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Questão de Português — Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsTermos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo
Código
ce387397
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
CAM DEP
Ano
2026
Cargo
TL ( )

Medos e fobias compõem uma lista breve e universal. Cobras e aranhas sempre amedrontam. São o que mais comumente provoca medo e asco em estudantes universitários cujas fobias foram estudadas; isso tem sido assim por muito tempo em nossa história evolutiva. Donald Hebb constatou que chimpanzés nascidos em cativeiro gritam aterrorizados quando veem uma cobra pela primeira vez. Mesmo nas culturas que veneram as serpentes, as pessoas as tratam com muita cautela.

 

Os outros medos comuns são de altura, tempestades, grandes carnívoros, escuridão, sangue, estranhos, confinamento, águas profundas, escrutínio social e deixar a casa sozinha. A linha comum é óbvia: essas são as situações que punham em perigo nossos ancestrais. Aranhas e cobras frequentemente são venenosas, em especial na África, e a maioria dos outros medos representa perigos evidentes para a saúde de um coletor de alimentos ou, no caso do escrutínio social, para o status. O medo é a emoção que motivava nossos ancestrais a lidar com os perigos que tendiam a encontrar.

 

O medo provavelmente consiste em várias emoções. Fobias de coisas físicas, de escrutínio social e de deixar a casa sozinha reagem a diferentes tipos de drogas, o que é um indício de que são computadas por circuitos cerebrais distintos. O psiquiatra Isaac Marks demonstrou que as pessoas reagem de modos diferentes a diferentes estímulos atemorizantes, sendo cada reação apropriada ao perigo. Um animal desencadeia o ímpeto de fugir, mas um precipício faz a pessoa ficar petrificada. Ameaças sociais conduzem à timidez e a gestos de apaziguamento. Há pessoas que realmente desmaiam ao ver sangue, pois sua pressão sanguínea cai, presumivelmente uma reação que minimizaria uma perda adicional de sangue.

 

A melhor evidência de que medos são adaptações, e não apenas erros do sistema nervoso, é que os animais que evoluíram em ilhas sem predadores perdem o medo e se tornam presas fáceis para qualquer invasor. Os medos dos atuais habitantes das cidades protegem-nos de perigos que não existem mais e deixam de nos proteger dos perigos do mundo que nos cerca. Deveríamos ter medo de armas de fogo, de dirigir em alta velocidade, de andar de carro sem cinto de segurança, de fluido de isqueiro e do secador de cabelo perto da banheira, e não de cobras e aranhas. Os responsáveis pela segurança pública tentam incutir o medo no coração dos cidadãos usando todos os recursos, das estatísticas às fotografias chocantes, geralmente em vão. Os pais gritam e castigam os filhos para impedi-los de brincar com fósforos ou de correr atrás da bola na rua, mas, quando se perguntou a estudantes de séries iniciais em Chicago o que eles mais temiam, as crianças citaram leões, tigres e cobras — perigos improváveis naquela cidade.

 

Steven Pinker. O cheiro do medo. In: Como a mente funciona. Laura Motta (Trad.). São Paulo: Companhia das Letras, 1998 (com adaptações)

Julgue o item a seguir, referentes às ideias e a aspectos linguísticos do texto precedente.   No texto, tanto a expressão “presumivelmente uma reação que minimizaria uma perda adicional de sangue” quanto a expressão “perigos improváveis naquela cidade” exercem a função sintática de aposto.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Função sintática de aposto: análise das expressões

Gabarito: letra C (CERTO). Tanto “presumivelmente uma reação que minimizeria uma perda adicional de sangue” quanto “perigos improváveis naquela cidade” exercem função sintática de aposto, pois ambas retomam e explicam um termo anterior, com valor substantivo. A primeira explica o desmaio ao ver sangue; a segunda especifica os perigos citados pelas crianças de Chicago. A passagem que ancora a análise está no 3º e 4º parágrafos do texto.

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento (Certo/Errado) sobre a função sintática de duas expressões. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar ideias, mas de reconhecer a função que cada trecho exerce na oração. Para resolver, é preciso dominar o conceito de aposto e saber identificá-lo no contexto — não basta “achar” que soa como explicação.

