Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — CESPE / CEBRASPE 2026
Português›Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
ce387254
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CAM DEP
Ano
2026
Cargo
AL ( )
Linguagem Simples é o nome dado no Brasil a um conjunto de técnicas de redação e de design da informação usadas para produzir textos claros para o público-alvo das comunicações oficiais.
Quando falamos em “público-alvo”, estamos tratando especificamente da parcela da população a quem a informação se destina. Uma pessoa pode, por exemplo, redigir um texto para um site de câmara municipal com o objetivo de que seja compreendido por cidadãos com ensino médio completo; um folheto sobre malária para uma população ribeirinha de baixa escolaridade; ou, ainda, um estudo legislativo para embasar o trabalho de um deputado. Em qualquer dessas situações, tanto o público como a instituição vão se beneficiar do uso da Linguagem Simples.
Embora no Brasil o termo “Linguagem Simples” tenha prevalecido, o mote da técnica não é exatamente “quanto mais simples, melhor”, mas “quanto mais claro, melhor”. Tendo-se em mente que a clareza, e não a simplicidade, é a meta última da técnica, é possível e desejável usá-la até mesmo para redigir um texto técnico para o público especialista em determinado assunto. Em casos como esse, trocar palavras difíceis por outras mais fáceis não será a primeira preocupação.
A Linguagem Simples vai muito além da escolha de palavras. A técnica engloba diretrizes relacionadas à arquitetura da informação, à estrutura das frases e ao design, com o objetivo de reduzir o tempo e a dificuldade para o cérebro processar informações.
Patrícia Roedel. Manual de linguagem simples: como planejar, desenvolver e testar textos que funcionam.
Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2024, p. 13-14 (com adaptações).
Leia o texto. Com base nas ideias e nos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item seguinte. Visto que, no primeiro período do terceiro parágrafo, a locução verbal “tenha prevalecido” corresponde ao tempo pretérito, conclui-se que o verbo da oração principal do período está empregado no presente histórico, em obediência ao paralelismo temporal.
CCerto
EErrado
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GabaritoE — Errado
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Emprego do pretérito perfeito composto e o paralelismo temporal
Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação está incorreta porque a locução verbal “tenha prevalecido” não corresponde ao tempo pretérito, mas sim ao presente do subjuntivo (modo subjuntivo, tempo presente, com aspecto perfectivo). Além disso, o verbo da oração principal, “é”, está no presente do indicativo — e não em “presente histórico” —, e não há que se falar em paralelismo temporal entre uma forma do subjuntivo e uma do indicativo, pois o paralelismo exige a mesma estrutura ou a mesma função sintática, não a mesma flexão temporal. A conclusão do item, portanto, é duplamente equivocada.
O comando da questão
O enunciado pede que se julgue (certo/errado) uma afirmação sobre o texto. Trata-se de uma questão de gramática aplicada ao texto: o candidato deve reconhecer o tempo e o modo de uma locução verbal e avaliar se a conclusão sobre o verbo da oração principal é coerente. Não é uma questão de interpretação de ideias, mas de análise morfossintática — exige conhecimento técnico de conjugação verbal e de paralelismo.
O texto e o trecho analisado
O terceiro parágrafo do texto traz o seguinte período:
“Embora no Brasil o termo ‘Linguagem Simples’ tenha prevalecido, o mote da técnica não é exatamente ‘quanto mais simples, melhor’, mas ‘quanto mais claro, melhor’.”
Aqui, temos:
Oração subordinada adverbial concessiva: “Embora no Brasil o termo ‘Linguagem Simples’ tenha prevalecido” — introduzida pela conjunção concessiva “embora”.
Oração principal: “o mote da técnica não é exatamente ‘quanto mais simples, melhor’, mas ‘quanto mais claro, melhor’” — cujo verbo é “é” (presente do indicativo).
A técnica que decide a questão
1. O tempo e o modo de “tenha prevalecido”
A locução verbal “tenha prevalecido” é formada pelo verbo auxiliar “ter” no presente do subjuntivo (tenha) + o particípio do verbo principal (prevalecido). Essa estrutura é o pretérito perfeito composto do subjuntivo — um tempo composto que expressa um fato concluído (aspecto perfectivo), mas visto do presente e em contexto de dúvida, hipótese ou concessão (típico do modo subjuntivo).
A banca afirma que “tenha prevalecido” corresponde ao tempo pretérito. Isso é um erro conceitual: o tempo da locução é presente do subjuntivo (o auxiliar “tenha” está no presente), embora o aspecto seja de ação concluída. O pretérito perfeito composto do subjuntivo é um tempo do modo subjuntivo, não do indicativo, e não se confunde com o pretérito perfeito simples do indicativo (ex.: “prevaleceu”).
2. O verbo da oração principal e o “presente histórico”
O verbo da oração principal é “é” — presente do indicativo. O presente histórico (ou presente narrativo) é um recurso estilístico em que se usa o presente do indicativo para narrar fatos passados, dando-lhes vivacidade (ex.: “Em 1822, D. Pedro proclama a independência”). No texto, o verbo “é” não narra um fato passado; ele expressa uma verdade atemporal (o mote da técnica). Portanto, não há presente histórico.
3. O paralelismo temporal
O paralelismo (sintático ou semântico) exige que elementos que desempenham a mesma função na frase tenham estrutura equivalente. No período, a oração concessiva (subordinada) e a oração principal têm funções sintáticas diferentes — não há paralelismo a ser observado entre elas. Além disso, o paralelismo não exige que os verbos estejam no mesmo tempo; exige simetria de estrutura (ex.: “gosto de ler e de escrever” — ambos os complementos com preposição + infinitivo). A afirmação de que o verbo da principal está no presente histórico “em obediência ao paralelismo temporal” é uma invenção conceitual: não existe essa regra.
"Tenha prevalecido": Tempo: presente do subjuntivo; Aspecto: perfectivo (concluído); Não é pretérito; Verbo "é" (oração principal) (Presente do indicativo, Valor atemporal, Não é presente histórico); Paralelismo temporal (Não existe na gramática, Exige simetria de estrutura)
Análise da assertiva
A assertiva comete três erros:
Classifica “tenha prevalecido” como pretérito, quando é presente do subjuntivo (pretérito perfeito composto do subjuntivo, mas com auxiliar no presente).
Classifica o verbo “é” como presente histórico, quando é presente do indicativo com valor atemporal.
Invoca um paralelismo temporal inexistente entre uma oração subordinada concessiva e a principal.
Portanto, a conclusão “conclui-se que o verbo da oração principal do período está empregado no presente histórico, em obediência ao paralelismo temporal” é totalmente infundada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre tempo e aspecto verbal. “Tenha prevalecido” tem aspecto de ação concluída (o que pode sugerir “passado”), mas o tempo é presente do subjuntivo. Além disso, inventa um “paralelismo temporal” que não existe na gramática normativa.
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar uma locução verbal, identifique o tempo do verbo auxiliar — é ele que determina o tempo da locução. O particípio apenas acrescenta o aspecto concluído. E desconfie de termos técnicos inventados: “paralelismo temporal” não é um conceito gramatical.
Conclusão
A assertiva está errada porque classifica incorretamente o tempo de “tenha prevalecido” (presente do subjuntivo, não pretérito), atribui ao verbo “é” um valor de presente histórico que ele não tem (é presente atemporal) e invoca um paralelismo temporal inexistente. Gabarito: letra E (ERRADO).