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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce387222
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UFAC
Ano
2026
Cargo
Vest ( )
Desafio

    Muito se fala sobre como as inteligências artificiais (IAs) estão dominando tarefas humanas. Elas escrevem textos, criam imagens, atuam em diagnósticos médicos, e por aí vai. Elas também escrevem crônicas que podem, quem sabe, enganar qualquer leitor. Será mesmo? Hoje, lanço um desafio: você consegue diferenciar uma crônica minha, escrita a partir das inquietações e alegrias humanas, de uma criada por inteligência artificial? Apresento duas crônicas: uma é minha, outra da IA. Vamos ver até onde vai a diferença entre o humano e o sintético.

Crônica 1 – A última parada

    Acordou sem pressa. O dia prometia ser longo, como todos os outros, mas sem a mínima expectativa. Na janela, o Sol nascia sem entusiasmo, como quem cumpre uma tarefa sem sentido. A cidade parecia se arrastar, assim como ele, engolido pela rotina. Saiu de casa sem rumo. As ruas estavam cheias, mas ele mal via as pessoas ao seu redor. Ele não sabia o que procurava, mas também não acreditava que encontraria algo. Passou horas assim, até chegar à estação de trem. Não sabia para onde os trilhos o levariam. Só queria sentir o movimento, a ilusão de estar indo a algum lugar, mesmo que fosse para lugar nenhum. O trem partiu e ele se sentou na janela, observando o mundo passar. No fundo, sabia que não havia mais volta. E isso, de algum modo, parecia ser o único sentido.

Crônica 2 – O incêndio

    O incêndio começou enquanto ele assistia distraidamente a sua série favorita. Estava no último episódio da segunda temporada quando sentiu o cheiro de fumaça. Hesitou alguns instantes: estava diante da grande descoberta. Afinal de contas, será que Brian Miller era realmente um espião industrial? O grand finale fez com que Alceu demorasse a sair. Quando começou a tossir loucamente, percebeu que a situação era séria. Deixou sua série favorita para trás e saiu correndo do apartamento. Alceu estava em pânico e chegou a pensar no pior. Mas mal sabia ele que o pior ainda estava por vir: Brian Miller não somente era um espião, como também havia roubado os planos para a construção de uma arma química capaz de devastar a inteira Nova York.

Juliano Martinz. Desafio: você consegue diferenciar uma crônica minha de uma gerada por IA?
Internet: <https://corrosiva.com.br> (com adaptações).
A principal finalidade comunicativa do texto Desafio, de Juliano Martinz, é
  1. Apropor uma reflexão sobre o que distingue uma produção humana de uma artificial.
  2. Bcomprovar que uma produção feita por IA pode ser tão boa quanto uma produção humana.
  3. Cincentivar a produção humana de crônicas, antes que a IA domine totalmente essa atividade.
  4. Ddiscutir os avanços da IA no desenvolvimento de tarefas humanas.
  5. Eapresentar as possibilidades de produção textual oferecidas pela IA. Questão
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — propor uma reflexão sobre o que distingue uma produção humana de uma artificial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Finalidade comunicativa do texto "Desafio"

Gabarito: letra A. A principal finalidade do texto é propor uma reflexão sobre o que distingue uma produção humana de uma artificial. O autor lança um desafio ao leitor — diferenciar uma crônica sua de uma criada por IA — e, ao apresentar as duas crônicas, convida à comparação entre o "humano" e o "sintético", como se lê no trecho: "Vamos ver até onde vai a diferença entre o humano e o sintético".

O comando: o que a banca pede

A questão pergunta pela principal finalidade comunicativa do texto. Isso é diferente de perguntar "o que o texto afirma" (compreensão literal) ou "o que se pode inferir" (interpretação). Aqui, o foco está na intenção global do autor — para que ele escreveu este texto? A resposta mora na introdução e na conclusão do texto, onde o autor costuma revelar seu propósito. No primeiro parágrafo, ele apresenta o desafio; no último, reafirma a intenção de comparar o humano e o sintético.

