialmente vulneráveis" e a descrição das consequências severas (saúde, alimentação, água) indicam que a vulnerabilidade as expõe a danos. A alternativa A parafraseia corretamente essa ideia.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Esses impactos recaem de forma desproporcional sobre populações socialmente vulneráveis…"

A expressão "vulneráveis" remete à condição de estar exposto a riscos e sofrer prejuízos. O texto explicita que essas populações são as que menos contribuem para as emissões e que a escassez de recursos aprofunda desigualdades e gera consequências severas. Portanto, ser vulnerável é estar sujeito a ser prejudicado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não menciona estigmatização (marca social negativa) em relação a essas populações. "Vulneráveis" aqui tem sentido de exposição a danos, e não de discriminação ou preconceito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. Não há no texto indicação de que essas populações sejam "pouco esclarecidas" ou que lhes falte conhecimento. A vulnerabilidade decorre de fatores socioeconômicos e de exposição a riscos ambientais, não de falta de informação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não associa vulnerabilidade a baixa escolaridade. Embora possa haver correlação no mundo real, o texto não a estabelece; a condição de vulnerável é descrita em termos de impacto desproporcional e escassez de recursos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. "Passíveis de exclusão da vida pública" sugere exclusão política ou social deliberada, o que não está no texto. A vulnerabilidade discutida é frente a eventos climáticos e suas consequências, não exclusão da participação na vida pública.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece sinônimos comuns de "vulnerável" (estigmatizado, pouco esclarecido, etc.) que não se sustentam no contexto do texto. A resposta correta é a única que se limita ao sentido de estar sujeito a sofrer dano, comprovado pelo parágrafo.

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