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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce387205
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEED SE
Ano
2026
Cargo
PEB ( )

Trem de ferro

 

Manuel Bandeira

Café com pão

Café com pão

Café com pão

(...)

Oô..

Foge, bicho

Foge, povo

Passa ponte

Passa poste

Passa pato

Passa boi

Passa boiada

Passa galho

De ingazeira

Debruçada

Que vontade

De cantar!

 

Manuel Bandeira. Manuel Bandeira – poesia completa e prosa.

Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1990, p. 236-7 (com adaptações).

Leia o texto.   Uma análise semiótica do poema apresentado deve
  1. Arealçar o caráter descritivo do poema e a caracterização do trem e da paisagem rural por meio de aspectos sonoros, explorados no ritmo e na repetição de palavras, e visuais, por meio do emprego predominante de palavras de natureza adjetiva ao longo do texto.
  2. Bdemonstrar a interação entre os recursos expressivos dos signos materiais explorados no texto e seus efeitos de significado.
  3. Cvalorizar os aspectos estilísticos do poema, como o emprego dos versos brancos, em harmonia com as propostas da poesia modernista que se evidenciam no texto.
  4. Drelevar desvios da norma culta, como o emprego de vírgula entre o verbo e o sujeito em “Foge, bicho / Foge, povo” (quinto e sexto versos), e considerar o emprego estilístico de uma linguagem popular.
  5. Edestacar a onomatopeia dos sons ritmados de um trem em movimento, percebida pelo emprego de palavras paroxítonas nos finais de todos os versos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — demonstrar a interação entre os recursos expressivos dos signos materiais explorados no texto e seus efeitos de significado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise semiótica do poema "Trem de ferro"

Gabarito: letra B. A alternativa correta é a que demonstra a interação entre os recursos expressivos dos signos materiais explorados no texto e seus efeitos de significado. Essa é a definição mais precisa de análise semiótica: estudar como os signos (as palavras, o ritmo, a sonoridade) produzem sentido. No poema, isso se vê na repetição de "Café com pão" e na onomatopeia "Oô..", que imitam o som do trem, criando o efeito de movimento e ritmo. A banca testa se o candidato sabe que a semiótica não se limita a descrever aspectos isolados (como em A, C, D e E), mas busca a relação entre a forma e o significado.

O comando: o que a banca pede

O enunciado é curto e direto: "Uma análise semiótica do poema apresentado deve". A palavra-chave é semiótica. A semiótica é a ciência que estuda os signos e seus processos de significação. Numa análise semiótica, não basta descrever o que o texto diz (compreensão) nem apenas inferir um sentido (interpretação); é preciso examinar como os recursos expressivos (os signos) constroem os efeitos de sentido. O comando pede, portanto, uma alternativa que aponte essa relação entre a materialidade do texto (sons, ritmo, repetições) e o significado que ela gera.

O texto: o que o poema mostra

O poema de Manuel Bandeira é uma peça modernista que recria, pela linguagem, a experiência de andar de trem. Observe os elementos materiais:

  • Repetição: "Café com pão / Café com pão / Café com pão" — a repetição sugere o ritmo monótono e constante da locomotiva.

  • Onomatopeia: "Oô.." — imita o apito do trem.

  • Sequência de verbos no imperativo: "Foge, bicho / Foge, povo / Passa ponte / Passa poste" — a sucessão de ordens e a lista de elementos que "passam" reproduzem a velocidade e o movimento do olhar pela janela.

  • Ritmo e sonoridade: a métrica curta e as rimas internas ("ponte"/"poste", "pato"/"boi") criam um efeito sonoro que remete ao balanço do trem.

Todos esses são signos materiais (a forma do texto) que produzem efeitos de significado (a sensação de movimento, velocidade, ritmo). É exatamente essa interação que a alternativa B descreve.

A técnica: o que é semiótica e como ela se aplica

A semiótica, na linha de Peirce e Saussure, estuda o signo em sua tríplice relação: o significante (a forma material, o som, a grafia), o significado (o conceito) e o referente (o objeto real). Numa análise semiótica de um poema, o foco está em como o significante (ritmo, repetição, onomatopeia) se articula com o significado para gerar o efeito estético.

No poema, o significante "Oô.." não é apenas uma palavra; é um signo que imita o som do apito. A repetição de "Café com pão" não é mera redundância; é um signo que sugere o ritmo do trem. A sequência "Passa ponte / Passa poste" não é uma lista aleatória; é um signo que representa o movimento rápido da paisagem. A semiótica, portanto, não se contenta em dizer "há repetição"; ela pergunta: que efeito de sentido essa repetição produz? É essa pergunta que a alternativa B responde.