O texto: tema, tese e movimento argumentativo

O texto "Desafio" tem como tema a comparação entre produções humanas e artificiais (IA). O autor, Juliano Martinz, não está apenas informando sobre IA; ele está provocando uma reflexão no leitor. Ele escreve: "você consegue diferenciar uma crônica minha, escrita a partir das inquietações e alegrias humanas, de uma criada por inteligência artificial?". Essa pergunta retórica não busca uma resposta objetiva, mas sim engajar o leitor em uma reflexão sobre as diferenças entre o que é humano e o que é sintético. As duas crônicas apresentadas servem como material para essa reflexão — o leitor é convidado a analisá-las e a pensar sobre as diferenças.

A técnica que decide: identificar a intenção global

A armadilha central desta questão é a extrapolação — o candidato pode se apegar a um detalhe do texto (como a menção a "tarefas humanas" ou "diagnósticos médicos") e escolher uma alternativa que trata de um aspecto periférico, em vez da finalidade principal. Para evitar isso, pergunte: qual é o propósito central do autor ao escrever este texto? Não é comprovar nada (ele não apresenta uma tese definitiva), não é incentivar a produção humana (ele não faz um apelo), não é discutir os avanços da IA em geral (ele foca na produção textual) e não é apresentar possibilidades de produção textual (ele apresenta duas crônicas como exemplo, mas o foco é a reflexão sobre a diferença). A finalidade é provocar uma reflexão sobre o que distingue o humano do artificial.

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Vamos ver até onde vai a diferença entre o humano e o sintético."

Esta é a tese central do texto. O autor não apenas informa sobre IA; ele convida o leitor a refletir sobre as diferenças entre uma produção humana e uma artificial. O desafio lançado ("você consegue diferenciar uma crônica minha... de uma criada por inteligência artificial?") é o meio para essa reflexão. A alternativa A captura exatamente essa intenção global.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não afirma que a produção por IA "pode ser tão boa quanto" a humana. O autor apenas lança o desafio de diferenciá-las, sem emitir juízo de valor sobre a qualidade. A palavra "comprovar" é decisiva: o texto não prova nada; ele propõe uma reflexão. A alternativa acrescenta uma informação que não está no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação (opinião embutida). O texto não incentiva a produção humana de crônicas nem sugere que a IA "domine totalmente" essa atividade. O autor não faz um apelo ou uma recomendação; ele apenas apresenta um desafio. A alternativa embute uma opinião ("antes que a IA domine") que não é externada pelo autor.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: tangenciar (fuga ao tema). O texto menciona que as IAs "atuam em diagnósticos médicos" e "dominam tarefas humanas", mas isso é apenas contexto introdutório. A finalidade principal não é discutir os avanços da IA em geral, mas sim a produção textual e a diferença entre humano e artificial. A alternativa trata de um assunto apenas remotamente correlato.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: restringir (limitar o alcance). O texto apresenta duas crônicas, mas a finalidade não é "apresentar as possibilidades de produção textual oferecidas pela IA". Isso seria uma descrição do que o texto faz em parte, mas não a finalidade principal. O autor não está catalogando possibilidades; ele está propondo uma reflexão. A alternativa restringe o alcance do texto a um aspecto secundário.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação — oferece alternativas que parecem plausíveis (como "discutir os avanços da IA") mas que se afastam da finalidade central. A correta é a única que captura a intenção global do autor, expressa na conclusão do texto.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de "finalidade comunicativa", leia a introdução e a conclusão do texto — é lá que o autor revela seu propósito. Desconfie de alternativas que tratam de detalhes periféricos.

Conclusão: a finalidade principal do texto é propor uma reflexão sobre o que distingue uma produção humana de uma artificial. As demais alternativas ou extrapolam, ou tangenciam, ou restringem o alcance do texto. Gabarito: letra A.

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