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Questão de Português — Partícula "Se" — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsPartícula "Se"
Código
ce387272
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEFAZ PR
Ano
2026
Cargo
AFE ( )

Texto CG1A1-III

 

1976: esse foi o ano do surgimento do termo meme , com o biólogo Richard Dawkins, numa obra que tratava majoritariamente de uma perspectiva evolucionista dos genes. O argumento central é que os seres vivos são máquinas de sobrevivência para replicadores biológicos — os genes —, mas é possível que haja outros tipos de replicadores, o que leva a outros tipos de evolução, como a que ocorre nas culturas humanas. É sob a égide desse pensamento que se propõe a existência de um replicador cultural, o que permite que as culturas evoluam.

 

Meme , segundo o autor, é entendido como uma unidade de transmissão cultural, ou unidade de imitação. São ideias que também são replicadas de tempos em tempos, e ele tem três características de replicadores: a longevidade, a fecundidade e a fidelidade da cópia. A longevidade diz respeito ao tempo em que um meme ficará disponível em uma cultura; fecundidade é sua habilidade de gerar cópias; e a fidelidade da cópia é a capacidade do meme de gerar cópias com a maior semelhança possível com você, o original.

 

Vicente de Lima-Neto. Meme é gênero? Questionamentos sobre o estatuto genérico do meme.

In: Trabalhos em Linguística Aplicada, 59(3), 2020, p. 2.251 (com adaptações).

No último período do primeiro parágrafo do texto CG1A1-III, o vocábulo “se”, na oração “que se propõe a existência de um replicador cultural”, classifica-se como
  1. Aíndice de indeterminação do sujeito.
  2. Bpronome expletivo.
  3. Cpronome passivante.
  4. Delogio verbal.
  5. Eparte integrante do verbo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — pronome passivante.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classificação do "se" em "que se propõe a existência de um replicador cultural"

Gabarito: letra C. O vocábulo "se" em "que se propõe a existência de um replicador cultural" classifica-se como pronome passivante (partícula apassivadora), pois o verbo "propor" é transitivo direto e o termo "a existência de um replicador cultural" funciona como sujeito paciente. A prova está na possibilidade de converter a oração para a voz passiva analítica: "que a existência de um replicador cultural é proposta".

O comando

A questão pede a classificação morfossintática do vocábulo "se" dentro de um contexto específico. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática aplicada ao texto: é preciso analisar a função do "se" na oração em que aparece, considerando a transitividade do verbo e a relação com os demais termos.

O texto e a oração em foco

No primeiro parágrafo, o autor apresenta a tese de Dawkins sobre os replicadores. A oração destacada é:

"É sob a égide desse pensamento que se propõe a existência de um replicador cultural"

Aqui, o verbo "propor" exige objeto direto (propõe-se algo). O termo "a existência de um replicador cultural" é exatamente esse algo — na voz ativa, seria o objeto direto; na construção com "se", torna-se o sujeito paciente. O "se" é, portanto, a partícula que marca a voz passiva sintética.

A técnica que decide

Para distinguir "se" apassivador de "se" índice de indeterminação do sujeito, o critério é a transitividade do verbo:

  • Voz passiva sintética (pronome passivante): ocorre com verbo transitivo direto (VTD) ou transitivo direto e indireto (VTDI). O termo que acompanha o verbo é o sujeito paciente e concorda com ele. Ex.: Vendem-se casasCasas são vendidas.

  • Índice de indeterminação do sujeito (IIS): ocorre com verbo intransitivo (VI), transitivo indireto (VTI) ou verbo de ligação (VL). O verbo fica sempre na 3ª pessoa do singular. Ex.: Precisa-se de funcionários (VTI + SE).

No trecho, "propor" é VTD (quem propõe, propõe algo). O termo "a existência de um replicador cultural" é o objeto direto na voz ativa, que se torna sujeito paciente na passiva sintética. Por isso, o "se" é pronome passivante.

"Se" em "que se propõe a existência..."
  • 1Classificação: pronome passivante
    • Verbo "propor" é VTD
    • "A existência..." = sujeito paciente
    • Passa para voz passiva analítica
  • 2Critério decisivo: transitividade
    • VTD/VTDI + SE → voz passiva
    • VTI/VI/VL + SE → indeterminação
  • 3Distinções
    • Não é índice de indeterminação (verbo VTD)
    • Não é expletivo (retirada altera sentido)
    • Não é parte integrante (verbo não é pronominal)
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Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Índice de indeterminação do sujeito. O "se" seria IIS se o verbo fosse intransitivo, transitivo indireto ou de ligação, como em precisa-se de funcionários ou vive-se bem. No trecho, o verbo "propor" é transitivo direto, e há um termo que funciona como sujeito paciente ("a existência de um replicador cultural"). Portanto, não há indeterminação do sujeito; há voz passiva sintética. A alternativa confunde os dois usos do "se" com base na transitividade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Pronome expletivo. O "se" expletivo (ou partícula de realce) é um elemento que pode ser retirado da frase sem alteração de sentido, como em Vão-se os anéis, ficam-se os dedos. No trecho, retirar o "se" tornaria a oração agramatical: "que propõe a existência de um replicador cultural" — o sentido mudaria e a construção passaria a ter sujeito indeterminado (3ª pessoa do plural). Portanto, o "se" não é expletivo; ele é essencial para a voz passiva.

Alternativa C — ✅ Correta

Pronome passivante. Como demonstrado, o verbo "propor" é transitivo direto, e o termo "a existência de um replicador cultural" é o sujeito paciente. A conversão para a voz passiva analítica comprova: "que a existência de um replicador cultural é proposta". O "se" é, portanto, a partícula apassivadora.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Elogio verbal. "Elogio verbal" não é uma classificação gramatical do "se". Trata-se de um termo que não existe na nomenclatura gramatical tradicional para o pronome "se". A banca incluiu essa alternativa apenas para testar se o candidato conhece as classificações corretas. O "se" pode ser: pronome apassivador, índice de indeterminação do sujeito, pronome reflexivo, parte integrante do verbo, partícula expletiva, conjunção (condicional, temporal, integrante) ou pronome oblíquo. "Elogio verbal" não se enquadra em nenhuma dessas categorias.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Parte integrante do verbo. O "se" é parte integrante do verbo quando integra um verbo pronominal, ou seja, um verbo que só existe com o pronome, como suicidar-se, queixar-se, arrepender-se. No trecho, o verbo "propor" não é pronominal: existe sem o "se" (ex.: O autor propõe uma teoria). Portanto, o "se" não é parte integrante do verbo; ele é um pronome apassivador.

Conclusão

A alternativa correta é a letra C, pois o "se" em "que se propõe a existência de um replicador cultural" é pronome passivante, marcando a voz passiva sintética. Para acertar questões como essa, lembre-se do critério da transitividade: VTD/VTDI + SE = voz passiva; VTI/VI/VL + SE = indeterminação do sujeito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "se" apassivador e "se" índice de indeterminação do sujeito. A alternativa A é a mais sedutora, mas o verbo "propor" é transitivo direto, o que afasta a indeterminação.

PEGA ESSA DICA!

Ao classificar o "se", identifique primeiro a transitividade do verbo e verifique se há um termo que possa funcionar como sujeito paciente. Se houver, é voz passiva; se não houver, é indeterminação.

Gabarito: letra C

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