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Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
ce387228
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCU
Ano
2026
Cargo
AUFC ( )

De acordo com o humanismo, as experiências ocorrem dentro de nós e devemos encontrar em nosso interior o sentido de tudo o que acontece, impregnando desse modo o universo de significado. Os dataístas acreditam que experiências não têm valor se não forem compartilhadas e que não precisamos — na verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior. Só precisamos gravar e conectar nossa experiência ao grande fluxo de dados, e os algoritmos vão descobrir seu significado e nos dizer o que fazer.


À pergunta “o que faz os humanos serem superiores aos outros animais?” o dataísmo apresenta uma resposta inédita e simples. Em si mesmas, as experiências humanas não são superiores às dos lobos ou elefantes. Cada bit de dados é tão bom num caso como no outro. Contudo, um humano pode escrever um poema sobre sua experiência e postá-lo online, enriquecendo com isso o sistema global de processamento de dados. Isso confere valor aos seus bits. Um lobo não é capaz de fazer isso. Daí que todas as experiências do lobo — por mais profundas e complexas que possam ser — resultam inúteis. Não é de admirar que nos ocupemos tanto em converter nossas experiências em dados. Não é uma questão de tendência ou moda. É uma questão de sobrevivência. Temos de provar a nós mesmos e ao sistema que ainda temos valor. E o valor reside não em ter tido experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados.


Yuval Noah Harari. Homo Deus: uma breve história do amanhã. Paulo Geiger (Trad.).

1.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 389 (com adaptações).

Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item a seguir.   No início do segundo parágrafo, o emprego da preposição em “À pergunta” justifica-se por sua função de complemento dos termos adjetivos “inédita e simples”.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Regência nominal: quem rege a preposição em “À pergunta”?

Gabarito: ERRADO. A preposição “a” em “À pergunta” não é complemento dos adjetivos “inédita e simples”; ao contrário, são os adjetivos que regem a preposição, e o termo “pergunta” é o complemento nominal deles. A relação de regência está invertida na assertiva: o termo regente é o adjetivo, e o regido é o substantivo “pergunta”.

Vamos entender o comando. A questão pede que você julgue uma afirmação sobre aspectos linguísticos do texto — especificamente sobre a função sintática da preposição em “À pergunta”. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar ideias, mas de analisar a estrutura sintática. O verbo do enunciado é “julgar”, e a afirmação é sobre regência. Portanto, você precisa dominar o conceito de regência nominal e saber identificar termo regente e termo regido.

No trecho do texto, temos:

“À pergunta ‘o que faz os humanos serem superiores aos outros animais?’ o dataísmo apresenta uma resposta inédita e simples.”

Aqui, a expressão “À pergunta” é um complemento nominal dos adjetivos “inédita e simples”. Isso porque os adjetivos “inédito” e “simples”, no contexto, regem a preposição “a”: algo é inédito a algo, simples a algo. Ou seja, a resposta é inédita e simples em relação à pergunta. A preposição “a” é exigida pelo adjetivo, não o contrário.

A regra é clara: na regência nominal, o nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) é o termo regente, e o complemento introduzido pela preposição é o termo regido. No caso, os adjetivos “inédita e simples” são os regentes; “pergunta” é o regido (complemento nominal). A assertiva inverte essa relação ao dizer que a preposição é “complemento dos termos adjetivos”. Isso é um erro conceitual.

Vamos analisar a alternativa:

1Termo regente
Nome (adjetivo, substantivo, advérbio)
Exige a preposição
2Termo regido
Complemento nominal
Introduzido pela preposição
3No caso
Regente: "inédita e simples"
Regido: "pergunta"
Preposição "a": elo, não complemento
Regência nominal
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Regência nominal: Termo regente (Nome (adjetivo, substantivo, advérbio), Exige a preposição); Termo regido (Complemento nominal, Introduzido pela preposição); No caso (Regente: "inédita e simples", Regido: "pergunta", Preposição "a": elo, não complemento)

Alternativa E — ❌ Errada ⟵ GABARITO

A afirmação está errada porque inverte a relação de regência. A preposição “a” em “À pergunta” não é complemento dos adjetivos; ela é o instrumento que liga o complemento nominal (“pergunta”) ao termo regente (“inédita e simples”). Em outras palavras, os adjetivos é que regem a preposição, e “pergunta” é o complemento. A banca trocou o termo regente pelo regido — uma pegadinha clássica de troca de conceito.

PEGA ESSA DICA!

Na regência nominal, pergunte: “quem rege a preposição?”. O nome (adjetivo, substantivo, advérbio) é o regente; o termo preposicionado é o regido. Se a assertiva disser que a preposição é complemento de um nome, desconfie: a preposição é o elo, não o complemento.

Conclusão: A assertiva está errada porque a preposição “a” não é complemento dos adjetivos; ela é exigida por eles. O complemento é “pergunta”. Portanto, gabarito: ERRADO.

Gabarito: letra E (Errado).

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