Dataísmo e o valor supremo dos dados
Gabarito: C (CERTO). A afirmação do item é uma inferência legítima — não está escrita palavra por palavra, mas é obrigatoriamente deduzida das passagens em que o texto diz que os dataístas acreditam que "não precisamos — na verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior" e que "os algoritmos vão descobrir seu significado e nos dizer o que fazer". Se o significado não está no interior e quem o descobre é o algoritmo, então os dados (o fluxo de informações) são a fonte definitiva de verdade e compreensão — exatamente o que o item afirma. A tipologia dissertativo-expositiva também está correta: o texto expõe a doutrina dataísta com neutralidade, sem defender ou atacar.
O comando: o que ele pede e o que isso muda
O enunciado pede para julgar (Certo/Errado) uma afirmação que começa com "Da leitura do texto... entende-se que". Esse verbo — entende-se — sinaliza que a banca quer uma interpretação/inferência, não uma mera localização de frase idêntica. Isso significa que a resposta não precisa estar literal, mas precisa ser uma dedução ancorada em pistas do texto. Se a afirmação puder ser provada por passagens (mesmo que indiretas), está CERTA; se exigir acrescentar informação de fora, estaria ERRADA.
O texto: tema, tese e o movimento argumentativo
O texto contrapõe duas visões: o humanismo (as experiências têm sentido dentro de nós) e o dataísmo (as experiências só têm valor se compartilhadas e conectadas ao fluxo de dados). A tese dataísta é apresentada de forma expositiva — o autor explica o que os dataístas acreditam, sem tomar partido. O ponto central está no primeiro parágrafo:
"Os dataístas acreditam que experiências não têm valor se não forem compartilhadas e que não precisamos — na verdade não podemos — encontrar significado em nosso interior. Só precisamos gravar e conectar nossa experiência ao grande fluxo de dados, e os algoritmos vão descobrir seu significado e nos dizer o que fazer."
Aqui está a chave: se o significado não está no interior e quem o descobre é o algoritmo (processando os dados), então a verdade e a compreensão do mundo vêm dos dados, não do sujeito. O segundo parágrafo reforça: "o valor reside não em ter tido experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados." Ou seja, o que dá valor é transformar a experiência em dado — os dados são o critério último.
A técnica que decide: inferência com pista vs. extrapolação
A afirmação do item diz que os dataístas atribuem aos dados "valor supremo" e os consideram "fonte definitiva de verdade e compreensão do mundo". Nenhuma dessas expressões aparece literalmente, mas todas são consequências necessárias do que está escrito:
"Valor supremo" → o texto diz que o valor "reside... em fazer delas um fluxo livre de dados" — ou seja, os dados são o que dá valor a tudo.
"Fonte definitiva de verdade" → o texto diz que "os algoritmos vão descobrir seu significado" — o significado (a verdade sobre a experiência) vem do processamento dos dados.
"Compreensão do mundo" → o texto diz que os algoritmos "nos dizer o que fazer" — eles nos orientam sobre o mundo.
Isso é inferência legítima: a conclusão é forçada pelas premissas. Não é extrapolação, porque não acrescenta nada de fora — apenas explicita o que o texto já implica. A banca não armou pegadinha aqui; a afirmação é uma paráfrase interpretativa fiel.
A tipologia: dissertativo-expositivo
O item também afirma que predomina a tipologia dissertativo-expositiva. Isso está correto: o texto expõe a doutrina dataísta (e a humanista) de forma impessoal e neutra, sem defender uma tese nem tentar convencer o leitor. Veja o tom: "Os dataístas acreditam que...", "À pergunta... o dataísmo apresenta uma resposta inédita e simples". O autor informa o que os dataístas pensam, não argumenta a favor ou contra. Isso é típico do texto expositivo: apresentar conceitos e explicações com imparcialidade.
Análise do item
Item — ✅ CERTO
A afirmação é inteiramente sustentada pelo texto. Vejamos cada parte:
"os dataístas atribuem ao fluxo de informações um valor supremo" → o texto: "o valor reside não em ter tido experiências, e sim em fazer delas um fluxo livre de dados". O valor está nos dados, logo eles têm valor supremo.
"sendo os dados a fonte definitiva de verdade e compreensão do mundo" → o texto: "os algoritmos vão descobrir seu significado e nos dizer o que fazer". O significado (verdade) e a orientação (compreensão do que fazer) vêm do processamento dos dados.
"predomina a tipologia dissertativo-expositiva" → o texto expõe a doutrina dataísta com neutralidade, sem argumentar a favor ou contra.
Não há nenhum fragmento que contradiga a afirmação. Pelo contrário, as passagens citadas obrigam à conclusão do item. Portanto, CERTO.
Fechamento
A regra de ouro: em questões de Certo/Errado com "entende-se", teste se a afirmação é uma inferência com pista (pode ser provada por passagens) ou uma extrapolação (exige acrescentar algo de fora). Aqui, a pista está no primeiro parágrafo — "os algoritmos vão descobrir seu significado" — e no segundo — "o valor reside... em fazer delas um fluxo livre de dados". A afirmação apenas explicita o que o texto já diz. Gabarito: C (CERTO).