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Questão de Português — Linguagem Formal e Informal — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsLinguagem Formal e Informal
Código
ce387194
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEED SE
Ano
2026
Cargo
PEB ( )

Texto 12A1-I

 

Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, em que possa injetar um sangue novo. Se nada houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe de repente a crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida. Ou então, em última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o inesperado.

 

Alguns fazem-no de maneira simples e direta, sem caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali. Outros, de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde como um convite ao sono: a estes se lê como quem mastiga com prazer grandes bolas de chicletes. Outros, ainda, “tacam peito” na máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica, numa atitude ou-vai-ou-racha. Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre infundir vida e alegria em seus leitores, e há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio não só quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a própria personalidade atrás do que dizem e, em contrapartida, os vaidosos, que castigam no pronome na primeira pessoa e colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as situações. Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo, todos estes “marginais da imprensa”, por assim dizer, têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as espicaçam; estes são lidos por puro deleite, aqueles por puro vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica.

 

Vinícius de Moraes. O exercício da crônica. Para viver um grande amor. São Paulo:

Companhia das Letras, 2010 (com adaptações).

Leia o Texto.   A crônica é um gênero textual em que frequentemente é utilizada uma linguagem mais informal, próxima da oralidade. No texto 12A1-I, um exemplo do uso da linguagem informal está presente em
  1. A“Alguns fazem-no de maneira simples e direta” (primeiro período do segundo parágrafo).
  2. B“a estes se lê como quem mastiga com prazer grandes bolas de chicletes” (segundo período do segundo parágrafo).
  3. C“há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio” (quarto período do segundo parágrafo).
  4. D“Escrever prosa é uma arte ingrata” (primeiro período do texto).
  5. E“situações que, azar dele, criou porque quis” (segundo período do primeiro parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “situações que, azar dele, criou porque quis” (segundo período do primeiro parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Linguagem informal na crônica: identificando o coloquialismo

Gabarito: letra E. A única alternativa que apresenta um exemplo claro de linguagem informal é a E, com a expressão “azar dele”, que é um coloquialismo típico da oralidade. As demais alternativas, embora contenham construções expressivas, mantêm-se dentro do registro formal ou culto da língua.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique, no texto, um exemplo do uso da linguagem informal, ou seja, uma passagem que se aproxime da fala cotidiana, com marcas de coloquialidade. Isso não é uma questão de interpretação profunda, mas de reconhecimento de registro linguístico: você precisa distinguir o que é formal (norma culta) do que é informal (coloquial, espontâneo).

O texto e a pista decisiva

O texto de Vinícius de Moraes é uma crônica, gênero que costuma mesclar registros, mas aqui predomina uma linguagem culta e elaborada. A passagem decisiva está no primeiro parágrafo:

“...na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis.”

A expressão “azar dele” é uma interjeição coloquial, típica da fala, que expressa um comentário irônico e descontraído. Ela foge completamente do padrão formal que domina o restante do texto. É exatamente essa quebra de registro que a banca quer que você perceba.

A técnica: o que procurar

Para resolver questões desse tipo, pergunte-se: qual trecho soaria natural numa conversa informal? A linguagem informal se caracteriza por:

  • Uso de gírias, expressões populares e coloquialismos (ex.: “azar dele”, “tacar peito”, “ou-vai-ou-racha”).

  • Despreocupação com a norma culta (ex.: “pra”, “tá”, “a gente”).

  • Construções espontâneas, próximas da oralidade.

Já a linguagem formal se caracteriza por:

  • Vocabulário culto e diversificado (ex.: “fito”, “gentio”, “castigam no pronome”).

  • Períodos sintaticamente completos e bem estruturados.

  • Ausência de marcas de oralidade.

Análise das alternativas

1Marcas de coloquialidade
Gírias e expressões populares
Interjeições
Construções da fala
2Exemplo no texto
"azar dele"
3Não confundir com
Linguagem expressiva (metáforas)
Vocabulário erudito
Sintaxe complexa
Linguagem informal
LEVELsoulevel.com.br
Linguagem informal: Marcas de coloquialidade (Gírias e expressões populares, Interjeições, Construções da fala); Exemplo no texto ("azar dele"); Não confundir com (Linguagem expressiva (metáforas), Vocabulário erudito, Sintaxe complexa)

Alternativa A — ❌ Incorreta

“Alguns fazem-no de maneira simples e direta”

A construção “fazem-no” é um exemplo de ênclise pronominal, típica da norma culta. A linguagem é formal, sem marcas de coloquialidade. O trecho descreve um estilo de escrita, mas não apresenta informalidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“a estes se lê como quem mastiga com prazer grandes bolas de chicletes”

Aqui há uma comparação expressiva (ler como quem mastiga chicletes), mas a construção é sintaticamente formal: uso de próclise (“se lê”), vocabulário culto (“mastiga”, “prazer”). A imagem é criativa, mas não é coloquial.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio”

As palavras “fito” (intenção) e “gentio” (povo) são eruditas, típicas da norma culta. Não há qualquer marca de informalidade. O trecho é formal e até literário.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Escrever prosa é uma arte ingrata”

A frase é metafórica (“arte ingrata”), mas o vocabulário é culto e a construção é sintaticamente completa. Não há coloquialismo. A expressão “arte ingrata” é uma figura de linguagem, não uma marca de oralidade.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“situações que, azar dele, criou porque quis”

A expressão “azar dele” é um coloquialismo típico da fala, usado para expressar um comentário irônico e descontraído. Ela quebra o registro formal do texto, aproximando-se da oralidade. É exatamente o que o enunciado pede: um exemplo de linguagem informal.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de reconhecer o registro informal em meio a um texto predominantemente culto. A expressão “azar dele” é a única que apresenta uma marca clara de coloquialidade. As demais alternativas, embora expressivas, mantêm-se no registro formal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura expressões figuradas (como “arte ingrata” e “mastiga chicletes”) com coloquialismo genuíno. Não confunda linguagem expressiva com linguagem informal.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar linguagem informal, procure por gírias, interjeições, expressões populares e construções típicas da fala. Se o trecho usa vocabulário erudito ou sintaxe complexa, é formal.

Gabarito: letra E

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