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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce387232
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCU
Ano
2026
Cargo
AUFC ( )

De acordo com o humanismo, as experiências ocorrem dentro de nós e devemos encontrar em nosso interior o sentido de tudo o que acontece, impregnando desse modo o universo de significado. Os dataístas acreditam que experiências não têm valor se não forem compartilhadas e que não precisamos — na verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior. Só precisamos gravar e conectar nossa experiência ao grande fluxo de dados, e os algoritmos vão descobrir seu significado e nos dizer o que fazer.


À pergunta “o que faz os humanos serem superiores aos outros animais?” o dataísmo apresenta uma resposta inédita e simples. Em si mesmas, as experiências humanas não são superiores às dos lobos ou elefantes. Cada bit de dados é tão bom num caso como no outro. Contudo, um humano pode escrever um poema sobre sua experiência e postá-lo online, enriquecendo com isso o sistema global de processamento de dados. Isso confere valor aos seus bits. Um lobo não é capaz de fazer isso. Daí que todas as experiências do lobo — por mais profundas e complexas que possam ser — resultam inúteis. Não é de admirar que nos ocupemos tanto em converter nossas experiências em dados. Não é uma questão de tendência ou moda. É uma questão de sobrevivência. Temos de provar a nós mesmos e ao sistema que ainda temos valor. E o valor reside não em ter tido experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados.


Yuval Noah Harari. Homo Deus: uma breve história do amanhã. Paulo Geiger (Trad.).

1.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 389 (com adaptações).

Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item a seguir.   Deduz-se da leitura do texto que a complexidade e a profundidade das experiências humanas ou de outro animal são indiferentes no dataísmo.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Inferência sobre a irrelevância da complexidade das experiências no dataísmo

Gabarito: C (CERTO). Deduz-se corretamente do texto que, para o dataísmo, a complexidade e a profundidade das experiências — humanas ou de outros animais — são indiferentes, pois o que confere valor é a conversão da experiência em dados compartilhados, não a qualidade intrínseca da vivência. Essa conclusão está ancorada na passagem em que o autor afirma que "todas as experiências do lobo — por mais profundas e complexas que possam ser — resultam inúteis" e que "o valor reside não em ter tido experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados".

O comando: inferência, não recorrência

O enunciado pede que se deduza uma ideia do texto — ou seja, trata-se de uma questão de inferência, não de mera localização de informação explícita. A resposta não está escrita palavra por palavra, mas é uma conclusão obrigatória a partir das pistas deixadas pelo autor. Para resolver, você deve identificar o que o texto pressupõe e o que ele implica, sem acrescentar nada de fora.

O texto: a tese do dataísmo sobre o valor das experiências

O texto contrapõe o humanismo (que valoriza a experiência interior) ao dataísmo (que só valoriza a experiência quando convertida em dados compartilhados). A tese central do dataísmo é que o valor não está na experiência em si, mas no seu processamento como dado. Isso fica explícito no trecho:

"Em si mesmas, as experiências humanas não são superiores às dos lobos ou elefantes. Cada bit de dados é tão bom num caso como no outro."

Aqui, o autor já estabelece que a qualidade intrínseca da experiência (sua profundidade, complexidade) não importa: o que importa é o bit de dados. A seguir, ele reforça com o exemplo do lobo:

"Um lobo não é capaz de fazer isso. Daí que todas as experiências do lobo — por mais profundas e complexas que possam ser — resultam inúteis."

A expressão "por mais profundas e complexas que possam ser" é a pista decisiva: mesmo que a experiência do lobo seja profunda e complexa, ela é inútil no dataísmo. Ou seja, complexidade e profundidade são irrelevantes — exatamente o que o item afirma.

A técnica: inferência legítima a partir de pressupostos

A inferência aqui é legítima porque se apoia em pressupostos marcados linguisticamente. O trecho "por mais profundas e complexas que possam ser" pressupõe que as experiências do lobo podem ser profundas e complexas — mas, mesmo assim, são inúteis. Isso implica que, no dataísmo, essas qualidades não têm valor. O item apenas parafraseia essa implicação, sem extrapolar.

Se a banca tivesse dito "o texto afirma que as experiências humanas são superiores", aí sim seria erro, pois o texto diz o contrário. Mas o item é cuidadoso ao usar "deduz-se", convidando à inferência correta.

Análise do item

Item — ✅ CERTO

A afirmação "a complexidade e a profundidade das experiências humanas ou de outro animal são indiferentes no dataísmo" é uma inferência válida a partir do texto. Veja a cadeia lógica:

  1. O texto diz que "cada bit de dados é tão bom num caso como no outro" — ou seja, a qualidade da experiência não diferencia os bits.

  2. O texto diz que as experiências do lobo, "por mais profundas e complexas que possam ser", são inúteis — ou seja, profundidade e complexidade não salvam a experiência.

  3. Logo, no dataísmo, o que importa é apenas a conversão em dados, não a natureza da experiência.

Portanto, o item está correto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca poderia tentar fazer você acreditar que "complexidade e profundidade" são valorizadas no texto, mas o próprio texto as descarta com a expressão "por mais profundas e complexas que possam ser". Fique atento a expressões concessivas como "por mais que", que indicam irrelevância.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, procure a pista linguística que autoriza a dedução. Aqui, a pista é a estrutura "por mais X que seja, Y" — ela sempre indica que X não impede Y.

Conclusão: o item está CERTO, pois o texto sustenta que a complexidade e a profundidade das experiências são irrelevantes no dataísmo — o que vale é transformá-las em dados. Gabarito: C.

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