Análise das alternativas

1O que estuda
Signos materiais (forma)
Efeitos de significado (sentido)
2No poema
Repetição → ritmo do trem
Onomatopeia "Oô.." → apito
Verbos no imperativo → movimento
3O que NÃO é
Descrever aspectos isolados
Julgar norma culta
Categorizar escola literária
Análise semiótica
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Análise semiótica: O que estuda (Signos materiais (forma), Efeitos de significado (sentido)); No poema (Repetição → ritmo do trem, Onomatopeia "Oô.." → apito, Verbos no imperativo → movimento); O que NÃO é (Descrever aspectos isolados, Julgar norma culta, Categorizar escola literária)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A afirma que a análise deve "realçar o caráter descritivo do poema e a caracterização do trem e da paisagem rural por meio de aspectos sonoros... e visuais, por meio do emprego predominante de palavras de natureza adjetiva ao longo do texto".

Erro: contradiz o texto. O poema não tem "emprego predominante de palavras de natureza adjetiva". Pelo contrário, é marcado por substantivos ("café", "pão", "ponte", "poste", "pato", "boi", "galho") e verbos ("foge", "passa", "cantar"). Não há adjetivos no poema. Além disso, o texto não é predominantemente descritivo; é uma impressão rítmica e sonora, mais próxima da sugestão do que da descrição detalhada. A alternativa falha ao atribuir ao poema uma característica que ele não possui.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B afirma que a análise deve "demonstrar a interação entre os recursos expressivos dos signos materiais explorados no texto e seus efeitos de significado".

Correta. Esta é a definição mais precisa de análise semiótica. Os "signos materiais" são os elementos concretos do texto: as palavras, o ritmo, a repetição, a onomatopeia. Os "efeitos de significado" são as sensações e ideias que esses elementos produzem. No poema, a repetição de "Café com pão" e o "Oô.." são signos materiais que produzem o efeito de ritmo e movimento do trem. A alternativa captura exatamente essa relação, sem acrescentar nada que o texto não autorize.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que a análise deve "valorizar os aspectos estilísticos do poema, como o emprego dos versos brancos, em harmonia com as propostas da poesia modernista que se evidenciam no texto".

Erro: extrapola o texto. O poema não emprega versos brancos (versos sem rima). Pelo contrário, há rimas: "ponte"/"poste", "pato"/"boi", "galho"/"ingazeira". Além disso, a alternativa introduz uma informação externa ("propostas da poesia modernista") que, embora verdadeira sobre o movimento, não é algo que se "evidencie" diretamente no texto apresentado. A semiótica não se ocupa de "escolas literárias"; ela se ocupa dos signos e seus efeitos. A alternativa mistura análise estilística com análise semiótica e ainda erra sobre o texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que a análise deve "relevar desvios da norma culta, como o emprego de vírgula entre o verbo e o sujeito em 'Foge, bicho / Foge, povo'... e considerar o emprego estilístico de uma linguagem popular".

Erro: contradiz o texto e foge ao tema. Primeiro, não há "desvio da norma culta" em "Foge, bicho". A vírgula separa o verbo ("Foge") do vocativo ("bicho"), que é um chamamento, e não o sujeito. O sujeito de "foge" é oculto ("tu"). Portanto, a vírgula está correta segundo a norma culta. Segundo, a semiótica não se ocupa de "desvios da norma" nem de "linguagem popular" como categorias centrais; ela se ocupa dos signos e seus efeitos. A alternativa parte de um erro gramatical e ainda tangencia o foco da questão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que a análise deve "destacar a onomatopeia dos sons ritmados de um trem em movimento, percebida pelo emprego de palavras paroxítonas nos finais de todos os versos".

Erro: contradiz o texto. A onomatopeia "Oô.." existe, mas a afirmação de que há "palavras paroxítonas nos finais de todos os versos" é falsa. Vejamos os finais: "pão" (oxítona), "pão" (oxítona), "pão" (oxítona), "Oô.." (oxítona), "bicho" (paroxítona), "povo" (paroxítona), "ponte" (paroxítona), "poste" (paroxítona), "pato" (paroxítona), "boi" (oxítona), "boiada" (paroxítona), "galho" (paroxítona), "ingazeira" (paroxítona), "Debruçada" (paroxítona), "vontade" (paroxítona), "cantar" (oxítona). Há uma mistura de oxítonas e paroxítonas. A alternativa generaliza indevidamente e, ao fazê-lo, contradiz o texto.

Fechamento

A questão testa se o candidato compreende o que é uma análise semiótica: o estudo da relação entre os signos materiais e seus efeitos de sentido. A alternativa B é a única que captura essa relação de forma precisa e completa. As demais ou contradizem o texto (A, D, E), ou extrapolam com informações externas (C).

PEGA ESSA DICA!

Ao ver a palavra "semiótica", lembre-se: ela não pergunta "o que o texto diz?", mas "como os signos produzem sentido?". Procure a alternativa que fale em interação entre forma e significado.

Gabarito: letra B

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