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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce387183
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEED SE
Ano
2026
Cargo
PEB ( )

Texto CB1A1

 

As afirmações “Meus alunos não sabem português” ou “Eu não sei português” são comuns no dia a dia de brasileiros e brasileiras. Basta perguntar a qualquer falante do português se ele “sabe” português e veremos que, na maioria dos casos, a resposta será: “Não sei” ou “Não sei direito”.

 

Há diversos motivos que levam os falantes de uma língua a proferirem afirmações como essas. Há razões históricas e sociais que podem explicar esse sentimento dos brasileiros.

 

Uma delas é que, como o senso comum nos leva a pensar que saber gramática está, diretamente, ligado ao domínio de conceitos apresentados nos compêndios gramaticais, acabamos acreditando que, se alguém não sabe as regras apresentadas nesses compêndios, não sabe português.

 

É, no mínimo, lamentável imaginar que milhões de brasileiros, que se comunicam em português diariamente, durante toda sua vida, têm uma autoestima linguística tão baixa. Por acreditarem que não dominam certos aspectos de uma variedade da língua, chegam à conclusão de que não sabem sua própria língua materna.

 

Na verdade, todas as pessoas que são expostas à língua portuguesa desde o nascimento ou desde a infância sabem português. Portanto, todos os brasileiros nessa situação sabem português.

 

Desde o nascimento, nossa mente nos guia em nosso aprendizado linguístico. Crianças de 2 e 3 anos de idade já usam à língua portuguesa com desenvoltura, criam sentenças que nunca escutaram antes e aprendem mais a cada dia, apesar de ainda não terem ido à escola Se nosso conhecimento sobre o funcionamento da língua portuguesa dependesse exclusivamente do que aprendemos na escola, só aprenderíamos a falar depois de ir à escola. Sabemos, entretanto, que isso não é necessário.

 

Quando entendemos que o conceito de gramática corresponde a um construto mental que cada membro da espécie humana desenvolve, desde que exposto a dados da língua em questão, vemos como é, no mínimo, impróprio afirmarmos que “não sabemos português”.

 

A escola, de fato, ensinará as crianças a escreverem — a se expressarem usando a modalidade escrita —, mas os conhecimentos gramaticais ensinados na sala de aula ficam muito aquém do conhecimento pleno de uma língua e daquilo que as crianças já adquiriram quando começaram a falar.

 

O professor, em sala de aula, poderá promover o conhecimento linguístico explícito de certos fenômenos linguísticos, tais como os de concordância, regência ou ordem, ou mostrar como tais fenômenos ocorrem nas diferentes variedades da língua portuguesa. No entanto, ele deve estar consciente de que, antes de a criança ir para a escola, ela já domina tacitamente, esses conceitos.

 

Eloisa Pilati. Linguística, gramática e aprendizagem ativa.

Campinas,SP: Ponte,2017,p.23-30 (com adaptações).

Leia o Texto abaixo.   No quarto parágrafo do texto CB1A1, a autora lamenta o fato de milhões de brasileiros
  1. Anão saberem sua própria língua materna.
  2. Bterem baixa autoestima durante toda a vida.
  3. Cnão dominarem aspectos da variedade padrão da língua.
  4. Dterem uma autoestima linguística tão baixa.
  5. Ecomunicarem-se somente em português diariamente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — terem uma autoestima linguística tão baixa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O que a autora lamenta no quarto parágrafo

Gabarito: letra D. A autora lamenta que milhões de brasileiros tenham uma autoestima linguística tão baixa — é exatamente o que está escrito no quarto parágrafo: “É, no mínimo, lamentável imaginar que milhões de brasileiros, que se comunicam em português diariamente, durante toda sua vida, têm uma autoestima linguística tão baixa”. A alternativa D é uma paráfrase fiel desse trecho, sem acrescentar nem suprimir nada.

O comando

A questão pede compreensão (não inferência): o verbo “lamenta” remete ao que está explícito no texto. A tarefa é localizar a passagem e reconhecer a reescritura equivalente. Não há dedução a fazer — a resposta mora no próprio parágrafo. Por isso, o método é: sublinhar a frase em que a autora expressa o lamento e comparar cada alternativa com ela, palavra por palavra.

