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Questão de Português — Termos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsTermos Integrantes (Objeto Direto e Indireto, Complemento Nominal e Agente da Passiva)
Código
ce387303
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEBRAE
Ano
2026
Cargo
Ana Tec I ( )

Onde não houver alimento, não haverá paz. Essa afirmação, simples e poderosa, carrega uma sabedoria ancestral: a agricultura sustenta vidas, estrutura territórios, garante estabilidade política, social e econômica e molda o destino das nações. Quando a produção agrícola prospera, comunidades florescem, mercados se fortalecem e sociedades avançam. Quando falha, a fome se instala, conflitos emergem e as estruturas sociais se fragilizam.

 

Em um mundo marcado por transformações aceleradas — crises climáticas, pressões energéticas e desigualdades persistentes —, a agricultura permanece no centro do debate global não apenas por alimentar bilhões de pessoas, mas por conectar, de forma indissociável, o que produzimos e consumimos, a energia que utilizamos e as condições climáticas que moldam nosso cotidiano.

 

Garantir segurança alimentar para uma população que ultrapassará 9,7 bilhões de pessoas até 2050 exige produzir mais e melhor, de forma sustentável, resiliente e inclusiva. Acelerar a transição energética tornou-se imperativo diante da necessidade de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e mitigar emissões. Enfrentar as mudanças climáticas requer ações integradas de adaptação e mitigação, capazes de proteger sistemas produtivos e ecossistemas naturais. Reduzir desigualdades sociais implica democratizar o acesso a oportunidades, tecnologias e mercados — sobretudo no meio rural, onde milhões de agricultores familiares e comunidades tradicionais ainda enfrentam vulnerabilidades estruturais.


Esses desafios não podem ser tratados isoladamente. Segurança alimentar, transição energética, ação climática e justiça social são agendas interdependentes: nenhuma avança sem as demais. Sistemas alimentares resilientes são essenciais para mitigar emissões; energia limpa é indispensável para sustentar a produção agrícola; inclusão social é condição para o progresso das pessoas e ampliação da adoção de tecnologias e práticas sustentáveis. Quando articuladas, essas agendas convertem avanços setoriais em ganhos sistêmicos e fortalecem a resiliência global.


Nesse contexto de interdependências, os trópicos ocupam posição estratégica. O cinturão tropical, que abrange as Américas, a África e a Ásia, concentra cerca de 40% das terras aráveis e 52% da água doce do planeta, distribuídas em regiões de cerrados, savanas e florestas tropicais, uma heterogeneidade que reflete a variedade de condições ecológicas e desafios produtivos dessa faixa do planeta.

 

A riqueza natural confere aos países tropicais um potencial produtivo extraordinário, capaz de alimentar populações locais e contribuir decisivamente para a segurança alimentar global. Ao mesmo tempo, essas mesmas regiões enfrentam elevada vulnerabilidade climática. Secas prolongadas, chuvas irregulares, ondas de calor, enchentes e a intensificação de pragas e doenças ameaçam safras, reduzem produtividade e ampliam a insegurança alimentar em escala regional. Transformar essa combinação de riqueza e vulnerabilidade em prosperidade duradoura exige ciência aplicada, cooperação internacional e políticas públicas consistentes. Exige, sobretudo, reconhecer que a agricultura tropical não é parte do problema, mas parte essencial da solução. Práticas como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), a recuperação de pastagens degradadas, o plantio direto, a fixação biológica de nitrogênio, o uso de bioinsumos, a produção de bioenergia e o reaproveitamento de coprodutos e resíduos em processos de circularidade comprovam que é possível conciliar produtividade, conservação ambiental e mitigação de emissões.


Internet: <agro.fgv.br> (com adaptações).

Texto CG1A1

 

No que se refere à função sintática de termos constituintes do primeiro período do texto CG1A1, assinale a opção correta.

  1. AA oração “Onde não houver alimento” funciona como sujeito da oração “não haverá paz”.
  2. BO termo “Onde” funciona como sujeito da oração constituída pela forma verbal “houver”.
  3. CO sujeito das oração constituídas pelas formas verbais “houver” e “haverá” classifica-se como indeterminado.
  4. DOs termos “alimento” e “paz” funcionam como objeto direto, respectivamente, das oração constituídas pelas formas verbais “houver” e “haverá”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Os termos “alimento” e “paz” funcionam como objeto direto, respectivamente, das oração constituídas pelas formas verbais “houver” e “haverá”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática no primeiro período: “Onde não houver alimento, não haverá paz”

Gabarito: letra D. No primeiro período do texto, os termos “alimento” e “paz” funcionam, respectivamente, como objeto direto de “houver” e de “haverá”. Isso ocorre porque o verbo haver, no sentido de “existir”, é impessoal — não possui sujeito — e exige complemento sem preposição, ou seja, objeto direto. A alternativa D é a única que descreve corretamente essa relação sintática.

O comando da questão

O enunciado pede que você analise a função sintática de termos do primeiro período. Isso é uma questão de análise sintática — você precisa identificar, dentro da oração, qual papel cada termo exerce: sujeito, objeto, adjunto, etc. Não se trata de interpretação de texto, mas de aplicar regras gramaticais ao trecho. A banca quer saber se você reconhece a estrutura do período: uma oração subordinada adverbial condicional (“Onde não houver alimento”) e uma oração principal (“não haverá paz”).

