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Questão de Português — Termos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsTermos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva)
Código
ce387237
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCU
Ano
2026
Cargo
AUFC ( )
        Suposta esta primeira verdade, certa e infalível; a segunda cousa que suponho com a mesma certeza é que a restituição do alheio sob pena da salvação não só obriga aos súditos e particulares, senão também aos cetros e às coroas. Cuidam, ou devem cuidar alguns príncipes que, assim como são superiores a todos, assim são senhores de tudo, e é engano. A lei da restituição é lei natural e lei divina. Enquanto lei natural, obriga aos reis, porque a natureza fez iguais a todos; e enquanto lei divina, também os obriga, porque Deus, que os fez maiores que os outros, é maior que eles. Esta verdade só tem contra si a prática e o uso. Mas por parte deste mesmo uso argumenta assim São Tomás, o qual é hoje o meu doutor, e nestas matérias o de maior autoridade: a rapina, ou roubo, é tomar o alheio violentamente contra vontade de seu dono: “os príncipes tomam muitas cousas a seus vassalos violentamente, e contra sua vontade; logo, parece que o roubo é lícito em alguns casos, porque se dissermos que os príncipes pecam nisto, todos eles, ou quase todos se condenariam”. Oh que terrível e temerosa consequência e quão digna de que a considerem profundamente os príncipes, e os que têm parte em suas resoluções e conselhos! Responde ao seu argumento o mesmo Doutor angélico (...). Respondo (diz S. Tomás) que, se os príncipes tiram dos súbditos o que segundo justiça lhes é devido para conservação do bem comum, ainda que o executem com violência, não é rapina ou roubo. Porém, se os príncipes tomarem por violência o que se lhes não deve, é rapina e latrocínio. Donde se segue que estão obrigados à restituição como os ladrões, e que pecam tanto mais gravemente que os mesmos ladrões, quanto mais perigoso e mais comum o dano com que ofendem a justiça pública, de que eles estão postos por defensores.

Padre António Vieira. Sermão do bom ladrão. Pregado na Igreja da Misericórdia de
Lisboa, no ano de 1655. Internet: <dominiopublico.com.br>  (com adaptações). 

Julgue o item a seguir, referentes a ideias e aspectos gramaticais do texto precedente.

 

No trecho “porque a natureza fez iguais a todos” (quarto período), o emprego da preposição que introduz o segmento “a todos” justifica-se pela regência do verbo fazer, empregado, na estrutura sintática em questão, com dois complementos: um direto e um indireto.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Regência do verbo "fazer" em "porque a natureza fez iguais a todos"

Gabarito: letra E (ERRADO). A preposição "a" em "a todos" não se justifica pela regência do verbo "fazer" com dois complementos (direto e indireto). Na estrutura "a natureza fez iguais a todos", o verbo "fazer" é transitivo direto — seu objeto direto é o pronome "iguais" (todos foram feitos iguais) — e "a todos" funciona como complemento nominal do adjetivo "iguais", não como objeto indireto. A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que "a todos" seria objeto indireto do verbo, mas a análise sintática correta mostra outra relação.

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento Certo/Errado sobre uma afirmação gramatical específica: que a preposição "a" em "a todos" seria exigida pela regência do verbo "fazer", que estaria empregado com dois complementos (um direto e um indireto). Trata-se de uma questão de análise sintática — precisamos identificar a função de cada termo na oração e a transitividade do verbo. Não é uma questão de interpretação de texto; é uma questão de gramática aplicada ao trecho.

A estrutura sintática do trecho

"porque a natureza fez iguais a todos"

Vamos decompor a oração:

  • Sujeito: "a natureza"

  • Verbo: "fez" (fazer)

  • Objeto direto: "iguais" — o que a natureza fez? Fez iguais. O pronome "iguais" (substantivado) é o complemento direto do verbo.

  • "a todos": termo preposicionado que se liga ao adjetivo "iguais", não ao verbo. Quem é igual, é igual a alguém. A preposição "a" é exigida pelo adjetivo "igual" (regência nominal), formando um complemento nominal.

O verbo "fazer", aqui, é transitivo direto (VTD): tem apenas um complemento, o objeto direto "iguais". Não há objeto indireto. A preposição "a" não é regida pelo verbo, mas pelo adjetivo "iguais".

A pegadinha da banca

A banca explora a confusão entre regência verbal e regência nominal. O candidato desatento pode pensar: "o verbo 'fazer' pede dois complementos?" — e aceitar a afirmação. Mas a análise correta mostra que "a todos" não complementa o verbo, e sim o adjetivo "iguais".

NÃO CAIA NESSA!

A banca sugere que "a todos" seria objeto indireto do verbo "fazer", mas o termo preposicionado na verdade complementa o adjetivo "iguais" (complemento nominal). A preposição "a" é exigida pela regência nominal, não pela verbal.

Análise da alternativa

1Verbo "fazer"
Transitivo direto
Objeto direto: "iguais"
2"a todos"
Complemento nominal
Regido pelo adjetivo "iguais"
Quem é igual, é igual a alguém
3Pegadinha
Não é objeto indireto
Não é regência verbal
"a natureza fez iguais a todos"
LEVELsoulevel.com.br
"a natureza fez iguais a todos": Verbo "fazer" (Transitivo direto, Objeto direto: "iguais"); "a todos" (Complemento nominal, Regido pelo adjetivo "iguais", Quem é igual, é igual a alguém); Pegadinha (Não é objeto indireto, Não é regência verbal)

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que o verbo "fazer" está empregado com dois complementos (direto e indireto) é falsa. O verbo "fazer" é transitivo direto, com objeto direto "iguais". O termo "a todos" é complemento nominal do adjetivo "iguais", não objeto indireto do verbo. A preposição "a" é exigida pela regência do adjetivo "igual" (quem é igual é igual a alguém), não pela regência do verbo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O item está errado porque a justificativa apresentada é incorreta. A preposição "a" em "a todos" não se deve à regência do verbo "fazer" com dois complementos. O verbo "fazer" tem apenas um complemento (objeto direto "iguais"), e "a todos" é complemento nominal do adjetivo "iguais", com preposição exigida pela regência nominal.

Conclusão

A questão cobra a distinção entre objeto indireto (complemento verbal preposicionado) e complemento nominal (complemento de nome preposicionado). A preposição "a" em "a todos" liga-se ao adjetivo "iguais", não ao verbo "fazer". Portanto, a afirmação está errada.

Gabarito: letra E

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