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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
ce387223
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
UFAC
Ano
2026
Cargo
Vest ( )
Desafio

    Muito se fala sobre como as inteligências artificiais (IAs) estão dominando tarefas humanas. Elas escrevem textos, criam imagens, atuam em diagnósticos médicos, e por aí vai. Elas também escrevem crônicas que podem, quem sabe, enganar qualquer leitor. Será mesmo? Hoje, lanço um desafio: você consegue diferenciar uma crônica minha, escrita a partir das inquietações e alegrias humanas, de uma criada por inteligência artificial? Apresento duas crônicas: uma é minha, outra da IA. Vamos ver até onde vai a diferença entre o humano e o sintético.

Crônica 1 – A última parada

    Acordou sem pressa. O dia prometia ser longo, como todos os outros, mas sem a mínima expectativa. Na janela, o Sol nascia sem entusiasmo, como quem cumpre uma tarefa sem sentido. A cidade parecia se arrastar, assim como ele, engolido pela rotina. Saiu de casa sem rumo. As ruas estavam cheias, mas ele mal via as pessoas ao seu redor. Ele não sabia o que procurava, mas também não acreditava que encontraria algo. Passou horas assim, até chegar à estação de trem. Não sabia para onde os trilhos o levariam. Só queria sentir o movimento, a ilusão de estar indo a algum lugar, mesmo que fosse para lugar nenhum. O trem partiu e ele se sentou na janela, observando o mundo passar. No fundo, sabia que não havia mais volta. E isso, de algum modo, parecia ser o único sentido.

Crônica 2 – O incêndio

    O incêndio começou enquanto ele assistia distraidamente a sua série favorita. Estava no último episódio da segunda temporada quando sentiu o cheiro de fumaça. Hesitou alguns instantes: estava diante da grande descoberta. Afinal de contas, será que Brian Miller era realmente um espião industrial? O grand finale fez com que Alceu demorasse a sair. Quando começou a tossir loucamente, percebeu que a situação era séria. Deixou sua série favorita para trás e saiu correndo do apartamento. Alceu estava em pânico e chegou a pensar no pior. Mas mal sabia ele que o pior ainda estava por vir: Brian Miller não somente era um espião, como também havia roubado os planos para a construção de uma arma química capaz de devastar a inteira Nova York.

Juliano Martinz. Desafio: você consegue diferenciar uma crônica minha de uma gerada por IA?
Internet: <https://corrosiva.com.br> (com adaptações).
No parágrafo introdutório do texto Desafio, a mudança de foco a partir do questionamento “Será mesmo?” é um recurso linguístico de
  1. Asíntese, pois retoma a afirmação inicial de forma objetiva.
  2. Bruptura temática, pois o assunto inicial é abandonado.
  3. Cprogressão temática, pois uma nova etapa do raciocínio é introduzida.
  4. Dcontraposição de fatos, pois a ideia inicial passa a ser negada.
  5. Econstrução da conclusão, pois permite reforçar a tese inicial.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — progressão temática, pois uma nova etapa do raciocínio é introduzida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Progressão temática no parágrafo introdutório

Gabarito: letra C. O questionamento “Será mesmo?” marca a progressão temática, pois introduz uma nova etapa do raciocínio: o autor passa de uma constatação genérica sobre as IAs para o desafio concreto de diferenciar crônica humana de crônica sintética. O texto não abandona o assunto (não há ruptura), nem nega a ideia inicial (não há contraposição) — ele avança dentro do mesmo tema, como se lê no trecho:

“Elas também escrevem crônicas que podem, quem sabe, enganar qualquer leitor. Será mesmo? Hoje, lanço um desafio: você consegue diferenciar uma crônica minha, escrita a partir das inquietações e alegrias humanas, de uma criada por inteligência artificial?”

A pergunta retórica funciona como articulador de progressão: ela problematiza a afirmação anterior e abre espaço para o desenvolvimento do desafio. As demais alternativas ou restringem o efeito (síntese), ou atribuem ao texto uma quebra que não existe (ruptura), ou uma negação que não ocorre (contraposição), ou uma conclusão prematura (construção da conclusão).

O comando: o que a banca pede

O enunciado pergunta qual recurso linguístico a mudança de foco a partir de “Será mesmo?” representa. Isso é uma questão de interpretação de texto com foco em coesão sequencial: como o autor organiza as ideias para dar continuidade ao raciocínio. Não se trata de gramática metalinguística (não se pergunta a classe da palavra), nem de inferência profunda — a resposta está na função discursiva da pergunta dentro do parágrafo.