O texto e o parágrafo decisivo

O texto defende que todos os brasileiros expostos à língua desde o nascimento sabem português — a tese aparece no quinto parágrafo: “todas as pessoas que são expostas à língua portuguesa desde o nascimento ou desde a infância sabem português”. No quarto parágrafo, a autora introduz o lamento: é lamentável que tantos brasileiros tenham autoestima linguística baixa, justamente porque não é verdade que não saibam a língua. A estrutura do parágrafo é:

“É, no mínimo, lamentável imaginar que milhões de brasileiros, que se comunicam em português diariamente, durante toda sua vida, têm uma autoestima linguística tão baixa.”

A oração subordinada “que se comunicam em português diariamente, durante toda sua vida” é um detalhe descritivo — não é o objeto do lamento. O núcleo do lamento é a autoestima linguística baixa. A alternativa D capta exatamente esse núcleo.

A técnica que decide

Em questões de compreensão, a alternativa correta é uma paráfrase — reescritura que mantém o sentido, trocando palavras por sinônimos ou reorganizando a estrutura, sem alterar o conteúdo. A alternativa D faz isso: troca “têm uma autoestima linguística tão baixa” por “terem uma autoestima linguística tão baixa” (mesma ideia, mesma estrutura). As demais ou extrapolam (acrescentam informação que não está no texto) ou restringem (mudam o alcance do que foi dito).

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar o termo exato por outro parecido. Aqui, “autoestima linguística” virou “baixa autoestima” na alternativa B, e “não dominam certos aspectos de uma variedade da língua” virou “não dominam aspectos da variedade padrão” na C. Fique atento a essas trocas sutis.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a autora lamenta o fato de milhões de brasileiros não saberem sua própria língua materna. O texto afirma o contrário: a autora lamenta que eles acreditem que não sabem, mas eles sabem. No quarto parágrafo: “Por acreditarem que não dominam certos aspectos de uma variedade da língua, chegam à conclusão de que não sabem sua própria língua materna.” E no quinto: “todos os brasileiros nessa situação sabem português”. A alternativa contradiz o texto — inverte a tese central.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a autora lamenta que milhões de brasileiros tenham baixa autoestima durante toda a vida. O texto fala em “autoestima linguística tão baixa”, não em “baixa autoestima” genérica — e o trecho “durante toda sua vida” refere-se a comunicarem-se em português, não à duração da baixa autoestima. Há uma troca de termo (“autoestima linguística” → “baixa autoestima”) e uma extrapolação (a duração “toda a vida” é atribuída ao sentimento, quando o texto a atribui à comunicação).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a autora lamenta que milhões de brasileiros não dominem aspectos da variedade padrão da língua. O texto diz que eles acreditam que não dominam “certos aspectos de uma variedade da língua” — não diz que de fato não dominam, nem restringe à “variedade padrão”. Há extrapolação (transforma crença em fato) e restrição (acrescenta “padrão”, que não está no texto). A autora, aliás, argumenta que eles dominam tacitamente a língua.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa é a paráfrase exata do trecho: “É, no mínimo, lamentável imaginar que milhões de brasileiros, que se comunicam em português diariamente, durante toda sua vida, têm uma autoestima linguística tão baixa.” A autora lamenta que eles tenham uma autoestima linguística tão baixa — exatamente o que a alternativa D afirma. Não há acréscimo, supressão ou inversão de sentido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a autora lamenta que milhões de brasileiros comuniquem-se somente em português diariamente. O texto diz que eles “se comunicam em português diariamente” — sem o advérbio “somente”. A alternativa restringe o alcance: acrescenta “somente”, que não está no texto e muda o sentido (implica que não falam outras línguas, o que não é afirmado). Além disso, o lamento não é sobre a comunicação, mas sobre a autoestima.

Fechamento

A regra de ouro: em compreensão, a correta é a que reescreve o texto sem mudar o sentido. Teste cada alternativa perguntando: “o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?”. A D é a única que se sustenta integralmente no quarto parágrafo.

Gabarito: letra D

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