O que é aposto?

O aposto é um termo acessório da oração, de valor substantivo (nunca adjetivo), que explica, esclarece, desenvolve ou resume outro termo de valor substantivo. A relação é de equivalência: o aposto “B” equivale ao termo “A” a que se refere. Veja a fórmula clássica:

A = B

Exemplo: “Carmen Miranda, a Pequena Notável, fez sucesso.” — “a Pequena Notável” é aposto de “Carmen Miranda”, pois ambos se referem à mesma pessoa.

O aposto pode ser:

  • Simples: um núcleo (“Esses dois são relapsos”);

  • Composto: mais de um núcleo (“Elas, Lúcia e Regina, são irmãs”);

  • Oracional: apresenta verbo em sua constituição (“Tenho um sonho: presenciar a justiça de Deus”).

No caso da questão, as duas expressões são apostos oracionais, pois contêm verbos em sua estrutura.

Análise da primeira expressão

No 3º parágrafo, o texto afirma:

“Há pessoas que realmente desmaiam ao ver sangue, pois sua pressão sanguínea cai, presumivelmente uma reação que minimizaria uma perda adicional de sangue.”

A expressão destacada retoma e explica o fato de a pressão sanguínea cair (e a pessoa desmaiar). Ela equivale a “essa queda de pressão é uma reação que minimizaria...”. Trata-se de um aposto explicativo oracional, pois:

  • tem valor substantivo (o núcleo é o substantivo “reação”);

  • explica o termo anterior (a queda de pressão);

  • vem separado por vírgula.

Análise da segunda expressão

No 4º parágrafo, o texto diz:

“as crianças citaram leões, tigres e cobras — perigos improváveis naquela cidade.”

A expressão destacada retoma “leões, tigres e cobras” e os classifica como perigos improváveis em Chicago. É um aposto explicativo, pois:

  • tem valor substantivo (o núcleo é o substantivo “perigos”);

  • explica/desenvolve o termo anterior (leões, tigres e cobras);

  • vem separado por travessão.

Por que a afirmação está correta

Ambas as expressões cumprem os requisitos do aposto: são termos de valor substantivo que explicam um termo anterior, com equivalência semântica (A = B). A primeira explica a queda de pressão; a segunda explica quais perigos as crianças citaram. Portanto, a afirmação do item é verdadeira.

1Termo acessório
Valor substantivo
Explica/desenvolve/resume termo anterior
Equivalência (A = B)
2Tipos
Simples (um núcleo)
Composto (mais de um núcleo)
Oracional (com verbo)
3Como identificar
Perguntar: explica termo anterior?
Testar equivalência (substituir A por B)
4Confusões comuns
Adjunto adverbial (não modifica verbo)
Adjunto adnominal (retoma conjunto, não um núcleo)
Aposto
LEVELsoulevel.com.br
Aposto: Termo acessório (Valor substantivo, Explica/desenvolve/resume termo anterior, Equivalência (A = B)); Tipos (Simples (um núcleo), Composto (mais de um núcleo), Oracional (com verbo)); Como identificar (Perguntar: explica termo anterior?, Testar equivalência (substituir A por B)); Confusões comuns (Adjunto adverbial (não modifica verbo), Adjunto adnominal (retoma conjunto, não um núcleo))
NÃO CAIA NESSA!

A banca testa se o candidato confunde aposto com adjunto adverbial ou predicativo do sujeito. A primeira expressão poderia parecer adjunto adverbial de causa (por que desmaiam?), mas não é: ela não modifica o verbo, e sim explica o termo anterior (a queda de pressão). A segunda poderia parecer adjunto adnominal de “cobras”, mas também não: ela retoma o conjunto “leões, tigres e cobras” como um todo, com valor de explicação.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar aposto, pergunte: “esse trecho explica/desenvolve/resume um termo anterior?” Se sim, e se tiver valor substantivo, é aposto. Teste a equivalência: substitua o termo anterior pelo aposto e veja se o sentido se mantém.

Conclusão: a questão exige reconhecer a função sintática de aposto nas duas expressões. Como ambas explicam termos anteriores com valor substantivo, o item está CERTO.

Gabarito: letra C (CERTO).

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