Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — CESPE / CEBRASPE 2026
Português›Significação de Vocábulo e Expressões
Código
ce387201
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEED SE
Ano
2026
Cargo
PEB ( )
Texto 12A2-I
A variação existente hoje, no português do Brasil, que nos
permite reconhecer uma pluralidade de falares, é fruto da
dinâmica populacional e da natureza do contato dos diversos
grupos étnicos e sociais nos diferentes períodos da história. São
fatos dessa natureza que demonstram que não se pode pensar no
uso de uma língua em termos de “certo” e “errado” e em variante
regional “melhor” ou “pior”, “bonita” ou “feia”. No ensino da
língua escrita, contudo, procura-se neutralizar as marcas
identificadoras de cada grupo social, a fim de atingir um padrão
idealizado, que seja supranacional. O paradoxo está em que cada
falar tem sua norma, variantes que prevalecem, mas que não
anulam a ocorrência de outras. Por exemplo, o segmento r, no
contexto final de sílaba, como em carta ou porto. Suas múltiplas
realizações são encontradas tanto em Porto Alegre quanto no Rio
de Janeiro. O que singulariza uma ou outra cidade é a
predominância de determinada variante sobre as outras. Também
os empréstimos lexicais não colocam a língua “em perigo”.
São apenas reflexos de contatos culturais, ontem e hoje.
Convivemos perfeitamente bem com palavras como álcool e
almofada, do árabe, garagem e personagem, do francês, e
futebol, do inglês. E mais recentemente temos de conviver
também com deletar, por empréstimo ao inglês, que, por sua vez,
tem origem no latim (delere, deletum).
Yonne Leite e Dinah Callou. Como falam os brasileiros.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editora, 2004, p. 57-59 (com adaptações).
Leia o Texto abaixo.
No trecho “Convivemos perfeitamente bem com palavras como álcool e almofada, do árabe, garagem e personagem, do francês, e futebol, do inglês” (penúltimo período do texto 12A2-I), o sentido produzido pela linguagem figurada na expressão “Convivemos perfeitamente bem com palavras” indica que os falantes usam essas palavras de forma
Aanômala.
Bespontânea.
Crestritiva.
Destigmatizada.
Ereservada.
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GabaritoB — espontânea.
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Sentido figurado de "Convivemos perfeitamente bem com palavras"
Gabarito: letra B. A expressão "Convivemos perfeitamente bem com palavras" indica que os falantes usam essas palavras de forma espontânea, ou seja, natural, sem esforço ou estranhamento. O texto sustenta isso ao afirmar que os empréstimos lexicais "não colocam a língua 'em perigo'" e que "convivemos perfeitamente bem" com palavras de origens diversas, como se lê no trecho citado.
"Também os empréstimos lexicais não colocam a língua 'em perigo'. São apenas reflexos de contatos culturais, ontem e hoje. Convivemos perfeitamente bem com palavras como álcool e almofada, do árabe, garagem e personagem, do francês, e futebol, do inglês."
A ideia central é que a incorporação de palavras estrangeiras é um processo natural e tranquilo, sem qualquer tipo de resistência, rejeição ou marca negativa. A linguagem figurada — "conviver bem" — humaniza as palavras e as trata como parte do cotidiano, o que reforça o sentido de naturalidade e espontaneidade.
O comando da questão
O enunciado pede que se identifique o sentido produzido pela linguagem figurada na expressão. Isso significa que não se trata de uma pergunta sobre o significado literal de "conviver", mas sobre o efeito de sentido que a figura de linguagem (prosopopeia ou personificação, ao atribuir ação humana a palavras) cria no contexto. A resposta deve ser uma paráfrase do que o autor quer transmitir: que o uso dessas palavras é algo natural, automático, sem esforço — exatamente o que a alternativa B expressa com "espontânea".
O que é conotação e por que ela decide a questão
Denotação é o sentido literal, próprio, que independe do contexto (ex.: "carta" = objeto de correspondência). Conotação é o sentido figurado, que depende do contexto frásico (ex.: "carta" = naipe do baralho). Aqui, "conviver" não é usado no sentido literal de "viver junto com alguém"; é usado metaforicamente para dizer que as palavras estrangeiras integram o uso cotidiano sem causar estranhamento. O verbo "conviver" ganha um matiz afetivo: conviver bem é estar à vontade, aceitar com naturalidade. É essa conotação que a banca explora.
A figura de linguagem presente é a prosopopeia (ou personificação): atribui-se a palavras uma ação humana — "conviver". Isso reforça a ideia de que as palavras são acolhidas como membros da comunidade linguística, sem resistência. O texto ainda diz que os empréstimos "são apenas reflexos de contatos culturais", ou seja, algo normal, esperado, sem drama.
A técnica para resolver
Leia o trecho no contexto: o autor está defendendo que a variação e os empréstimos são naturais, não são "perigo".
Identifique a figura: "conviver" com palavras = personificação.
Traduza o efeito: conviver bem = aceitar com naturalidade = espontâneo.
Teste as alternativas: qual delas expressa essa naturalidade? Apenas "espontânea".
PEGA ESSA DICA!
Em questões de sentido figurado, pergunte-se: "que efeito o autor quer causar?" Se o texto fala em "perfeitamente bem", "sem perigo", "reflexos de contatos", o tom é de aceitação tranquila — nunca de rejeição ou restrição.
Análise das alternativas
Sentido figurado de "conviver bem com palavras": Conotação (figurado) (Naturalidade, Aceitação sem estranhamento, Integração ao cotidiano); Prosopopeia (Palavras com ação humana, Acolhidas como membros da comunidade); Denotação (literal) (Viver junto com alguém, Não é o caso aqui)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Anômala significa "que foge à norma", "irregular", "anormal". O texto diz exatamente o contrário: os empréstimos são "reflexos de contatos culturais" e "convivemos perfeitamente bem" com eles. Não há qualquer sugestão de anormalidade. A alternativa contradiz o texto.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Espontânea significa "natural", "sem esforço", "automática". É exatamente o sentido de "conviver perfeitamente bem": usar as palavras sem estranhamento, como parte do cotidiano. O texto reforça: "não colocam a língua 'em perigo'". A alternativa é uma paráfrase fiel do efeito de sentido.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Restritiva significa "que limita", "que reduz o alcance". O texto não fala em limitação; pelo contrário, mostra ampliação do léxico com empréstimos de várias línguas (árabe, francês, inglês). A alternativa extrapola — introduz uma ideia de restrição que não existe no texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Estigmatizada significa "marcada negativamente", "desvalorizada". O texto afirma que os empréstimos "não colocam a língua 'em perigo'" e que convivemos "perfeitamente bem" — ou seja, sem estigma. A alternativa contradiz o texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Reservada significa "contida", "cautelosa", "com restrição". O texto fala em "perfeitamente bem", o que indica abertura e naturalidade, não reserva. A alternativa extrapola — atribui um tom de cautela que o texto não sustenta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece alternativas que descrevem reações negativas (anômala, estigmatizada) ou restritivas (restritiva, reservada) para tentar o candidato que não percebe o tom positivo e natural do texto. A chave é notar o advérbio "perfeitamente" e a negação de "perigo".
Conclusão: A expressão "Convivemos perfeitamente bem com palavras" tem sentido conotativo e indica naturalidade e aceitação — ou seja, uso espontâneo. As demais alternativas ou contradizem o texto ou acrescentam ideias que ele não contém.