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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce387236
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCU
Ano
2026
Cargo
AUFC ( )

De acordo com o humanismo, as experiências ocorrem dentro de nós e devemos encontrar em nosso interior o sentido de tudo o que acontece, impregnando desse modo o universo de significado. Os dataístas acreditam que experiências não têm valor se não forem compartilhadas e que não precisamos — na verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior. Só precisamos gravar e conectar nossa experiência ao grande fluxo de dados, e os algoritmos vão descobrir seu significado e nos dizer o que fazer.


À pergunta “o que faz os humanos serem superiores aos outros animais?” o dataísmo apresenta uma resposta inédita e simples. Em si mesmas, as experiências humanas não são superiores às dos lobos ou elefantes. Cada bit de dados é tão bom num caso como no outro. Contudo, um humano pode escrever um poema sobre sua experiência e postá-lo online, enriquecendo com isso o sistema global de processamento de dados. Isso confere valor aos seus bits. Um lobo não é capaz de fazer isso. Daí que todas as experiências do lobo — por mais profundas e complexas que possam ser — resultam inúteis. Não é de admirar que nos ocupemos tanto em converter nossas experiências em dados. Não é uma questão de tendência ou moda. É uma questão de sobrevivência. Temos de provar a nós mesmos e ao sistema que ainda temos valor. E o valor reside não em ter tido experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados.


Yuval Noah Harari. Homo Deus: uma breve história do amanhã. Paulo Geiger (Trad.).

1.ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 389 (com adaptações).

Em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item a seguir.   Da leitura do texto, em que predomina a tipologia dissertativo-expositiva, entende-se que os dataístas atribuem ao fluxo de informações um valor supremo, sendo os dados a fonte definitiva de verdade e compreensão do mundo.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dataísmo e o valor supremo dos dados

Gabarito: C (CERTO). A afirmação do item é uma inferência legítima — não está escrita palavra por palavra, mas é obrigatoriamente deduzida das passagens em que o texto diz que os dataístas acreditam que "não precisamos — na verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior" e que "os algoritmos vão descobrir seu significado e nos dizer o que fazer". Se o significado não está no interior e quem o descobre é o algoritmo, então os dados (o fluxo de informações) são a fonte definitiva de verdade e compreensão — exatamente o que o item afirma. A tipologia dissertativo-expositiva também está correta: o texto expõe a doutrina dataísta com neutralidade, sem defender ou atacar.

O comando: o que ele pede e o que isso muda

O enunciado pede para julgar (Certo/Errado) uma afirmação que começa com "Da leitura do texto... entende-se que". Esse verbo — entende-se — sinaliza que a banca quer uma interpretação/inferência, não uma mera localização de frase idêntica. Isso significa que a resposta não precisa estar literal, mas precisa ser uma dedução ancorada em pistas do texto. Se a afirmação puder ser provada por passagens (mesmo que indiretas), está CERTA; se exigir acrescentar informação de fora, estaria ERRADA.

O texto: tema, tese e o movimento argumentativo

O texto contrapõe duas visões: o humanismo (as experiências têm sentido dentro de nós) e o dataísmo (as experiências só têm valor se compartilhadas e conectadas ao fluxo de dados). A tese dataísta é apresentada de forma expositiva — o autor explica o que os dataístas acreditam, sem tomar partido. O ponto central está no primeiro parágrafo:

"Os dataístas acreditam que experiências não têm valor se não forem compartilhadas e que não precisamos — na verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior. Só precisamos gravar e conectar nossa experiência ao grande fluxo de dados, e os algoritmos vão descobrir seu significado e nos dizer o que fazer."

Aqui está a chave: se o significado não está no interior e quem o descobre é o algoritmo (processando os dados), então a verdade e a compreensão do mundo vêm dos dados, não do sujeito. O segundo parágrafo reforça: "o valor reside não em ter tido experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados." Ou seja, o que dá valor é transformar a experiência em dado — os dados são o critério último.

A técnica que decide: inferência com pista vs. extrapolação

A afirmação do item diz que os dataístas atribuem aos dados "valor supremo" e os consideram "fonte definitiva de verdade e compreensão do mundo". Nenhuma dessas expressões aparece literalmente, mas todas são consequências necessárias do que está escrito:

  • "Valor supremo" → o texto diz que o valor "reside... em fazer delas um fluxo livre de dados" — ou seja, os dados são o que dá valor a tudo.

  • "Fonte definitiva de verdade" → o texto diz que "os algoritmos vão descobrir seu significado" — o significado (a verdade sobre a experiência) vem do processamento dos dados.

  • "Compreensão do mundo" → o texto diz que os algoritmos "nos dizer o que fazer" — eles nos orientam sobre o mundo.

Isso é inferência legítima: a conclusão é forçada pelas premissas. Não é extrapolação, porque não acrescenta nada de fora — apenas explicita o que o texto já implica. A banca não armou pegadinha aqui; a afirmação é uma paráfrase interpretativa fiel.

A tipologia: dissertativo-expositivo

O item também afirma que predomina a tipologia dissertativo-expositiva. Isso está correto: o texto expõe a doutrina dataísta (e a humanista) de forma impessoal e neutra, sem defender uma tese nem tentar convencer o leitor. Veja o tom: "Os dataístas acreditam que...", "À pergunta... o dataísmo apresenta uma resposta inédita e simples". O autor informa o que os dataístas pensam, não argumenta a favor ou contra. Isso é típico do texto expositivo: apresentar conceitos e explicações com imparcialidade.

Análise do item

Item — ✅ CERTO

A afirmação é inteiramente sustentada pelo texto. Vejamos cada parte:

  • "os dataístas atribuem ao fluxo de informações um valor supremo" → o texto: "o valor reside não em ter tido experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados". O valor está nos dados, logo eles têm valor supremo.

  • "sendo os dados a fonte definitiva de verdade e compreensão do mundo" → o texto: "os algoritmos vão descobrir seu significado e nos dizer o que fazer". O significado (verdade) e a orientação (compreensão do que fazer) vêm do processamento dos dados.

  • "predomina a tipologia dissertativo-expositiva" → o texto expõe a doutrina dataísta com neutralidade, sem argumentar a favor ou contra.

Não há nenhum fragmento que contradiga a afirmação. Pelo contrário, as passagens citadas obrigam à conclusão do item. Portanto, CERTO.

Fechamento

A regra de ouro: em questões de Certo/Errado com "entende-se", teste se a afirmação é uma inferência com pista (pode ser provada por passagens) ou uma extrapolação (exige acrescentar algo de fora). Aqui, a pista está no primeiro parágrafo — "os algoritmos vão descobrir seu significado" — e no segundo — "o valor reside... em fazer delas um fluxo livre de dados". A afirmação apenas explicita o que o texto já diz. Gabarito: C (CERTO).

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