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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
ce387192
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEED SE
Ano
2026
Cargo
PEB ( )

Texto 12A1-I

 

Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, em que possa injetar um sangue novo. Se nada houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe de repente a crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida. Ou então, em última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o inesperado.

 

Alguns fazem-no de maneira simples e direta, sem caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali. Outros, de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde como um convite ao sono: a estes se lê como quem mastiga com prazer grandes bolas de chicletes. Outros, ainda, “tacam peito” na máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica, numa atitude ou-vai-ou-racha. Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre infundir vida e alegria em seus leitores, e há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio não só quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a própria personalidade atrás do que dizem e, em contrapartida, os vaidosos, que castigam no pronome na primeira pessoa e colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as situações. Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo, todos estes “marginais da imprensa”, por assim dizer, têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as espicaçam; estes são lidos por puro deleite, aqueles por puro vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica.

 

Vinícius de Moraes. O exercício da crônica. Para viver um grande amor. São Paulo:

Companhia das Letras, 2010 (com adaptações).

Leia o Texto.

 

Em relação ao emprego de figuras de linguagem no texto 12A1-I, julgue os itens a seguir.

 

I No trecho “recorrer ao assunto da falta de assunto” (último período do primeiro parágrafo), observa-se o uso do paradoxo.

II O trecho “Uns afagam vaidades, outros as espicaçam” (penúltimo período do texto) apresenta antítese.

III Em “a estes se lê” (segundo período do segundo parágrafo), observa-se a ocorrência de metonímia.

 

Assinale a opção correta.

  1. AApenas o item I está certo.
  2. BApenas o item II está certo.
  3. CApenas os itens I e III estão certos.
  4. DApenas os itens II e III estão certos.
  5. ETodos os itens estão certos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Todos os itens estão certos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Figuras de linguagem no texto de Vinícius de Moraes

Gabarito: letra E. Os três itens estão corretos: há paradoxo em “assunto da falta de assunto”, antítese em “Uns afagam vaidades, outros as espicaçam” e metonímia em “a estes se lê”. A banca testa se você distingue paradoxo de antítese e reconhece a substituição metonímica — e todos os três trechos apresentam, de fato, as figuras apontadas.

O comando

A questão pede que você julgue cada item sobre o emprego de figuras de linguagem. Isso é uma tarefa de conceito aplicado ao texto: você precisa saber a definição de cada figura e verificar se o trecho citado a exemplifica. Não é interpretação de sentido, é reconhecimento de recurso expressivo. Por isso, o método é: para cada item, (1) lembrar a definição da figura, (2) analisar o trecho e (3) confirmar se há correspondência.

O texto e as figuras

O texto de Vinícius de Moraes discorre sobre os tipos de cronista e os modos de escrever crônica. No primeiro parágrafo, o autor menciona o recurso de “recorrer ao assunto da falta de assunto” — expressão que une termos contraditórios. No segundo parágrafo, ele descreve os vaidosos e os modestos, e depois afirma que “Uns afagam vaidades, outros as espicaçam” — há uma oposição clara entre as ações. E, ao falar dos cronistas de estilo lento e elaborado, diz que “a estes se lê” — o pronome “estes” refere-se aos cronistas, mas a leitura é feita sobre o texto, não sobre a pessoa.

A técnica que decide

  • Paradoxo (ou oxímoro) é a figura de pensamento que aproxima ideias contraditórias numa mesma expressão, criando um sentido novo. Em “assunto da falta de assunto”, temos a junção de “assunto” e “falta de assunto” — dois polos que se excluem, mas que juntos expressam a ideia de escrever sobre a ausência de tema. É paradoxo, sim.

  • Antítese é a figura que opõe termos ou ideias em construções paralelas. Em “Uns afagam vaidades, outros as espicaçam”, há oposição entre “afagam” (acariciar, agradar) e “espicaçam” (provocar, cutucar). São verbos de sentido contrário aplicados a “vaidades”. É antítese, sim.

  • Metonímia é a figura de palavra que substitui um termo por outro com relação de contiguidade (autor pela obra, continente pelo conteúdo, etc.). Em “a estes se lê”, o pronome “estes” refere-se aos cronistas (pessoas), mas quem é lido é o texto que eles escrevem. Há, portanto, substituição: a pessoa pelo seu texto. É metonímia, sim.

Análise das alternativas

1Paradoxo (item I)
Une ideias contraditórias
"assunto da falta de assunto"
2Antítese (item II)
Opõe termos em paralelo
"afagam" × "espicaçam"
3Metonímia (item III)
Substituição por contiguidade
"a estes se lê" (pessoa pelo texto)
Figuras de linguagem
LEVELsoulevel.com.br
Figuras de linguagem: Paradoxo (item I) (Une ideias contraditórias, "assunto da falta de assunto"); Antítese (item II) (Opõe termos em paralelo, "afagam" × "espicaçam"); Metonímia (item III) (Substituição por contiguidade, "a estes se lê" (pessoa pelo texto))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que apenas o item I está certo. O item I é correto, mas os itens II e III também são. A alternativa restringe o conjunto de itens corretos, deixando de fora figuras igualmente presentes no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que apenas o item II está certo. O item II é correto, mas I e III também são. Novamente, restringe o alcance, ignorando o paradoxo e a metonímia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que apenas os itens I e III estão certos. Deixa de fora o item II, que também é correto. Restrição indevida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que apenas os itens II e III estão certos. Deixa de fora o item I, que também é correto. Restrição indevida.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Todos os itens estão certos. O item I é paradoxo, o item II é antítese e o item III é metonímia. A alternativa abrange corretamente as três figuras, sem acrescentar nem suprimir nada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura figuras de pensamento (paradoxo, antítese) com figura de palavra (metonímia) e testa se você sabe diferenciar antítese de paradoxo e reconhecer a metonímia em “a estes se lê”. A armadilha é achar que “a estes se lê” é apenas coesão referencial, sem perceber a substituição metonímica.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar paradoxo de antítese, lembre: paradoxo une ideias contraditórias numa só expressão; antítese opõe termos em construções paralelas. E metonímia sempre envolve uma substituição por contiguidade — aqui, a pessoa pelo texto.

Conclusão: a resposta é a letra E, pois os três itens estão corretos. A questão exige domínio das definições de paradoxo, antítese e metonímia, aplicadas a trechos específicos do texto. Sempre confira se a figura realmente ocorre no trecho citado — e desconfie de alternativas que excluem itens corretos.

Gabarito: letra E

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