Questão de Português — Orações Subordinadas Adjetivas — CESPE / CEBRASPE 2026
- Código
- ce387239
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TCU
- Ano
- 2026
- Cargo
- AUFC ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoC — Certo
Gabarito: C — CERTO. A supressão das vírgulas que isolam a oração “que os fez maiores que os outros” prejudicaria a coerência das ideias que sustentam o texto, porque essa oração é explicativa — acrescenta uma característica que já é pressuposta pela fé católica (Deus é maior que os reis) — e, sem as vírgulas, passaria a ser restritiva, restringindo o sentido de “Deus” de forma incompatível com a tese do autor. Como se lê no trecho: “Deus, que os fez maiores que os outros, é maior que eles”.
O enunciado pede um julgamento Certo/Errado sobre um efeito de sentido: a retirada das vírgulas de uma oração adjetiva. Isso não é uma questão de mera pontuação decorativa — é uma questão de função sintática e semântica da vírgula: ela é o que distingue a oração adjetiva explicativa da restritiva. O comando exige que você perceba que a vírgula não é um enfeite; ela muda o sentido e, portanto, pode afetar a coerência do texto.
O sermão de Padre António Vieira defende que os reis também estão obrigados à restituição do alheio, pois a lei da restituição é natural e divina. No trecho central, o autor argumenta:
“Deus, que os fez maiores que os outros, é maior que eles.”
A oração “que os fez maiores que os outros” está entre vírgulas porque é explicativa: ela explica uma característica de Deus — foi Ele quem fez os reis maiores que os outros súditos —, mas essa característica não restringe o sentido de “Deus”. Deus é único; a oração apenas acrescenta uma informação que já é conhecida e pressuposta pela fé católica. A tese do autor depende exatamente dessa hierarquia: Deus é maior que os reis, e por isso os reis devem obediência à lei divina.
A regra é clássica e cai em toda prova:
Oração adjetiva explicativa: vem entre vírgulas (ou travessões, ou parênteses); explica uma característica do antecedente, que já é conhecida ou pressuposta; sua retirada não altera o sentido básico da frase, apenas perde um detalhe.
Oração adjetiva restritiva: não vem separada por vírgulas; restringe ou especifica o sentido do antecedente, sem a qual ele perde a referência; sua retirada muda o sentido.
No trecho, a oração “que os fez maiores que os outros” é explicativa porque está entre vírgulas e porque o antecedente “Deus” é um nome próprio, único, que não admite restrição. Se você retirar as vírgulas, a oração passa a ser restritiva, e o sentido seria: “Deus que os fez maiores que os outros” — como se houvesse vários deuses e estivéssemos falando apenas daquele que fez os reis maiores. Isso contradiz a fé católica (monoteísta) e quebra a argumentação de Vieira, que precisa da ideia de um Deus único e supremo.
A assertiva afirma que a supressão das vírgulas prejudicaria a coerência das ideias que sustentam o texto, baseadas na fé católica. Isso é verdadeiro.
A oração é explicativa: está entre vírgulas e acrescenta uma característica de Deus que já é pressuposta.
Sem as vírgulas, vira restritiva: passaria a restringir o sentido de “Deus”, sugerindo que há outros deuses — o que é incompatível com a fé católica.
A tese do autor depende dessa hierarquia: Deus é maior que os reis; se a oração virar restritiva, a relação de superioridade fica comprometida, pois não se sabe mais a qual Deus se refere.
Portanto, a supressão das vírgulas alteraria o sentido e prejudicaria a coerência do texto, exatamente como afirma o item.
A banca explora a confusão entre oração explicativa e restritiva. Muitos candidatos acham que a vírgula é facultativa ou que sua retirada não muda nada. Mas a vírgula é o marcador que distingue os dois tipos: sem ela, a oração restringe; com ela, explica. No caso, a restrição seria absurda (vários deuses), o que prova o prejuízo à coerência.
Ao ver uma oração adjetiva entre vírgulas, pergunte: “ela restringe ou explica?”. Se o antecedente é nome próprio ou já é único, é explicativa. Retirar as vírgulas muda o sentido — e isso quase sempre prejudica a coerência.
Conclusão: a assertiva está correta. A vírgula não é um detalhe: ela é o que mantém a oração como explicativa, preservando a ideia de um Deus único e supremo, essencial à argumentação de Vieira. Gabarito: C — CERTO.
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