Questão de História — Historiografia — CESPE / CEBRASPE 2019
- Código
- ce372314
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- UNCISAL
- Ano
- 2019
- Cargo
- Vest ( )
Quando pensamos em memória, temos de começar pelo esquecimento. A dinâmica da memória individual consiste numa interação perpétua entre lembrar e esquecer. Lembrar algumas coisas implica esquecer outras (...). Podemos distinguir entre duas formas de esquecimento, uma mais ativa, a outra, mais passiva. O esquecimento ativo está ligado a atos intencionais, como o de jogar fora ou destruir. (...) A forma passiva do esquecimento relaciona-se, por outro lado, a atos não intencionais, como os de perder, esconder, dispersar, negligenciar, abandonar ou deixar algo para trás. Nesses casos, os objetos não são destruídos; apenas saem dos quadros de atenção, valoração ou utilidade.
ASSMANN, Aleida. Canon and archive. ERLL,
Astrid e NÜNNING, Ansgar. Cultural memory studies: an international and interdisciplinary handbook. (Orgs.): Berlim: Walter de Gruyter, 2008, p. 97-8 (trecho traduzido e adaptado).
Com respeito à produção da memória por diferentes sociedades em diferentes épocas, um processo de esquecimento passivo, tal como descrito no trecho anterior, remete à
- Adestruição de igrejas, imagens, esculturas, cruzes e outros símbolos religiosos no âmbito da descristianização promovida após a Revolução Francesa.
- Bimplosão pelo chamado Estado Islâmico de sítios arqueológicos, edificações antigas e objetos do patrimônio histórico-cultural na Síria e no Iraque.
- Cindiferença da atual memória política brasileira em relação a diversas personalidades políticas que tiveram grande prestígio e importância à época imperial.
- Dmanipulação de imagens na União Soviética stalinista, com o objetivo de eliminar da memória da Revolução Russa a participação de figuras públicas.
- Erecomendação da Comissão Nacional da Verdade, ao fim de seus trabalhos, para que se promova a alteração do nome de logradouros, vias de transporte, edifícios e instituições públicas.