Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2026
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce387259
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CAM DEP
Ano
2026
Cargo
AL ( )
Novos dados da União Interparlamentar (UIP) e da ONU
Mulheres revelam um progresso limitado no alcance da igualdade
de gênero na liderança política. A edição de 2025 do mapa
Mulheres na política mostra que os homens continuam a superar
as mulheres em mais de três vezes nas posições executivas e
legislativas em todo o mundo.
Globalmente, a presença feminina nos parlamentos subiu
apenas 0,3%, alcançando 27,2% em relação ao ano anterior. Já
nos ministérios, houve queda de 0,4%. Segundo Sima Bahous,
diretora executiva da ONU Mulheres, o progresso não só é lento
como há retrocesso em várias partes do mundo. “Trinta anos após
a Declaração de Pequim, a promessa de igualdade de gênero na
liderança política permanece não cumprida. Não podemos aceitar
um mundo onde metade da população seja sistematicamente
excluída da tomada de decisões”, frisou.
Bahous também lembrou que cotas, reformas eleitorais e
vontade política são soluções para desmantelar barreiras
sistêmicas. “O tempo das medidas paliativas acabou. É hora de os
governos agirem para assegurar que as mulheres tenham um
assento igual em todas as mesas onde o poder é exercido”,
destacou.
A presidente da UIP, Tulia Ackson, classificou o ritmo de
avanço como “glacial” e ressaltou a urgência de medidas
concretas para garantir representação igualitária. O
secretário-geral da UIP, Martin Chungong, defendeu o
engajamento ativo de homens como parte da solução.
Ainda, o mapa de 2025 mostra que, enquanto as mulheres
lideram importantes pastas ligadas a direitos humanos, igualdade
de gênero e proteção social, os homens dominam áreas como
relações exteriores, orçamento e defesa.
Internet: <onumulheres.org.br> (com adaptações).
Leia o texto.
Julgue o item a seguir em relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado.
No primeiro período do quarto parágrafo, o emprego do termo presidenta em vez de “presidente” não só preservaria a correção do texto como também evidenciaria uma opção política de gênero, em consonância com os ideais de maior representatividade das mulheres nas esferas de poder.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
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Flexão de gênero: "presidente" × "presidenta"
Gabarito: C (Certo). A afirmação está correta: o emprego de "presidenta" em vez de "presidente" preservaria a correção gramatical do texto e, no contexto da defesa da igualdade de gênero, evidenciaria uma opção política de gênero. O texto, ao longo de todos os parágrafos, defende a maior representatividade feminina nas esferas de poder, e a escolha lexical "presidenta" — forma feminina aceita pela norma culta — alinha-se a esse ideal.
O comando
A questão pede um julgamento Certo/Errado sobre uma reescritura (substituição de palavra) e seus efeitos. Não se trata de interpretação de ideia, mas de análise linguística: a substituição é gramaticalmente válida? E ela carrega um sentido político? O comando exige que você avalie dois aspectos — a correção gramatical e a adequação ao contexto ideológico do texto.
O texto
O texto é uma notícia sobre a desigualdade de gênero na política. A tese é clara: o progresso é lento e insuficiente, e há retrocessos. A diretora da ONU Mulheres afirma que "a promessa de igualdade de gênero na liderança política permanece não cumprida" e que "não podemos aceitar um mundo onde metade da população seja sistematicamente excluída da tomada de decisões". O texto, portanto, é favorável à maior presença feminina no poder. É esse contexto que torna a substituição de "presidente" por "presidenta" uma escolha politicamente significativa.
A técnica: flexão de gênero e sentido
A palavra "presidente" é um substantivo comum de dois gêneros (ou sobrecomum, dependendo da classificação): "o presidente" e "a presidente" são formas corretas. A forma "presidenta" também é aceita pela norma culta, pois a língua permite a flexão de gênero para cargos e profissões. O que a questão explora é o valor semântico-pragmático dessa escolha: ao usar "presidenta", o falante marca o gênero feminino de forma explícita, o que, em um texto que defende a igualdade de gênero, funciona como uma afirmação política — uma forma de dar visibilidade à mulher no poder.
A substituição não altera a correção gramatical (ambas as formas são válidas) e reforça a tese do texto (a luta por representatividade). Portanto, a afirmação está correta.
Análise do item
"Presidente" × "Presidenta"
1Correção gramatical
Ambas as formas são válidas
Substantivo comum de dois gêneros
2Efeito de sentido
"Presidenta" marca o gênero feminino
Afirmação política de gênero
Alinhada à tese do texto (igualdade)
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Item — ✅ CERTO ⟵ GABARITO
A afirmação é verdadeira por dois motivos, ambos ancorados no texto:
Correção gramatical: "presidenta" é forma feminina legítima de "presidente", aceita pela norma culta. A substituição não gera erro.
Opção política de gênero: o texto defende a igualdade de gênero na política. A escolha de "presidenta" — em vez do genérico "presidente" — marca o gênero feminino, o que está em consonância com a defesa de "maior representatividade das mulheres nas esferas de poder".
O texto sustenta essa leitura ao afirmar que "os homens continuam a superar as mulheres em mais de três vezes nas posições executivas e legislativas" e que "a promessa de igualdade de gênero na liderança política permanece não cumprida". A escolha lexical "presidenta" é, nesse contexto, um ato de afirmação da presença feminina, exatamente o que o texto defende.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de reescritura, avalie dois eixos: (1) a correção gramatical da troca e (2) o efeito de sentido que ela produz no contexto. A banca raramente cobra só um.
Conclusão: a substituição de "presidente" por "presidenta" é gramaticalmente correta e, no contexto do texto, carrega uma opção política de gênero alinhada à tese da igualdade. O item está CERTO.