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Questão de Português — Colocação Pronominal — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsColocação Pronominal
Código
ce387199
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEED SE
Ano
2026
Cargo
PEB ( )

Texto 12A1-I

 

Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, em que possa injetar um sangue novo. Se nada houver, resta-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe de repente a crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida. Ou então, em última instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o inesperado.

 

Alguns fazem-no de maneira simples e direta, sem caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali. Outros, de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde como um convite ao sono: a estes se lê como quem mastiga com prazer grandes bolas de chicletes. Outros, ainda, “tacam peito” na máquina e cumprem o dever cotidiano da crônica, numa atitude ou-vai-ou-racha. Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre infundir vida e alegria em seus leitores, e há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar o gentio não só quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a própria personalidade atrás do que dizem e, em contrapartida, os vaidosos, que castigam no pronome na primeira pessoa e colocam-se geralmente como a personagem principal de todas as situações. Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo, todos estes “marginais da imprensa”, por assim dizer, têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as espicaçam; estes são lidos por puro deleite, aqueles por puro vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica.

 

Vinícius de Moraes. O exercício da crônica. Para viver um grande amor. São Paulo:

Companhia das Letras, 2010 (com adaptações).

Leia o Texto.   Assinale a opção correta em relação à colocação pronominal no texto 12A1-I.
  1. AEm “Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo” (antepenúltimo período do texto), a próclise pronominal justifica-se pela natureza desenvolvida da oração subordinada introduzida pelo conectivo “Como”.
  2. BEm “surja-lhe de repente a crônica” (quinto período do primeiro parágrafo), a ênclise pronominal é obrigatória devido à flexão da forma verbal “surja” no subjuntivo.
  3. CEm “mas enfeitando-o aqui e ali” (primeiro período do segundo parágrafo), a ênclise pronominal é obrigatória devido à presença dos advérbios “aqui” e “ali”.
  4. DEm “Senta-se ele diante de sua máquina” (quarto período do primeiro parágrafo), a ênclise pronominal deve-se à presença do pronome “ele”.
  5. EEm “e colocam-se geralmente como a personagem principal” (quinto período do segundo parágrafo), a ênclise pronominal é obrigatória porque a forma verbal “colocam” inicia uma oração.
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GabaritoA — Em “Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo” (antepenúltimo período do texto), a próclise pronominal justifica-se pela natureza desenvolvida da oração subordinada introduzida pelo conectivo “Como”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação Pronominal: próclise e ênclise no texto

Gabarito: letra A. A próclise em "Como se diz" é corretamente justificada pela presença da conjunção subordinativa "Como", que introduz uma oração subordinada e atrai o pronome para antes do verbo. As demais alternativas erram ao atribuir a ênclise a causas que não a justificam, como a flexão verbal, a presença de advérbios ou de pronomes retos.

O comando e o método

A questão pede que se assinale a opção correta em relação à colocação pronominal. Isso significa que cada alternativa apresenta uma justificativa para o uso de próclise ou ênclise em um trecho específico do texto. O método de resolução é duplo: primeiro, identificar se a colocação (próclise ou ênclise) está correta no trecho; segundo, e mais importante, verificar se a justificativa apresentada é a verdadeira razão para aquela colocação. Muitas vezes a colocação está correta, mas a explicação é falsa — e é exatamente aí que a banca arma a pegadinha.

A regra que decide a questão

A colocação pronominal no português segue regras claras. A próclise (pronome antes do verbo) é obrigatória quando há uma palavra atrativa antes do verbo. As principais palavras atrativas são:

  • Conjunções subordinativas: que, se, como, quando, embora, etc.

  • Palavras negativas: não, nunca, jamais, nada, etc.

  • Advérbios: aqui, agora, talvez, já, sempre, etc.

  • Pronomes relativos: que, o qual, cujo, onde, etc.

  • Pronomes indefinidos: alguém, tudo, nada, etc.

A ênclise (pronome depois do verbo) é a colocação "residual": usa-se quando não há palavra atrativa e o verbo não está no futuro do presente ou do pretérito (que exigiriam mesóclise). Também é proibido iniciar oração com pronome oblíquo átono, o que reforça a ênclise em início de período.

No trecho "Como se diz", o "Como" é uma conjunção subordinativa (introduz oração subordinada adverbial, aqui com valor de conformidade ou causa), e conjunções subordinativas são palavras atrativas que obrigam a próclise. Portanto, a justificativa da alternativa A está correta.