O texto e o trecho analisado

O primeiro período do texto é:

“Onde não houver alimento, não haverá paz.”

Aqui, temos duas orações:

  • Oração subordinada adverbial condicional: “Onde não houver alimento” — o “onde” tem valor de “se” (condicional), e o verbo “houver” é impessoal (sentido de existir).

  • Oração principal: “não haverá paz” — o verbo “haverá” também é impessoal.

Nos dois casos, o verbo haver é transitivo direto: quem há, há algo. Esse “algo” é o objeto direto. Como o verbo é impessoal, não há sujeito — a oração é sem sujeito.

A regra que decide: verbo haver impessoal

O verbo haver, quando significa “existir” ou “ocorrer”, é impessoal: não admite sujeito, fica sempre na 3ª pessoa do singular e exige objeto direto (complemento sem preposição). Exemplos:

  • “Havia muitos livros na estante.” → “muitos livros” é objeto direto; não há sujeito.

  • “Houve vários acidentes na rodovia.” → “vários acidentes” é objeto direto; não há sujeito.

No trecho, “alimento” é o objeto direto de “houver” (quem houver, houver alimento), e “paz” é o objeto direto de “haverá” (quem haverá, haverá paz).

Distinção crucial: oração sem sujeito × sujeito indeterminado

A banca adora confundir esses dois conceitos. Veja a diferença:

  • Oração sem sujeito: não há sujeito possível; o verbo é impessoal (haver no sentido de existir, fazer indicando tempo, etc.). Ex.: “ pessoas na sala.”

  • Sujeito indeterminado: existe um sujeito, mas não se quer ou não se pode identificá-lo; ocorre com verbos na 3ª pessoa do plural sem referência ou com “se” + verbo intransitivo/transitivo indireto. Ex.: “Falaram mal de você.” / “Precisa-se de funcionários.”

No período em análise, os verbos “houver” e “haverá” são impessoais, logo as orações são sem sujeito, e não com sujeito indeterminado. Por isso a alternativa C está errada.

Análise das alternativas

Verbo "haver" (existir)
  • 1Impessoal
    • Sem sujeito
    • 3ª pessoa do singular
    • Exige objeto direto
  • 2Exemplos
    • "Havia muitos livros"
    • "Houve vários acidentes"
  • 3Distinção
    • Oração sem sujeito
      • Verbo impessoal
      • "Há pessoas na sala"
    • Sujeito indeterminado
      • Verbo 3ª pessoa plural
      • "Falaram mal de você"
      • "Precisa-se de funcionários"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A oração “Onde não houver alimento” não funciona como sujeito da oração “não haverá paz”. Ela é uma oração subordinada adverbial condicional (equivale a “se não houver alimento”), que modifica o verbo da oração principal, funcionando como adjunto adverbial de condição. Além disso, a oração principal “não haverá paz” é sem sujeito (verbo impessoal), portanto não pode haver oração subjetiva. A alternativa extrapola ao atribuir função de sujeito a uma oração que exerce papel de adjunto adverbial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O termo “Onde” não funciona como sujeito da oração constituída pela forma verbal “houver”. “Onde” é um advérbio relativo (ou pronome relativo com valor de lugar), que introduz a oração subordinada adverbial, mas não exerce função de sujeito. O verbo “houver” é impessoal e não possui sujeito; “alimento” é o objeto direto. A alternativa troca o conceito: confunde o advérbio relativo com um possível sujeito, o que é impossível em oração sem sujeito.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O sujeito das orações constituídas pelas formas verbais “houver” e “haverá” não se classifica como indeterminado. Como vimos, o verbo “haver” no sentido de “existir” é impessoal, e as orações são sem sujeito (sujeito inexistente). Sujeito indeterminado ocorre em outros contextos (verbo na 3ª pessoa do plural sem referência, ou com “se” + verbo intransitivo/transitivo indireto). A alternativa contradiz o texto ao afirmar que há sujeito, quando na verdade não há.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Os termos “alimento” e “paz” funcionam, respectivamente, como objeto direto das orações constituídas pelas formas verbais “houver” e “haverá”. Isso é comprovado pela regra do verbo haver impessoal: quem há, há algo; esse “algo” é o complemento sem preposição, ou seja, objeto direto. No trecho:

“Onde não houver alimento, não haverá paz.”

“alimento” completa o sentido de “houver” (objeto direto), e “paz” completa o sentido de “haverá” (objeto direto). A alternativa está correta e é a única que descreve fielmente a função sintática dos termos.

Conclusão

A questão testa o domínio da impessoalidade do verbo haver e a distinção entre oração sem sujeito e sujeito indeterminado. A alternativa D é a única que identifica corretamente os objetos diretos. As demais ou extrapolam (A), trocam o conceito (B) ou contradizem a estrutura sintática (C).

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar o verbo “haver” no sentido de “existir”, lembre-se: ele é impessoal, não tem sujeito, e o termo que o segue é objeto direto. Desconfie de alternativas que falem em sujeito indeterminado ou que atribuam função de sujeito a qualquer termo dessa oração.

Gabarito: letra D

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