Função sintática de “de significado” no primeiro período
Gabarito: ERRADO. O segmento “de significado” não exerce função de complemento nominal do termo “universo”; ele é adjunto adnominal, pois “universo” é um substantivo concreto e o termo preposicionado tem valor ativo (o universo é que é impregnado de significado). A banca explora a confusão clássica entre complemento nominal e adjunto adnominal, mas a análise sintática correta, ancorada no texto, desfaz a armadilha.
O comando
A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação de natureza sintática: identificar a função do termo “de significado” no primeiro período. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática — precisamos verificar se o termo completa o sentido de um nome (complemento nominal) ou se apenas caracteriza esse nome (adjunto adnominal).
O texto e o trecho em análise
O primeiro período do texto é:
“De acordo com o humanismo, as experiências ocorrem dentro de nós e devemos encontrar em nosso interior o sentido de tudo o que acontece, impregnando desse modo o universo de significado.”
O trecho relevante é “impregnando desse modo o universo de significado”. Aqui, o verbo “impregnar” é transitivo direto e indireto: quem impregna, impregna algo (o universo — objeto direto) de alguma coisa (de significado — objeto indireto). Portanto, “de significado” completa o verbo, não o nome “universo”.
A regra que decide: complemento nominal × adjunto adnominal
O complemento nominal é o termo preposicionado que completa o sentido de um substantivo abstrato, de um adjetivo ou de um advérbio, sempre com valor passivo (recebe a ação). Já o adjunto adnominal é o termo que caracteriza um substantivo (concreto ou abstrato), podendo ter valor ativo (pratica a ação) e não é exigido pelo nome.
No trecho, “universo” é um substantivo concreto (não abstrato), e “de significado” tem valor ativo: o universo é o agente que recebe o significado? Não — na verdade, o universo é o paciente da ação de impregnar, mas o termo “de significado” indica o que impregna, ou seja, tem valor ativo em relação ao nome. Além disso, “de significado” não é exigido pelo nome “universo”; ele é uma locução adjetiva que equivale a “significativo”.
Veja a comparação:
Critério | Complemento nominal | Adjunto adnominal |
|---|
Nome a que se liga | Substantivo abstrato, adjetivo, advérbio | Substantivo (concreto ou abstrato) |
Valor semântico | Passivo (recebe a ação) | Ativo (pratica a ação) |
Exigência | Exigido pelo nome | Não exigido, apenas caracteriza |
Exemplo | “orgulho da filha” | “universo de significado” |
No caso, “de significado” poderia ser substituído por “significativo”, o que confirma o valor de adjunto adnominal. Se fosse complemento nominal, a substituição por adjetivo não seria possível sem alterar o sentido.
Análise da assertiva
A assertiva afirma que “de significado” é complemento nominal de “universo”. Isso está errado por três razões:
“Universo” é substantivo concreto — complemento nominal só se liga a substantivos abstratos, adjetivos ou advérbios.
O termo tem valor ativo — “de significado” indica o que impregna, não o que é impregnado.
Sintaticamente, “de significado” completa o verbo “impregnar” (objeto indireto), não o nome “universo”.
Portanto, a afirmação contradiz a estrutura sintática do período.
Fechamento
A pegadinha da banca é tentar fazer o candidato confundir complemento nominal com adjunto adnominal em um contexto em que o termo preposicionado aparece após um substantivo. A dica de ouro: pergunte-se se o termo é exigido pelo nome e se tem valor passivo. Se o nome for concreto e o termo puder ser trocado por um adjetivo, é adjunto adnominal. Aqui, “de significado” = “significativo”, logo, adjunto adnominal.
Gabarito: ERRADO.