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Questão de Português — Orações Subordinadas Substantivas — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsOrações Subordinadas Substantivas
Código
ce387267
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CAM DEP
Ano
2026
Cargo
AL ( )
        Em 1988, ano do centenário da abolição da escravatura no Brasil, foi promulgada a atual Constituição Federal, a primeira a tratar da questão racial e a que tornou o racismo crime inafiançável e imprescritível. Naquele ano de memória e avanço civilizatório, foi feita uma pequena pesquisa sobre racismo. Seus resultados mostravam um cenário contraditório: ao mesmo tempo em que 97% dos entrevistados afirmavam não ter preconceito racial, 98% dos entrevistados diziam conhecer pessoas racistas e ter presenciado situações de discriminação racial. A melhor descrição da situação foi feita anos depois pela historiadora e antropóloga Lilia Moritz Schwarcz: “A conclusão informal é de que todo brasileiro parece se sentir como uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados.”

        Hoje, o debate sobre o racismo cresceu. As cotas raciais são um sucesso social e acadêmico comprovado. Tendem a ser cada vez menos numerosos os que acreditam na democracia racial e cada vez maior o número dos que sabem que o racismo deve ser extirpado.

        Entretanto, a tendência de reconhecer mais o racismo não se repete em relação ao machismo. Todos reconhecem que há discriminação contra pretos e pardos, mas não contra as mulheres; todos reconhecem que há racismo, mas não reconhecem que há machismo — embora os mais jovens não se revelem machistas. Todas as gerações negam a discriminação contra as mulheres, apesar de a geração dos que nasceram no novo milênio ser a que menos percebe a discriminação de gênero, tanto mulheres quanto homens. No Brasil de hoje, há uma regra social implícita, segundo a qual ninguém pode deixar de reconhecer o racismo, mas a sociedade não reconhece a discriminação contra a mulher como relevante.

Felipe Nunes. Brasil no espelho: um guia para entender o Brasil e os brasileiros. Rio de Janeiro: Globo, 2025, p. 185-186 (com adaptações).

Leia o texto.

 

Julgue o item a seguir, relativo ao texto precedente.

 

Nos trechos “reconhecem que há discriminação” e “reconhecem que há machismo” (segundo período do terceiro parágrafo), a substituição do segmento “que há” por a existência de manteria tanto a correção gramatical quanto o paralelismo sintático no período.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescritura de oração substantiva: "que há" → "a existência de"

Gabarito: letra C (CERTO). A substituição de "que há" por "a existência de" nos trechos "reconhecem que há discriminação" e "reconhecem que há machismo" mantém a correção gramatical e o paralelismo sintático, pois transforma a oração subordinada substantiva objetiva direta em um sintagma nominal que exerce a mesma função sintática (objeto direto) do verbo "reconhecem". A passagem que autoriza a análise é o trecho do terceiro parágrafo: "todos reconhecem que há racismo, mas não reconhecem que há machismo".

O comando

A questão pede um julgamento de reescritura: verificar se a troca de uma estrutura por outra preserva a correção gramatical e o paralelismo. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática aplicada à reescritura. O comando "manteria tanto a correção gramatical quanto o paralelismo sintático" exige que você teste a substituição no contexto e verifique se a nova estrutura é gramatical e se as duas construções continuam equivalentes entre si.

O texto e a estrutura original

No terceiro parágrafo, o autor constrói uma oposição entre o reconhecimento do racismo e a negação do machismo. O trecho relevante é:

"todos reconhecem que há racismo, mas não reconhecem que há machismo"

Aqui, "que há racismo" e "que há machismo" são orações subordinadas substantivas objetivas diretas — exercem a função de objeto direto do verbo "reconhecem". A conjunção "que" é integrante, e a oração pode ser substituída por "isso": "todos reconhecem isso, mas não reconhecem isso".

A técnica: oração substantiva × sintagma nominal

A substituição proposta troca a oração desenvolvida (com conjunção integrante + verbo) por uma oração reduzida de infinitivo ou, mais precisamente, por um sintagma nominal com núcleo abstrato. Veja o mecanismo:

  • Original: "reconhecem que há discriminação" → verbo "reconhecem" + oração objetiva direta ("que há discriminação").

  • Reescrita: "reconhecem a existência de discriminação" → verbo "reconhecem" + sintagma nominal ("a existência de discriminação").

O sintagma "a existência de discriminação" exerce exatamente a mesma função sintática que a oração: objeto direto. A troca é válida porque o substantivo "existência" é abstrato e pode nominalizar a ideia expressa pelo verbo "haver". Isso é um caso clássico de nominalização — transformar uma oração em um sintagma nominal sem alterar a função sintática.

O paralelismo sintático é mantido porque as duas construções reescritas têm a mesma estrutura:

  • "reconhecem a existência de discriminação"

  • "não reconhecem a existência de machismo"

Ambas são formadas por verbo transitivo direto + objeto direto (sintagma nominal). A estrutura é idêntica, o que garante o paralelismo.

A pegadinha

A banca explora a confusão entre oração subordinada substantiva e sintagma nominal. Muitos candidatos acham que a substituição quebraria o paralelismo porque "que há" é uma oração e "a existência de" é um sintagma. No entanto, o paralelismo não exige que as estruturas sejam da mesma classe gramatical — exige que exerçam a mesma função sintática e tenham a mesma estrutura interna. Como ambas são objetos diretos, o paralelismo se mantém.

Reescritura: "que há" → "a existência de"
  • 1Estrutura original
    • Oração subordinada substantiva objetiva direta
    • "reconhecem que há discriminação"
  • 2Estrutura reescrita
    • Sintagma nominal (objeto direto)
    • "reconhecem a existência de discriminação"
  • 3Função sintática preservada
    • Ambas = objeto direto
    • Substituição por "isso" confirma
  • 4Paralelismo mantido
    • Mesma estrutura nos dois trechos
    • Verbo + objeto direto
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NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se você sabe que a nominalização de uma oração substantiva preserva a função sintática. A armadilha é achar que "oração" e "sintagma" são estruturas incompatíveis, quando na verdade ambas podem ocupar o mesmo lugar na frase.

Conclusão

A reescritura é gramatical e mantém o paralelismo, pois "a existência de discriminação" e "a existência de machismo" são sintagmas nominais que exercem a mesma função de objeto direto que as orações originais. A resposta correta é Certo.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar reescrituras, teste a função sintática: substitua a oração por "isso" (se for substantiva) e veja se o sintagma nominal também cabe no lugar. Se ambos exercem a mesma função, a troca é válida.

Gabarito: letra C (CERTO).

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