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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
ce387198
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEED SE
Ano
2026
Cargo
PEB ( )

Texto 12A1-I

 

Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, em que possa injetar um sangue novo. Se nada houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe de repente a crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida. Ou então, em última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o inesperado.

 

Alguns fazem-no de maneira simples e direta, sem caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali. Outros, de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde como um convite ao sono: a estes se lê como quem mastiga com prazer grandes bolas de chicletes. Outros, ainda, “tacam peito” na máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica, numa atitude ou-vai-ou-racha. Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre infundir vida e alegria em seus leitores, e há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio não só quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a própria personalidade atrás do que dizem e, em contrapartida, os vaidosos, que castigam no pronome na primeira pessoa e colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as situações. Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo, todos estes “marginais da imprensa”, por assim dizer, têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as espicaçam; estes são lidos por puro deleite, aqueles por puro vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica.

 

Vinícius de Moraes. O exercício da crônica. Para viver um grande amor. São Paulo:

Companhia das Letras, 2010 (com adaptações).

Leia o Texto.   No texto 12A1-I, a flexão da forma verbal “resta” (quinto período do primeiro parágrafo) na terceira pessoa do singular justifica-se pela concordância verbal com o termo
  1. A“nada” (quinto período do primeiro parágrafo).
  2. B“cronista” (segundo período do primeiro parágrafo).
  3. C“ele” (quarto período do primeiro parágrafo).
  4. D“recurso” (quinto período do primeiro parágrafo).
  5. E“prosador” (terceiro período do primeiro parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “recurso” (quinto período do primeiro parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: o sujeito de “resta” no texto de Vinícius de Moraes

Gabarito: letra D. A forma verbal “resta” está na terceira pessoa do singular porque concorda com o núcleo do sujeito “recurso”, como se lê no trecho: “resta-lhe o recurso de olhar em torno”. A banca testa exatamente a habilidade de identificar o sujeito de um verbo quando ele aparece posposto (depois do verbo), o que exige atenção à ordem inversa da oração.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique com qual termo o verbo “resta” concorda. Isso é uma questão de concordância verbal: o verbo deve flexionar em número e pessoa de acordo com o sujeito da oração. A dificuldade aqui é que o sujeito não está antes do verbo, como na ordem direta (sujeito + verbo), mas depois dele — o que é comum em construções com verbos como “restar”, “faltar”, “sobrar”, “existir”.

O texto e a localização da resposta

No quinto período do primeiro parágrafo, o autor escreve:

“Se nada houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe de repente a crônica”

A oração principal é “resta-lhe o recurso”. O verbo “restar” é intransitivo (ou transitivo indireto, com o pronome “lhe” como objeto indireto), e o termo que pratica a ação de “restar” é “o recurso”. Portanto, o sujeito é “o recurso de olhar em torno e esperar…”, cujo núcleo é o substantivo “recurso” — singular, terceira pessoa, o que justifica a forma “resta”.

A técnica que decide

Em questões de concordância, o primeiro passo é achar o verbo e, em seguida, perguntar “quem?” ou “o quê?” antes dele. Na ordem direta, o sujeito vem antes do verbo; mas, quando o sujeito está posposto, a ordem fica invertida. Veja:

  • Ordem direta: “O recurso resta-lhe.”

  • Ordem inversa: “Resta-lhe o recurso.”

O verbo concorda com o núcleo do sujeito, que é o substantivo principal, desconsiderando os adjuntos adnominais (como “de olhar em torno”). Aqui, o núcleo é “recurso”, singular, por isso o verbo fica no singular.

Análise das alternativas

1Achar o verbo
"resta"
2Perguntar "quem?" / "o quê?"
Sujeito posposto
"o recurso de olhar em torno..."
3Núcleo do sujeito
"recurso" (singular)
Verbo no singular
4Armadilhas
Termos de outras orações
Sujeito antes do verbo
Concordância verbal
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Concordância verbal: Achar o verbo ("resta"); Perguntar "quem?" / "o quê?" (Sujeito posposto, "o recurso de olhar em torno..."); Núcleo do sujeito ("recurso" (singular), Verbo no singular); Armadilhas (Termos de outras orações, Sujeito antes do verbo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

“nada” é um pronome indefinido que funciona como sujeito da oração condicional “Se nada houver”, mas não é o sujeito de “resta”. O verbo “resta” tem sujeito próprio, que é “o recurso”. A alternativa confunde o sujeito de uma oração subordinada com o da oração principal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“cronista” aparece no segundo período, mas não tem relação sintática com o verbo “resta”. O texto diz: “Eu digo prosa fiada, como faz um cronista”. O termo “cronista” é o sujeito de “faz”, não de “resta”. A alternativa traz um termo de outra oração, sem vínculo com o verbo em questão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“ele” é o pronome pessoal que retoma “prosador do cotidiano”, mas não é o sujeito de “resta”. No trecho: “Senta-se ele diante de sua máquina”, o sujeito de “senta-se” é “ele”. Já em “resta-lhe o recurso”, o pronome “lhe” é objeto indireto, não sujeito. A alternativa troca o referente do pronome e ignora a função sintática de “lhe”.

Alternativa D — ✅ Correta

Como demonstrado, o sujeito de “resta” é “o recurso de olhar em torno e esperar…”, cujo núcleo é “recurso”. A concordância se dá com esse núcleo, que está na terceira pessoa do singular. A alternativa está correta e é a única que aponta o termo certo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“prosador” é o sujeito de “Senta-se” e de “busca”, mas não de “resta”. O texto: “Senta-se ele diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer”. O verbo “resta” tem sujeito próprio, “o recurso”. A alternativa generaliza o sujeito de outros verbos para o verbo em questão.

Conclusão

A questão exige identificar o sujeito posposto e seu núcleo. A armadilha está em escolher um termo que aparece antes do verbo, mas que pertence a outra oração. Sempre pergunte: “quem resta?” — a resposta é “o recurso”.

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca o sujeito depois do verbo e oferece termos que aparecem antes, tentando fazer o candidato concordar com o termo mais próximo ou com o que parece lógico.

PEGA ESSA DICA!

Em verbos como “restar”, “faltar”, “sobrar”, o sujeito costuma vir posposto. Inverta a ordem mentalmente para achar o núcleo.

Gabarito: letra D

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