Questão de Português — Conjunção — CESPE / CEBRASPE 2026
- Código
- ce387243
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- TCU
- Ano
- 2026
- Cargo
- AUFC ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: ERRADO. No segmento “Enquanto lei natural”, o termo “Enquanto” não expressa circunstância de tempo concomitante, mas sim uma ideia de proporcionalidade/condição — equivale a “na qualidade de”, “como”, “no que diz respeito a”. A banca tenta induzir o candidato a classificar a conjunção como temporal, mas o contexto mostra outro valor.
No trecho do sermão, Vieira escreve: “A lei da restituição é lei natural e lei divina. Enquanto lei natural, obriga aos reis, porque a natureza fez iguais a todos; e enquanto lei divina, também os obriga, porque Deus, que os fez maiores que os outros, é maior que eles.” Aqui, “enquanto” não marca simultaneidade de eventos no tempo; marca uma perspectiva — “considerada como lei natural” / “considerada como lei divina”. É o mesmo uso de “enquanto” em “enquanto aluno, você deve estudar” (na condição de aluno). Portanto, a afirmação do item está incorreta.
O item afirma que “Enquanto” expressa circunstância de tempo concomitante. Isso seria verdadeiro em frases como “Enquanto chovia, eu lia” — aí há simultaneidade entre duas ações. Mas no texto, a estrutura é “Enquanto lei natural, obriga aos reis” — não há duas ações simultâneas; há uma qualificação do termo “lei”. A conjunção “enquanto” pode ter valor temporal, proporcional ou condicional, dependendo do contexto. Aqui, o valor é de conformidade/condição (equivale a “na medida em que”, “como”, “na qualidade de”).
Ao analisar o valor de uma conjunção, substitua-a por outra de valor conhecido e veja se o sentido se mantém. Troque “enquanto” por “na qualidade de” — se fizer sentido, não é temporal.
O item está ERRADO, pois o valor de “Enquanto” no texto é de condição/qualificação, não de tempo concomitante. A banca explora a polissemia da conjunção, mas o contexto desfaz a ambiguidade.
Gabarito: E (Errado)
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