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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
ce387249
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CAM DEP
Ano
2026
Cargo
AL ( )

Linguagem Simples é o nome dado no Brasil a um conjunto de técnicas de redação e de design da informação usadas para produzir textos claros para o público-alvo das comunicações oficiais.

 

Quando falamos em “público-alvo”, estamos tratando especificamente da parcela da população a quem a informação se destina. Uma pessoa pode, por exemplo, redigir um texto para um site de câmara municipal com o objetivo de que seja compreendido por cidadãos com ensino médio completo; um folheto sobre malária para uma população ribeirinha de baixa escolaridade; ou, ainda, um estudo legislativo para embasar o trabalho de um deputado. Em qualquer dessas situações, tanto o público como a instituição vão se beneficiar do uso da Linguagem Simples.

 

Embora no Brasil o termo “Linguagem Simples” tenha prevalecido, o mote da técnica não é exatamente “quanto mais simples, melhor”, mas “quanto mais claro, melhor”. Tendo-se em mente que a clareza, e não a simplicidade, é a meta última da técnica, é possível e desejável usá-la até mesmo para redigir um texto técnico para o público especialista em determinado assunto. Em casos como esse, trocar palavras difíceis por outras mais fáceis não será a primeira preocupação.

 

A Linguagem Simples vai muito além da escolha de palavras. A técnica engloba diretrizes relacionadas à arquitetura da informação, à estrutura das frases e ao design, com o objetivo de reduzir o tempo e a dificuldade para o cérebro processar informações.

 

Patrícia Roedel. Manual de linguagem simples: como planejar, desenvolver e testar textos que funcionam.

Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2024, p. 13-14 (com adaptações).

Leia o texto.

 

Com base nas ideias e nos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item seguinte.

 

Seria mantida a correção gramatical do primeiro período do texto caso o termo “usadas” fosse substituído por usado.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância do particípio em oração reduzida

Gabarito: letra C (CERTO). A substituição de “usadas” por “usado” mantém a correção gramatical do primeiro período, porque o particípio, em oração reduzida, pode concordar com o núcleo do sujeito paciente (“técnicas”) ou ficar invariável no masculino singular, funcionando como voz passiva com sujeito indeterminado. O texto autoriza essa leitura: o particípio “usadas” refere-se a “técnicas de redação e de design da informação”, e a forma “usado” seria igualmente aceita pela norma culta, como ocorre em construções do tipo “comprado os livros” / “comprados os livros”.

O comando

A questão pede um julgamento de correção gramatical diante de uma reescritura — não de interpretação de sentido. O verbo “julgar” indica que devemos avaliar se a troca de “usadas” por “usado” viola alguma regra de concordância. Trata-se, portanto, de uma questão de gramática normativa aplicada ao texto, e não de compreensão textual.

O texto e o ponto gramatical

O primeiro período do texto é:

“Linguagem Simples é o nome dado no Brasil a um conjunto de técnicas de redação e de design da informação usadas para produzir textos claros para o público-alvo das comunicações oficiais.”

O termo “usadas” é um particípio que inicia uma oração subordinada reduzida de particípio (equivalente a “que são usadas”). Nessa construção, o particípio concorda com o núcleo do sujeito paciente: “técnicas” (feminino plural), por isso “usadas”.

A norma culta, porém, admite que o particípio fique invariável no masculino singular quando a oração reduzida tem valor passivo e o agente não está explícito — é a chamada voz passiva com sujeito indeterminado. Exemplos clássicos: “Feito as pazes, eles se abraçaram” (ou “Feitas as pazes”); “Visto os documentos, assinei” (ou “Vistos os documentos”). Nesses casos, o particípio pode concordar com o termo a que se refere ou permanecer no masculino singular, sem prejuízo da correção.

Assim, “usado” seria perfeitamente aceitável: “um conjunto de técnicas de redação e de design da informação usado para produzir textos claros”. A forma invariável é registrada pela gramática tradicional como facultativa nesse tipo de construção.

A técnica que decide

A pegadinha da banca está em fazer o candidato acreditar que a concordância é obrigatória com o termo mais próximo (“técnicas”), quando, na verdade, o particípio em oração reduzida admite a forma invariável. A regra que resolve é:

  • Particípio em oração reduzida com valor passivo: concorda com o sujeito paciente ou fica no masculino singular (invariável), quando não há agente explícito.

Portanto, a substituição não gera erro gramatical. O item está CERTO.

Particípio em oração reduzida (valor passivo)
  • 1Com agente explícito
    • Concordância obrigatória com o sujeito
  • 2Sem agente explícito
    • Concorda com o sujeito paciente
    • Forma invariável (masculino singular)
      • Ex.: "Feito as pazes" / "Feitas as pazes"
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Alternativa C — ✅ CERTOGABARITO

A afirmativa está correta. O particípio “usadas” poderia ser substituído por “usado” sem violar a concordância, pois a forma invariável é admitida pela norma culta em orações reduzidas de particípio com valor passivo. O texto não exige a concordância obrigatória com “técnicas”; a variação é facultativa.

Alternativa E — ❌ ERRADO

A afirmativa de que a substituição não manteria a correção gramatical está incorreta. Como demonstrado, a forma “usado” é gramaticalmente aceitável. Quem marcou esta opção provavelmente aplicou a regra de concordância obrigatória do particípio com o substantivo, sem considerar a exceção da oração reduzida invariável — uma generalização indevida da regra geral.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de concordância com particípio, pergunte-se: há agente explícito? Se não, a forma invariável (masculino singular) é sempre uma possibilidade. Teste com “Feito as pazes” — ninguém acha errado.

Gabarito: letra C (CERTO).

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