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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce387403
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
IPAAM
Ano
2026
Cargo
Ass Amb (Ipaam)

A relação entre cientistas e jornalistas, por vezes, é marcada por certa tensãod. De um lado, pesquisadores temerosos de que os resultados dos seus estudos, desenvolvidos com rigor durante anos, sejam simplificados demais ou distorcidos. De outro, comunicadores — que têm espaço e tempo limitados para a produção e veiculação das notícias — diante de novos conhecimentos e terminologias difíceis, buscando transmitir conceitos e informações corretas e em uma linguagem de fácil entendimento.


A linguagem da academia deve ser, por definição, universale. Entretanto, os artigos científicos são, muitas vezes, impenetráveisa. Precisamos nos responsabilizar como atores desse processo de comunicação universal. É nosso dever como cientistas ter forte interlocução com jornalistas. Temos a responsabilidade de fazer uma parte do caminho para que a sociedade possa ter conhecimento da ciência produzida na academia”, enfatizou o pró-reitor de Pesquisa e Inovação da USP.


O pró-reitor destacou também que a redação científica e a comunicação oral não precisam ser enfadonhasb. Correlacionando como ciência e cultura se conectam e se realimentam, o professor assinalou que “apresentar um novo conhecimento usando referências culturais pode fazer a diferença para propagar e tornar memoráveis as ideias da ciência”.


Um exemplo mencionado por ele foi a comunicação dos resultados de pesquisas sobre resfriamento de átomos por luz laser por dois grupos distintos. O grupo dos Estados Unidos da América (EUA) utilizou um método matemático, enquanto o grupo francês apresentou uma imagem física que representava o movimento dos átomos subindo e descendo colinas de potencial. “Para denominar esse processo, o grupo francês fez referência a Sísifo, da mitologia grega, que foi condenado a rolar uma rocha montanha acima e, a cada vez que chegava ao topo, a rocha caía e ele precisava começar tudo de novo. Essa conexão de um mecanismo físico com uma imagem cultural levou a uma perenização do conhecimento, e hoje toda a comunidade se refere a esse mecanismo como resfriamento Sísifo”, ilustra.


Para a diretora da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP, a divulgação científica é uma responsabilidade essencial de todos aqueles que fazem pesquisa em uma universidade públicac. “Produzimos conhecimento que só cumpre plenamente seu papel quando chega à sociedade de forma acessível, contextualizada e correta, e o diálogo com profissionais de comunicação bem-preparados e interessados em compreender o rigor científico nos ajuda a traduzir achados complexos em informações úteis para o público”, avalia a professora.


Tiago Rodella. Colaboração entre pesquisadores

e comunicadores fortalece a divulgação científica. In: Jornal da USP, 14/11/2025 (com adaptações).

Texto CG2A1

 

Assinale a opção em que o trecho destacado do texto CG2A1 pode ser corretamente considerado uma síntese do tema central desse texto.

  1. A"os artigos científicos são, muitas vezes, impenetráveis.‟
  2. B“a redação científica e a comunicação oral não precisam ser enfadonhas”
  3. C“a divulgação científica é uma responsabilidade essencial de todos aqueles que fazem pesquisa em uma universidade pública”
  4. D“A relação entre cientistas e jornalistas, por vezes, é marcada por certa tensão.”
  5. E"A linguagem da academia deve ser, por definição, universal.‟
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — "A linguagem da academia deve ser, por definição, universal.‟

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síntese do tema central do texto CG2A1

Gabarito: letra E. O trecho que sintetiza o tema central é "A linguagem da academia deve ser, por definição, universal", pois condensa a tese defendida ao longo do texto: a ciência precisa ser comunicada de forma acessível e universal, superando a linguagem acadêmica impenetrável. Essa passagem, dita pelo pró-reitor, é o núcleo argumentativo que organiza todos os demais parágrafos, como se lê no 2º parágrafo.

O comando pede que você identifique qual trecho destacado sintetiza o tema central — ou seja, qual frase resume a ideia principal que perpassa todo o texto. Não se trata de localizar uma informação explícita qualquer, mas de reconhecer a tese que estrutura a argumentação. Em textos dissertativo-argumentativos, a tese costuma aparecer na introdução ou na conclusão, e aqui ela está na fala do pró-reitor: a defesa de que a academia deve se responsabilizar pela comunicação universal da ciência.

O texto desenvolve essa tese em três movimentos: (1) a tensão entre cientistas e jornalistas, que precisa ser superada; (2) a necessidade de os cientistas terem interlocução com jornalistas e de tornarem a linguagem acessível; (3) exemplos de como referências culturais ajudam a propagar o conhecimento. Todos esses pontos convergem para a ideia de que a linguagem da academia deve ser universal — ou seja, compreensível para a sociedade. A alternativa E captura exatamente esse núcleo.

As demais alternativas apresentam ideias secundárias ou argumentos de apoio, mas não a tese central. Vejamos cada uma:

Alternativa A — ❌ Incorreta

"os artigos científicos são, muitas vezes, impenetráveis"

Esse trecho é um diagnóstico do problema que motiva a tese, mas não a sintetiza. Ele aponta uma deficiência da linguagem acadêmica, mas não expressa a solução ou o dever defendido pelo autor. É um argumento que justifica a necessidade de universalização, não a ideia central em si. Erro: tangencia o tema — fala de um aspecto periférico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"a redação científica e a comunicação oral não precisam ser enfadonhas"

Essa é uma recomendação prática sobre o estilo da comunicação, um desdobramento da tese, mas não a resume. O texto defende que a linguagem deve ser universal, e a não-enfadonhez é um meio para alcançar esse fim. É uma ideia secundária, não o núcleo. Erro: restringe o alcance — foca em um aspecto específico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"a divulgação científica é uma responsabilidade essencial de todos aqueles que fazem pesquisa em uma universidade pública"

Essa frase, dita pela diretora, é uma consequência ou aplicação da tese, mas não a sintetiza. Ela atribui um dever a um grupo específico, enquanto a tese é mais ampla: a linguagem da academia deve ser universal. É uma ideia importante, mas não a central. Erro: limita o alcance — restringe a um público específico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A relação entre cientistas e jornalistas, por vezes, é marcada por certa tensão"

Esse é o ponto de partida do texto, a contextualização inicial, mas não a tese. A tensão é o problema que motiva a discussão, não a ideia que o autor defende. A tese é a solução: a linguagem deve ser universal. Erro: tangencia o tema — aborda o cenário, não a ideia central.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A linguagem da academia deve ser, por definição, universal"

Essa frase é a tese central do texto. Ela expressa o dever ser, a ideia que organiza toda a argumentação. O pró-reitor a enuncia logo no início do segundo parágrafo, e todo o desenvolvimento — a interlocução com jornalistas, o exemplo do resfriamento Sísifo, a responsabilidade da divulgação — serve para sustentá-la. É a única alternativa que captura o tema central em sua totalidade.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece trechos que são ideias secundárias ou argumentos de apoio, mas apenas um condensa a tese. A armadilha é confundir o problema (tensão, impenetrabilidade) ou a solução prática (não ser enfadonho, divulgar) com a ideia central.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o tema central, pergunte-se: "qual é a ideia que o autor defende e que todos os parágrafos sustentam?" A tese geralmente aparece na introdução ou conclusão, e as demais informações são argumentos ou exemplos.

Conclusão: a alternativa E é a única que sintetiza o tema central, pois expressa a tese defendida pelo autor. As demais apresentam ideias secundárias, argumentos ou contextualizações, mas não o núcleo do texto.

Gabarito: letra E

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