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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce387233
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCU
Ano
2026
Cargo
AUFC ( )

De acordo com o humanismo, as experiências ocorrem dentro de nós e devemos encontrar em nosso interior o sentido de tudo o que acontece, impregnando desse modo o universo de significado. Os dataístas acreditam que experiências não têm valor se não forem compartilhadas e que não precisamos — na verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior. Só precisamos gravar e conectar nossa experiência ao grande fluxo de dados, e os algoritmos vão descobrir seu significado e nos dizer o que fazer.


À pergunta “o que faz os humanos serem superiores aos outros animais?” o dataísmo apresenta uma resposta inédita e simples. Em si mesmas, as experiências humanas não são superiores às dos lobos ou elefantes. Cada bit de dados é tão bom num caso como no outro. Contudo, um humano pode escrever um poema sobre sua experiência e postá-lo online, enriquecendo com isso o sistema global de processamento de dados. Isso confere valor aos seus bits. Um lobo não é capaz de fazer isso. Daí que todas as experiências do lobo — por mais profundas e complexas que possam ser — resultam inúteis. Não é de admirar que nos ocupemos tanto em converter nossas experiências em dados. Não é uma questão de tendência ou moda. É uma questão de sobrevivência. Temos de provar a nós mesmos e ao sistema que ainda temos valor. E o valor reside não em ter tido experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados.


Yuval Noah Harari. Homo Deus: uma breve história do amanhã. Paulo Geiger (Trad.).

1.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 389 (com adaptações).

Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item a seguir.   Depreende-se do modo como o autor se posiciona no texto que ele é um crítico do humanismo.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Depreensão da posição do autor: crítico do humanismo?

Gabarito: Errado. O texto não permite depreender que o autor seja um crítico do humanismo. Ele apenas expõe o que pensam os dataístas, contrapondo essa visão à do humanismo, mas sem emitir juízo de valor ou tomar partido. A passagem que sustenta isso é a que apresenta o contraste entre as duas correntes de forma impessoal:

"Os dataístas acreditam que experiências não têm valor se não forem compartilhadas e que não precisamos — na verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior."

O verbo "acreditam" indica que se trata da crença de um grupo, não da opinião do autor. Em nenhum momento o texto diz que o humanismo está errado ou que o dataísmo é superior; ele apenas descreve as duas visões.

O comando: "depreende-se" pede inferência com pista

A palavra "depreende-se" no enunciado sinaliza que a questão exige uma inferência — ou seja, uma conclusão que o leitor tira a partir de pistas deixadas no texto. Não basta localizar uma informação explícita; é preciso que o texto obrigue a essa conclusão. No caso, a conclusão proposta ("o autor é crítico do humanismo") não encontra nenhuma pista que a sustente. O autor se mantém neutro, apresentando as ideias do humanismo e do dataísmo como objetos de análise, não como posições que ele defende ou ataca.

O texto: exposição objetiva, não opinião

O texto tem natureza dissertativo-expositiva: apresenta duas correntes de pensamento — o humanismo e o dataísmo — e explica como cada uma encara as experiências humanas. Observe que o autor usa verbos como "acreditam" e "apresenta" para se referir às ideias dos dataístas, e não verbos como "concordo" ou "discordo". Ele também faz uma pergunta retórica — "o que faz os humanos serem superiores aos outros animais?" — e responde com a visão dataísta, mas sem endossá-la. A única avaliação que aparece é "Não é de admirar que nos ocupemos tanto em converter nossas experiências em dados", mas isso é uma constatação irônica sobre o comportamento humano, não uma crítica ao humanismo.

A técnica: distinguir exposição de opinião

Para resolver questões como esta, é fundamental separar o que o autor diz do que ele pensa. Quando o texto apresenta uma ideia atribuindo-a a um grupo ("os dataístas acreditam"), isso é discurso relatado, não posição autoral. O autor pode até simpatizar com uma das correntes, mas, se não há marcas linguísticas de avaliação (adjetivos como "lamentável", advérbios como "infelizmente", verbos como "concordo"), não podemos inferir que ele é crítico. No texto, o autor usa a expressão "Não é de admirar" — que poderia sugerir uma opinião — mas ela se refere ao fato de as pessoas converterem experiências em dados, não ao humanismo. Portanto, a inferência de que ele critica o humanismo é uma extrapolação: o texto não autoriza essa conclusão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmativa de que o autor é crítico do humanismo não encontra respaldo no texto. O autor expõe a visão humanista ("as experiências ocorrem dentro de nós e devemos encontrar em nosso interior o sentido de tudo o que acontece") e a contrapõe à dataísta, mas não emite juízo de valor. Não há adjetivos depreciativos, nem verbos que indiquem rejeição. A palavra "crítico" implica uma avaliação negativa, e o texto não a contém. Portanto, a alternativa extrapola o conteúdo textual, acrescentando uma opinião que o autor não externou.

Alternativa E — ✅ Correta

A afirmativa de que o autor não é crítico do humanismo é a correta. O texto se limita a descrever as duas correntes, usando o discurso indireto para apresentar as crenças dos dataístas ("Os dataístas acreditam...") e a visão humanista ("De acordo com o humanismo..."). O autor não toma partido; ele apenas explica como cada corrente entende as experiências. A passagem "Não é de admirar que nos ocupemos tanto em converter nossas experiências em dados" é uma observação sobre o comportamento humano, não uma crítica ao humanismo. Portanto, a inferência de que o autor é crítico do humanismo é infundada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você confundir a exposição das ideias do dataísmo com uma adesão do autor a elas. O verbo "acreditam" é a pista: ele marca a opinião de um grupo, não a do autor.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, pergunte-se: "O texto obriga a essa conclusão ou apenas permite que eu a imagine?" Se houver qualquer outra explicação plausível, a inferência é inválida.

Conclusão: O autor mantém uma postura neutra e expositiva diante das duas correntes. A afirmação de que ele é crítico do humanismo é uma extrapolação sem base textual. Portanto, o item está errado.

Gabarito: Errado

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