Questão de Direito Constitucional — União: Bens e Competências Exclusivas, Privativas, Comuns e Concorrentes (arts. 20 a 24 da CF/1988) — CESPE / CEBRASPE 2026
Direito Constitucional›União: Bens e Competências Exclusivas, Privativas, Comuns e Concorrentes (arts. 20 a 24 da CF/1988)
Código
ce387016
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE RN
Ano
2026
Cargo
AudCE ( )
Acerca da repartição de competências constitucionais, julgue o item a seguir, à luz da jurisprudência do STF. É inconstitucional lei estadual que exclui dos limites de despesa total com pessoal definidos na Lei de Responsabilidade Fiscal gastos com contratos de terceirização na área da saúde pública, por violar a competência legislativa da União para editar normas gerais sobre direito financeiro e orçamentário.
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GabaritoC — Certo
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Repartição de competências: direito financeiro e orçamentário
Gabarito: ✅ CERTO. A lei estadual que exclui gastos com terceirização na saúde dos limites de despesa com pessoal da LRF invade a competência legislativa da União para editar normas gerais sobre direito financeiro e orçamentário (CF, art. 24, I e II), sendo, portanto, inconstitucional. O STF firmou esse entendimento ao julgar a ADI 4.856, reconhecendo que a LRF é norma geral nacional e que os Estados não podem alterar seus critérios de apuração.
A repartição constitucional de competências é o alicerce do federalismo brasileiro. No plano legislativo, a Constituição de 1988 adotou um sistema misto: algumas matérias são de competência privativa da União (art. 22), outras são concorrentes entre União, Estados e Distrito Federal (art. 24). No caso do direito financeiro e do orçamento, a competência é concorrente — mas com um detalhe crucial: a União edita as normas gerais, e os Estados apenas as suplementam, respeitando os parâmetros federais.
A Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/2000) é exatamente uma norma geral nacional editada pela União com fundamento no art. 163, I, da CF, que exige lei complementar para dispor sobre finanças públicas. Ela define, de forma uniforme para todos os entes, o que conta como despesa total com pessoal e como esses limites devem ser apurados. Quando um Estado, por lei própria, resolve excluir determinados gastos (como contratos de terceirização na saúde) do cálculo, ele está, na prática, reescrevendo a norma geral — algo que a Constituição não lhe permite.
A lógica é simples: se cada ente pudesse definir o que entra ou não no cálculo da despesa com pessoal, os limites da LRF perderiam completamente o sentido. A responsabilidade fiscal exige parâmetros uniformes, sob pena de os entes "maquiarem" seus números e fugirem do controle. Por isso, o STF, no julgamento da ADI 4.856, declarou inconstitucional lei do Estado do Rio Grande do Norte que excluía gastos com terceirização na saúde dos limites da LRF, exatamente por violar a competência da União para legislar sobre normas gerais de direito financeiro.
A distinção que importa aqui é entre competência concorrente (art. 24) e competência privativa (art. 22). Na concorrente, o Estado pode legislar, mas deve respeitar as normas gerais da União — pode apenas suplementar, preenchendo lacunas, nunca contrariar o que a União estabeleceu. Na privativa, o Estado nem sequer pode legislar, salvo delegação por lei complementar (art. 22, parágrafo único). A pegadinha da banca está em fazer o candidato achar que, por ser matéria concorrente, o Estado teria liberdade total — mas a liberdade é apenas para suplementar, nunca para contrariar a norma geral federal.
Guarde o critério decisivo: norma geral federal sobre direito financeiro = parâmetro nacional obrigatório. Lei estadual que altera esses parâmetros, ainda que para "beneficiar" a saúde, é formalmente inconstitucional por invasão da competência da União. É exatamente esse raciocínio que confirma o item.
A assertiva está correta. A lei estadual que exclui gastos com terceirização na saúde dos limites de despesa com pessoal da LRF viola a competência legislativa da União para editar normas gerais sobre direito financeiro e orçamentário, prevista no art. 24, I e II, da CF/88. O STF, na ADI 4.856, declarou inconstitucional lei estadual com esse teor, reconhecendo que a LRF é norma geral nacional e que os Estados não podem alterar seus critérios de apuração.
Art. 24CF/88
Art. 24 — "Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:
I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico;
II - orçamento; [...]"
Art. 24, §1CF/88
Art. 24, § 1º — "No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais."
A LRF (LC 101/2000) é norma geral nacional editada com fundamento no art. 163, I, da CF. Ao excluir determinados gastos do cálculo da despesa com pessoal, o Estado está contrariando a norma geral federal, o que configura invasão da competência da União. A competência estadual na matéria é apenas suplementar — pode detalhar, mas nunca contrariar o parâmetro federal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a falsa ideia de que, por ser matéria de competência concorrente (art. 24, I e II), o Estado teria liberdade para legislar como bem entendesse. Mas a concorrência não é liberdade total: a União estabelece as normas gerais e o Estado apenas as suplementa (art. 24, § 1º e § 2º). Lei estadual que contraria a norma geral federal é inconstitucional por invasão da competência da União — foi exatamente o que o STF decidiu na ADI 4.856.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando a questão envolver lei estadual que altera critérios da LRF, lembre-se: a LRF é norma geral nacional. O Estado pode suplementar (detalhar, preencher lacunas), mas nunca contrariar (excluir, modificar, ampliar limites). Se a lei estadual contraria a LRF, é inconstitucional por invasão da competência da União. Essa é a lógica que resolve a maioria das questões sobre o tema.