Questão de Ciências — Memória e Patrimônio — CESPE / CEBRASPE 2019
- Código
- ce373529
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- UNCISAL
- Ano
- 2019
- Cargo
- Vest ( )
No primeiro tempo, quando a floresta estava ainda jovem, nossos antepassados eram humanos com nomes de animais e acabaram virando caça. São eles que flechamos e comemos hoje. Mas suas imagens não desapareceram e são elas que agora dançam para nós como os espíritos xapirapë. (...)
Os brancos desenham suas palavras porque seu pensamento é cheio de esquecimento. Nós guardamos as palavras dos nossos antepassados dentro de nós há muito tempo e continuamos passando-as para os nossos filhos. As crianças, que não sabem nada dos espíritos, escutam os cantos dos xamãs e depois querem ver os espíritos por sua vez. É assim que, apesar de muito antigas, as palavras dos xapirapë sempre voltam a ser novas.
Depoimento de Davi Kopenawa Yanomami, recolhido em 1998, na aldeia onde vive, e traduzido e editado pelo antropólogo Bruce Albert (Institut de Recherche pour le Développement, Paris). Disponível em: https://pib.socioambiental.org. Acesso em: nov. 2016.
O texto anterior apresenta uma explicação sobre a construção da memória pelo povo Yanomami e remete à prática da alfabetização em povos não indígenas. Conforme o narrador desse texto, a memória do seu povo é constituída
- Acom o auxílio dos espíritos xapirapë.
- Bpor meio da criação de novas palavras.
- Cpor meio da comunicação oral entre pessoas.
- Dcom as práticas cotidianas do canto e da dança.
- Epor meio de práticas cotidianas como a alimentação.