Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2026
- Código
- ce387263
- Banca
- CESPE / CEBRASPE
- Órgão
- CAM DEP
- Ano
- 2026
- Cargo
- AL ( )
- CCerto
- EErrado
GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). O acento indicativo de crase no vocábulo "as" em "superar as mulheres" é obrigatório, não facultativo, pois o verbo "superar" é transitivo direto e não exige preposição; o "as" é apenas artigo definido feminino plural. A crase só ocorre quando há fusão da preposição "a" com o artigo "a(s)" — e aqui não há preposição alguma exigida pelo verbo.
A questão pede para julgar uma afirmação sobre aspectos linguísticos do texto, especificamente sobre o uso do acento grave (crase). O verbo "julgar" indica que devemos analisar se a afirmação está correta ou não, com base na norma culta da língua portuguesa. Não se trata de interpretação de ideias, mas de gramática aplicada ao texto.
A crase é a fusão de duas vogais idênticas: a preposição "a" + o artigo definido feminino "a(s)" (ou o "a" inicial de pronomes demonstrativos como "aquele", "aquela", "aquilo"). Para que haja crase, é necessário que o termo regente exija a preposição "a" e que o termo regido aceite o artigo feminino.
No trecho "superar as mulheres", o verbo "superar" é transitivo direto (VTD), ou seja, seu complemento (objeto direto) não é introduzido por preposição. Quem supera, supera algo ou alguém — sem preposição. Portanto, o "as" em "as mulheres" é apenas o artigo definido feminino plural, sem a preposição "a" que seria necessária para formar a crase.
"os homens continuam a superar as mulheres em mais de três vezes nas posições executivas e legislativas em todo o mundo"
Observe que o verbo "superar" está no infinitivo e seu objeto direto é "as mulheres". Não há preposição "a" antes do artigo "as". A crase seria possível apenas se houvesse a fusão, como em "superar às mulheres" — o que não ocorre, pois "superar" não exige preposição. Assim, o emprego do acento grave é proibido, não facultativo.
A crase é facultativa em três situações clássicas:
Antes de nomes próprios femininos: "Entreguei o cheque à Paula" ou "a Paula".
Antes de pronomes possessivos adjetivos femininos: "Cheguei à sua casa" ou "a sua casa".
Na locução prepositiva "até a": "Fui até à escola" ou "até a escola".
Nenhum desses casos se aplica ao trecho "superar as mulheres". O "as" é artigo definido, não pronome possessivo, e não há nome próprio nem locução "até a".
A afirmação de que é facultativo o emprego do acento indicativo de crase em "superar as mulheres" está errada. Como demonstrado, o verbo "superar" é transitivo direto e não exige preposição, logo não há crase possível. O acento grave seria um erro gramatical, não uma opção facultativa.
A afirmação é falsa, pois a crase em "superar as mulheres" é proibida, não facultativa. O "as" é apenas artigo definido, sem a preposição "a" que caracterizaria a crase. Portanto, o item está errado.
A banca explora a confusão entre os casos de crase facultativa (nomes próprios, possessivos adjetivos, "até a") e a situação real do trecho, em que não há preposição exigida pelo verbo. O candidato que decora os casos facultativos sem entender a lógica da crase pode marcar "certo" erroneamente.
Para verificar se há crase, substitua o termo feminino por um masculino equivalente. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "o", não há. Ex.: "superar os homens" (sem "ao") → "superar as mulheres" (sem crase).
Conclusão: a crase exige a fusão de preposição + artigo. Como "superar" não pede preposição, o "as" é só artigo, e o acento grave é proibido. A afirmação do item é falsa, portanto o gabarito é letra E (ERRADO).
Gabarito: letra E
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