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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2019

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce371115
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE PA
Ano
2019
Cargo
Ana Min (MPC TCE-PA)

Texto CG2A1-I


Na década de 1960, o mundo passou por um aumento populacional inédito devido à brusca queda na taxa de mortalidade, o que gerou preocupações sobre a capacidade dos países em produzir comida para todos. A solução encontrada foi desenvolver tecnologia e métodos que aumentassem a produção.


Em 1981, o indiano ganhador do Prêmio Nobel de Economia, Amartya Sen, em seu livro Pobreza e Fomes, identificou a existência de populações com fome mesmo em países que não convivem com problemas de abastecimento. O economista indiano traçou então, pela primeira vez, uma relação causal entre fome e questões sociais como pobreza e concentração de renda. Tirou, assim, o foco de aspectos técnicos e mudou o tom do debate internacional sobre a questão e as políticas públicas a serem tomadas a partir daí.


As últimas décadas foram de grande evolução no combate à fome em escala global. Nos últimos 25 anos, 7,7% da população mundial superou o problema, o que representa 216 milhões de pessoas. É como se mais que toda a população brasileira saísse da subnutrição em menos de três décadas. Contudo, 10,8% do mundo ainda vive sem acesso a uma dieta que forneça o mínimo de calorias e nutrientes necessários para uma vida saudável, e 21 mil pessoas morrem diariamente por fome ou problemas derivados dela.


Um estudo publicado em 2016 pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) mostra que a produção mundial de alimentos é suficiente para atender a demanda das 7,3 bilhões de pessoas que habitam a Terra. Apesar disso, aproximadamente uma em cada nove dessas pessoas ainda vive a realidade da fome. A pesquisa põe em xeque toda a política internacional de combate à subnutrição crônica colocada em prática nas últimas décadas. Em vez de crescimento da produção e ajudas momentâneas, surge agora como caminho uma abordagem territorial que valorize e potencialize a produção local.


Embora os números absolutos estejam caindo, o tema ainda é um dos mais delicados da agenda internacional. Um exemplo da extensão do problema está na declaração dada em 2017 pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), segundo a qual 1,4 milhão de crianças, de quatro diferentes países da África — Nigéria, Somália, Iêmen e Sudão do Sul —, corre risco iminente de morrer de fome. A questão é tão antiga quanto complexa, e se conecta intrinsecamente com a estrutura política e econômica sobre a qual o sistema internacional está construído. Concentração da renda e da produção, falta de vontade política e até mesmo desinformação e consolidação de uma cultura alimentar pouco nutritiva são fatores que compõem o cenário da fome e da desnutrição no planeta.


Internet: <www.nexojornal.com.br> (com adaptações).

 

Embora busque chamar a atenção para o problema da fome, o autor do texto CG2A1-I reconhece que ela foi reduzida em nível mundial. Para enfatizar no texto o que essa redução representa, o autor

  1. Atranscreve a opinião de especialistas sobre as medidas de combate à fome ao longo de anos.
  2. Bapresenta dados estatísticos da FAO que alertam sobre a dimensão do problema da fome em nível mundial.
  3. Ccita diversos países africanos onde a fome assola a maioria da população pobre.
  4. Dcompara à população total brasileira a parcela da população mundial que, em menos de trinta anos, superou a fome.
  5. Eindica a obra Pobreza e Fomes, que rendeu ao autor indiano Amartya Sen o Prêmio Nobel de Economia em 1981.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — compara à população total brasileira a parcela da população mundial que, em menos de trinta anos, superou a fome.

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