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Questão de Português — Outras Questões de Semântica — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsOutras Questões de Semântica
Código
ce387361
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
PC MG
Ano
2026
Cargo
Tec Ass ( )

Na esteira da pandemia de covid-19, as lições extraídas das primeiras necropsias desempenharam um papel crucial na redução das incertezas sobre como esse novo vírus estava infligindo tanto sofrimento e morte. Inicialmente, o que parecia ser apenas mais uma endemia desencadeada por um vírus respiratório, com origem na Ásia, revelou-se, em poucos meses, uma enfermidade nova e distinta, com poucas semelhanças com outras causadas pelos membros conhecidos da família dos coronavírus.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) enfrentou críticas por sua demora e hesitação em reconhecer a pandemia. Muitos "especialistas" fizeram previsões e ofereceram orientações categóricas, que acabaram sendo desmentidas pela rápida disseminação da doença.

 

Cientistas e jornalistas especializados em saúde, que inicialmente advertiram sobre a complexidade e o prolongamento do caminho a ser percorrido, foram inicialmente recebidos com ceticismo. A valorização global do esforço dos profissionais de saúde foi generalizada, porém, entre tantas categorias homenageadas, é crucial destacar o papel dos médicos patologistas, que deram os primeiros passos decisivos e que tiveram sua importância reavaliada nesse contexto.

 

Graças às informações comparativas das autópsias, foi possível identificar a doença e entender que ela não tinha tantas semelhanças com as que já haviam acometido a sociedade humana. Porém, mais do que isso, foram reforçadas a necessidade de um maior controle sanitário e a importância de uma análise patológica minuciosa para enfrentar desafios de mesma natureza no futuro.

 

Internet: <https://cursos.escolaeducacao.com.br> (com adaptações).

Texto CG1A1

 

No trecho “Muitos ‘especialistas’ fizeram previsões e ofereceram orientações categóricas” (segundo parágrafo do texto CG1A1), o emprego das aspas na palavra ‘especialistas’

  1. Areforça o grau de conhecimento dos membros da OMS sobre a covid-19.
  2. Bsugere a intenção irônica do autor do texto em sua referência aos que fizeram previsões e ofereceram orientações categóricas a respeito da covid-19.
  3. Cvisa destacar a importância dos especialistas no contexto da pandemia de covid-19 e das críticas dirigidas à OMS em razão de sua demora e hesitação no reconhecimento da pandemia.
  4. Dindica que o termo foi empregado de forma genérica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — sugere a intenção irônica do autor do texto em sua referência aos que fizeram previsões e ofereceram orientações categóricas a respeito da covid-19.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso das aspas em “especialistas” — ironia e distanciamento crítico

Gabarito: letra B. As aspas em “especialistas” sugerem a intenção irônica do autor, que contesta a autoridade daqueles que fizeram previsões e ofereceram orientações categóricas depois desmentidas pelos fatos. A pista decisiva está no segundo parágrafo: a OMS foi criticada pela demora, e muitos “especialistas” deram orientações que “acabaram sendo desmentidas pela rápida disseminação da doença”. O texto não os trata como autoridades confiáveis — ao contrário, marca distanciamento crítico.

O comando

A questão pergunta o efeito de sentido do emprego das aspas na palavra “especialistas”. Não se trata de gramática normativa (quando usar aspas), mas de interpretação do recurso expressivo no contexto: o que o autor quer dizer ao colocar a palavra entre aspas? Isso muda tudo: a resposta não está numa regra decorada, e sim na leitura do parágrafo e da tese global do texto.

O texto

O texto narra como as necropsias ajudaram a entender a covid-19. No segundo parágrafo, o autor critica a atuação da OMS e, principalmente, de muitos “especialistas”:

“A Organização Mundial da Saúde (OMS) enfrentou críticas por sua demora e hesitação em reconhecer a pandemia. Muitos ‘especialistas’ fizeram previsões e ofereceram orientações categóricas, que acabaram sendo desmentidas pela rápida disseminação da doença.”

Repare: as aspas aparecem exatamente na frase que diz que as orientações foram desmentidas. Se o autor quisesse elogiar ou destacar a importância desses especialistas, não os colocaria entre aspas — as aspas aqui desqualificam, indicam que o autor não os considera verdadeiros especialistas. É o uso clássico de aspas para marcar ironia ou distanciamento crítico: o termo é usado “entre aspas” porque o autor não endossa seu valor literal.

A técnica que decide

Quando uma palavra aparece entre aspas, três usos são possíveis: (1) citação literal; (2) destaque/realce; (3) ironia ou sentido especial (neologismo, gíria, estrangeirismo, ou palavra usada com valor contestado). Para decidir qual é o caso, o critério é o contexto: o que a frase e o parágrafo dizem sobre essa palavra?

Aqui, o contexto é de crítica: a OMS hesitou, os “especialistas” erraram. As aspas não destacam conhecimento (alternativa A), não valorizam (alternativa C) e não indicam uso genérico (alternativa D) — elas questionam a validade do termo. O autor coloca “especialistas” entre aspas porque não os considera especialistas de fato; foram pessoas que se apresentaram como tais, mas cujas previsões falharam.

Alternativa A — ❌ Incorreta

“reforça o grau de conhecimento dos membros da OMS sobre a covid-19.”

Erro: contradiz o texto. As aspas não reforçam conhecimento; o parágrafo diz que as orientações “acabaram sendo desmentidas”. Além disso, a palavra “especialistas” não se refere aos membros da OMS — refere-se a outras pessoas que fizeram previsões. A alternativa inverte o sentido e troca o referente.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“sugere a intenção irônica do autor do texto em sua referência aos que fizeram previsões e ofereceram orientações categóricas a respeito da covid-19.”

Correta. As aspas marcam ironia: o autor não reconhece esses “especialistas” como autoridades legítimas, pois suas orientações foram desmentidas. A alternativa parafraseia com precisão o efeito de sentido: o autor usa aspas para contestar o valor do termo, indicando que aqueles que se apresentaram como especialistas não o eram de fato.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“visa destacar a importância dos especialistas no contexto da pandemia de covid-19 e das críticas dirigidas à OMS em razão de sua demora e hesitação no reconhecimento da pandemia.”

Erro: contradiz o texto. As aspas não destacam importância; elas desqualificam. O texto critica os “especialistas” por terem errado. A alternativa inverte o valor: o autor não os valoriza, ele os ironiza. Além disso, mistura a crítica à OMS com um suposto destaque aos especialistas, o que o texto não faz.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“indica que o termo foi empregado de forma genérica.”

Erro: extrapola. O texto não dá nenhuma pista de que “especialistas” foi usado de forma genérica (como em “especialistas em geral”). O contexto é específico: refere-se àqueles que fizeram previsões e orientações categóricas sobre a covid-19. A alternativa acrescenta uma informação que não está no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os usos das aspas. O candidato que decora “aspas servem para destacar” marca a C; o que pensa em “uso genérico” marca a D. Mas o contexto de crítica e erro desmentido só autoriza a ironia.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver aspas, pergunte: o autor endossa o termo ou o questiona? Se o contexto é de crítica ou erro, quase sempre é ironia/distanciamento.

Gabarito: letra B.

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