Análise das alternativas

1Próclise (palavra atrativa antes do verbo)
Conjunções subordinativas (que, se, como)
Palavras negativas (não, nunca)
Advérbios (aqui, talvez)
Pronomes relativos (que, cujo)
Pronomes indefinidos (alguém, tudo)
2Ênclise (sem atrativo)
Verbo inicia oração
Gerúndio sem atrativo
3Mesóclise
Futuro do presente
Futuro do pretérito
Colocação pronominal
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Colocação pronominal: Próclise (palavra atrativa antes do verbo) (Conjunções subordinativas (que, se, como), Palavras negativas (não, nunca), Advérbios (aqui, talvez), Pronomes relativos (que, cujo), Pronomes indefinidos (alguém, tudo)); Ênclise (sem atrativo) (Verbo inicia oração, Gerúndio sem atrativo); Mesóclise (Futuro do presente, Futuro do pretérito)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que a próclise em "Como se diz" se justifica pela natureza desenvolvida da oração subordinada introduzida pelo conectivo "Como". Isso está correto. O "Como" é uma conjunção subordinativa, e toda conjunção subordinativa atrai o pronome para antes do verbo. No texto:

"Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo"

Aqui, "Como" introduz uma oração subordinada adverbial (de conformidade, equivalendo a "conforme se diz"), e a presença dessa conjunção exige próclise. A justificativa é precisa: a natureza subordinada da oração, marcada pelo conectivo, é exatamente o fator que atrai o pronome.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a ênclise em "surja-lhe" é obrigatória devido à flexão do verbo "surja" no subjuntivo. Isso é falso. A flexão de modo não influencia a colocação pronominal. O que ocorre é que não há palavra atrativa antes do verbo "surja" — o período é "esperar que, através de um processo associativo, surja-lhe de repente a crônica". A conjunção "que" atrai o pronome para o verbo "esperar" (próclise em "que... surja"), mas o pronome "lhe" está ligado a "surja", que não é precedido de atrativo imediato, permitindo a ênclise. A justificativa apresentada (subjuntivo) é incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a ênclise em "enfeitando-o" é obrigatória devido aos advérbios "aqui" e "ali". Isso é falso. Os advérbios "aqui" e "ali" estão no final da oração, não antes do verbo "enfeitando". A ênclise em "enfeitando-o" ocorre porque o verbo está no gerúndio e não há palavra atrativa antes dele. A presença de advérbios distantes não justifica a ênclise; na verdade, se estivessem antes do verbo, atrairiam próclise. A justificativa é, portanto, incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a ênclise em "Senta-se" se deve à presença do pronome "ele". Isso é falso. O pronome "ele" é sujeito, e sujeito não atrai nem repele pronome oblíquo. A ênclise em "Senta-se" ocorre porque o verbo inicia o período, e não se pode iniciar oração com pronome oblíquo átono. A presença do sujeito "ele" é irrelevante para a colocação. A justificativa é incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a ênclise em "colocam-se" é obrigatória porque a forma verbal "colocam" inicia uma oração. Isso é parcialmente verdadeiro — de fato, não se inicia oração com pronome oblíquo átono, então a ênclise é obrigatória nesse caso. No entanto, a justificativa apresentada é incompleta e imprecisa: o que obriga a ênclise não é simplesmente "iniciar uma oração", mas a regra de que não se inicia período com pronome oblíquo átono. A alternativa não explica corretamente o motivo, limitando-se a afirmar que "inicia uma oração", o que é vago e não corresponde à justificativa canônica. Portanto, está incorreta.

Conclusão

A única alternativa que apresenta justificativa correta é a letra A. As demais ou atribuem a colocação a fatores irrelevantes (flexão verbal, advérbios distantes, pronome sujeito) ou apresentam justificativa imprecisa. A regra de ouro: a colocação pronominal é determinada pela presença de palavra atrativa antes do verbo (próclise) ou pela ausência dela e pela proibição de iniciar oração com pronome átono (ênclise). Sempre desconfie de justificativas que citem elementos que não estão imediatamente antes do verbo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a colocação correta e a justificativa correta. Em várias alternativas, a colocação está correta, mas a explicação é falsa. Verifique sempre se o elemento citado (advérbio, pronome, flexão) está realmente antes do verbo e se é uma palavra atrativa.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de colocação pronominal, identifique primeiro se há palavra atrativa antes do verbo. Se houver, próclise obrigatória. Se não houver, verifique se o verbo inicia oração (ênclise) ou se está no futuro (mesóclise). A justificativa deve apontar exatamente o elemento que causa a colocação.

Gabarito: letra A

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