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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — CESPE / CEBRASPE 2019

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
ce370994
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE RO
Ano
2019
Cargo
ACE (TCE-RO)

Texto CB1A1-I


É impressionante como, em nosso tempo, somos contraditórios no que diz respeito aos direitos humanos. Em comparação a eras passadas, chegamos a um máximo de racionalidade técnica e de domínio sobre a natureza, o que permite imaginar a possibilidade de resolver grande número de problemas materiais do homem, quem sabe, inclusive, o da alimentação.


No entanto, a irracionalidade do comportamento é também máxima, servida frequentemente pelos mesmos meios que deveriam realizar os desígnios da racionalidade. Assim, com a energia atômica, podemos, ao mesmo tempo, gerar força criadora e destruir a vida pela guerra; com incrível progresso industrial, aumentamos o conforto até alcançar níveis nunca sonhados, mas excluímos dele as grandes massas que condenamos à miséria; em muitos países, quanto mais cresce a riqueza, mais aumenta a péssima distribuição dos bens. Portanto, podemos dizer que os mesmos meios que permitem o progresso podem provocar a degradação da maioria.


Na Grécia antiga, por exemplo, teria sido impossível pensar em uma distribuição equitativa dos bens materiais(A), porque a técnica ainda não permitia superar as formas brutais de exploração do homem(B), nem criar abundância para todos(C). Em nosso tempo, é possível pensar nisso, mas o fazemos relativamente pouco. Essa insensibilidade(D) nega uma das linhas mais promissoras da história do homem ocidental, aquela que se nutriu das ideias amadurecidas no correr  dos séculos XVIII e XIX(E).


Essas ideias abriram perspectivas que pareciam levar à solução dos problemas dramáticos da vida em sociedade. E, de fato, durante muito tempo, acreditou-se que, removidos uns tantos obstáculos, como a ignorância e os sistemas despóticos de governo, as conquistas do progresso seriam canalizadas no rumo imaginado pelos utopistas, porque a instrução, o saber e a técnica levariam, necessariamente, à felicidade coletiva. Contudo, mesmo onde esses obstáculos foram removidos, a barbárie continuou entre os homens, embora não mais se ache normal o seu elogio, como se todos soubessem que ela é algo a ser ocultado e não proclamado.


Antonio Candido. Vários escritos. 3.ª ed. rev. e ampl. São Paulo: Duas Cidades, 1995, p. 169-70 (com adaptações).

 

No texto CB1A1-I, a forma pronominal presente na contração “nisso” refere-se a

  1. A“uma distribuição equitativa dos bens materiais”.
  2. B“superar as formas brutais de exploração do homem”.
  3. C“criar abundância para todos”.
  4. D“Essa insensibilidade”.
  5. E“ideias amadurecidas no correr dos séculos XVIII e XIX”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “uma distribuição equitativa dos bens materiais”.

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