O texto: o movimento argumentativo

O parágrafo introdutório tem três movimentos:

  1. Constatação: “Muito se fala sobre como as inteligências artificiais (IAs) estão dominando tarefas humanas.”

  2. Problematização: “Elas também escrevem crônicas que podem, quem sabe, enganar qualquer leitor. Será mesmo?”

  3. Desafio: “Hoje, lanço um desafio: você consegue diferenciar uma crônica minha [...] de uma criada por inteligência artificial?”

A pergunta “Será mesmo?” é o pivô entre o segundo e o terceiro movimento. Ela não encerra o assunto; ao contrário, instaura a dúvida que motiva o desafio. Sem ela, a passagem de “as IAs escrevem crônicas” para “lanço um desafio” seria abrupta. Com ela, o autor avança do plano geral (o que as IAs fazem) para o plano particular (o teste proposto).

A técnica: progressão × ruptura × contraposição

  • Progressão temática: o texto continua o mesmo tema, acrescentando informações novas e desenvolvendo o raciocínio. É o que ocorre aqui: o tema “IAs escrevem crônicas” evolui para “será que dá para diferenciar?” e, em seguida, para “vamos testar”.

  • Ruptura temática: o texto abandona o assunto e passa a outro, sem conexão. Não é o caso: o desafio está diretamente ligado à afirmação anterior.

  • Contraposição: o texto nega ou opõe uma ideia à outra. Aqui não há negação; há questionamento, que é diferente de negação. “Será mesmo?” não diz “não é verdade”; diz “será que é verdade?” — e essa dúvida impulsiona o texto, não o contradiz.

Análise das alternativas

  1. 1Constatação (IAs dominam tarefas)
  2. 2Problematização (Será mesmo?)
  3. 3Desafio (diferenciar crônicas)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Síntese seria retomar, de forma condensada, o que já foi dito. O trecho “Será mesmo?” não resume nada; ele abre uma nova etapa. A síntese ocorreria se o autor dissesse “em resumo, as IAs dominam tarefas humanas”. Aqui, a pergunta problematiza e avança, não sintetiza. Erro: troca de conceito (confunde progressão com síntese).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Ruptura temática implicaria abandono do assunto inicial. O texto, porém, mantém o tema das IAs e das crônicas: o desafio é exatamente sobre isso. Não há mudança de assunto; há aprofundamento do mesmo. Erro: contradiz o texto (o texto não abandona o tema; ele o desenvolve).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A pergunta “Será mesmo?” introduz uma nova etapa do raciocínio: a dúvida sobre a capacidade das IAs de enganar leitores. Essa dúvida é o gatilho para o desafio proposto em seguida. O texto progride do geral (IAs dominam tarefas) para o específico (teste de diferenciação), e a pergunta é o elo que liga essas etapas. Como se lê:

“Elas também escrevem crônicas que podem, quem sabe, enganar qualquer leitor. Será mesmo? Hoje, lanço um desafio...”

A pergunta não encerra o assunto; ela o impulsiona. Isso é a essência da progressão temática.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Contraposição de fatos exigiria que a ideia inicial fosse negada ou oposta. O texto não nega que as IAs escrevem crônicas; ele questiona se elas podem enganar. Questionar não é negar. Além disso, não há dois fatos em oposição; há uma afirmação e uma dúvida sobre ela. Erro: troca de conceito (confunde questionamento com negação).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Construção da conclusão seria um recurso para encerrar o raciocínio e reforçar a tese. O trecho “Será mesmo?” está no início do texto, não no final; ele abre o desenvolvimento, não o conclui. A conclusão viria depois do desafio, com a apresentação das crônicas. Erro: extrapolação (atribui ao trecho uma função que ele não exerce no texto).

Fechamento

A questão testa sua capacidade de distinguir os movimentos do texto: progressão (avanço), ruptura (abandono), contraposição (negação), síntese (resumo) e conclusão (fechamento). A pergunta “Será mesmo?” é um articulador de progressão, pois transforma uma afirmação em dúvida e, com isso, abre caminho para o desafio. Lembre-se: progressão temática é o texto que anda para frente sem sair do assunto.

Gabarito: letra C.

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