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Questão de Português — Termos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsTermos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva)
Código
ce387226
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCU
Ano
2026
Cargo
AUFC ( )

De acordo com o humanismo, as experiências ocorrem dentro de nós e devemos encontrar em nosso interior o sentido de tudo o que acontece, impregnando desse modo o universo de significado. Os dataístas acreditam que experiências não têm valor se não forem compartilhadas e que não precisamos — na verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior. Só precisamos gravar e conectar nossa experiência ao grande fluxo de dados, e os algoritmos vão descobrir seu significado e nos dizer o que fazer.


À pergunta “o que faz os humanos serem superiores aos outros animais?” o dataísmo apresenta uma resposta inédita e simples. Em si mesmas, as experiências humanas não são superiores às dos lobos ou elefantes. Cada bit de dados é tão bom num caso como no outro. Contudo, um humano pode escrever um poema sobre sua experiência e postá-lo online, enriquecendo com isso o sistema global de processamento de dados. Isso confere valor aos seus bits. Um lobo não é capaz de fazer isso. Daí que todas as experiências do lobo — por mais profundas e complexas que possam ser — resultam inúteis. Não é de admirar que nos ocupemos tanto em converter nossas experiências em dados. Não é uma questão de tendência ou moda. É uma questão de sobrevivência. Temos de provar a nós mesmos e ao sistema que ainda temos valor. E o valor reside não em ter tido experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados.


Yuval Noah Harari. Homo Deus: uma breve história do amanhã. Paulo Geiger (Trad.).

1.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 389 (com adaptações).

Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item a seguir.   Pela organização das ideias expressas no primeiro período do texto, entende-se que o segmento “de significado” exerce a função sintática de complemento do termo nominal “universo”.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática de “de significado” no primeiro período

Gabarito: ERRADO. O segmento “de significado” não exerce função de complemento nominal do termo “universo”; ele é adjunto adnominal, pois “universo” é um substantivo concreto e o termo preposicionado tem valor ativo (o universo é que é impregnado de significado). A banca explora a confusão clássica entre complemento nominal e adjunto adnominal, mas a análise sintática correta, ancorada no texto, desfaz a armadilha.

O comando

A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação de natureza sintática: identificar a função do termo “de significado” no primeiro período. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática — precisamos verificar se o termo completa o sentido de um nome (complemento nominal) ou se apenas caracteriza esse nome (adjunto adnominal).

O texto e o trecho em análise

O primeiro período do texto é:

“De acordo com o humanismo, as experiências ocorrem dentro de nós e devemos encontrar em nosso interior o sentido de tudo o que acontece, impregnando desse modo o universo de significado.”

O trecho relevante é “impregnando desse modo o universo de significado”. Aqui, o verbo “impregnar” é transitivo direto e indireto: quem impregna, impregna algo (o universo — objeto direto) de alguma coisa (de significado — objeto indireto). Portanto, “de significado” completa o verbo, não o nome “universo”.

A regra que decide: complemento nominal × adjunto adnominal

O complemento nominal é o termo preposicionado que completa o sentido de um substantivo abstrato, de um adjetivo ou de um advérbio, sempre com valor passivo (recebe a ação). Já o adjunto adnominal é o termo que caracteriza um substantivo (concreto ou abstrato), podendo ter valor ativo (pratica a ação) e não é exigido pelo nome.

No trecho, “universo” é um substantivo concreto (não abstrato), e “de significado” tem valor ativo: o universo é o agente que recebe o significado? Não — na verdade, o universo é o paciente da ação de impregnar, mas o termo “de significado” indica o que impregna, ou seja, tem valor ativo em relação ao nome. Além disso, “de significado” não é exigido pelo nome “universo”; ele é uma locução adjetiva que equivale a “significativo”.

Veja a comparação:

Critério

Complemento nominal

Adjunto adnominal

Nome a que se liga

Substantivo abstrato, adjetivo, advérbio

Substantivo (concreto ou abstrato)

Valor semântico

Passivo (recebe a ação)

Ativo (pratica a ação)

Exigência

Exigido pelo nome

Não exigido, apenas caracteriza

Exemplo

“orgulho da filha

“universo de significado

No caso, “de significado” poderia ser substituído por “significativo”, o que confirma o valor de adjunto adnominal. Se fosse complemento nominal, a substituição por adjetivo não seria possível sem alterar o sentido.

Análise da assertiva

A assertiva afirma que “de significado” é complemento nominal de “universo”. Isso está errado por três razões:

  1. “Universo” é substantivo concreto — complemento nominal só se liga a substantivos abstratos, adjetivos ou advérbios.

  2. O termo tem valor ativo — “de significado” indica o que impregna, não o que é impregnado.

  3. Sintaticamente, “de significado” completa o verbo “impregnar” (objeto indireto), não o nome “universo”.

Portanto, a afirmação contradiz a estrutura sintática do período.

Fechamento

A pegadinha da banca é tentar fazer o candidato confundir complemento nominal com adjunto adnominal em um contexto em que o termo preposicionado aparece após um substantivo. A dica de ouro: pergunte-se se o termo é exigido pelo nome e se tem valor passivo. Se o nome for concreto e o termo puder ser trocado por um adjetivo, é adjunto adnominal. Aqui, “de significado” = “significativo”, logo, adjunto adnominal.

Gabarito: ERRADO.

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