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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
ce387404
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
IPAAM
Ano
2026
Cargo
Ass Amb (Ipaam)

A relação entre cientistas e jornalistas, por vezes, é marcada por certa tensão. De um lado, pesquisadores temerosos de que os resultados dos seus estudos, desenvolvidos com rigor durante anos, sejam simplificados demais ou distorcidos. De outro, comunicadores — que têm espaço e tempo limitados para a produção e veiculação das notícias — diante de novos conhecimentos e terminologias difíceis, buscando transmitir conceitos e informações corretas e em uma linguagem de fácil entendimento.

 

“A linguagem da academia deve ser, por definição, universal. Entretanto, os artigos científicos são, muitas vezes, impenetráveis. Precisamos nos responsabilizar como atores desse processo de comunicação universal. É nosso dever como cientistas ter forte interlocução com jornalistas. Temos a responsabilidade de fazer uma parte do caminho para que a sociedade possa ter conhecimento da ciência produzida na academia”, enfatizou o pró-reitor de Pesquisa e Inovação da USP.

 

O pró-reitor destacou também que a redação científica e a comunicação oral não precisam ser enfadonhas. Correlacionando como ciência e cultura se conectam e se realimentam, o professor assinalou que “apresentar um novo conhecimento usando referências culturais pode fazer a diferença para propagar e tornar memoráveis as ideias da ciência”.

 

Um exemplo mencionado por ele foi a comunicação dos resultados de pesquisas sobre resfriamento de átomos por luz laser por dois grupos distintos. O grupo dos Estados Unidos da América (EUA) utilizou um método matemático, enquanto o grupo francês apresentou uma imagem física que representava o movimento dos átomos subindo e descendo colinas de potencial. “Para denominar esse processo, o grupo francês fez referência a Sísifo, da mitologia grega, que foi condenado a rolar uma rocha montanha acima e, a cada vez que chegava ao topo, a rocha caía e ele precisava começar tudo de novo. Essa conexão de um mecanismo físico com uma imagem cultural levou a uma perenização do conhecimento, e hoje toda a comunidade se refere a esse mecanismo como resfriamento Sísifo”, ilustra.

 

Para a diretora da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP, a divulgação científica é uma responsabilidade essencial de todos aqueles que fazem pesquisa em uma universidade pública. “Produzimos conhecimento que só cumpre plenamente seu papel quando chega à sociedade de forma acessível, contextualizada e correta, e o diálogo com profissionais de comunicação bem-preparados e interessados em compreender o rigor científico nos ajuda a traduzir achados complexos em informações úteis para o público”, avalia a professora.

 

Tiago Rodella. Colaboração entre pesquisadores

e comunicadores fortalece a divulgação científica. In: Jornal da USP, 14/11/2025 (com adaptações).

Texto CG2A1

 

No trecho "foi condenado a rolar uma rocha montanha acima e, a cada vez que chegava ao topo, a rocha caía‟, no terceiro período do quarto parágrafo do texto CG2A1, as vírgulas são empregadas para

  1. Aindicar a elipse de um termo da oração.
  2. Bdelimitar uma oração de valor explicativo.
  3. Cisolar uma oração adverbial anteposta à oração à qual se subordina.
  4. Dseparar termos de uma enumeração.
  5. Eisolar uma oração coordenada de valor aditivo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — isolar uma oração adverbial anteposta à oração à qual se subordina.

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Função da vírgula em oração subordinada adverbial anteposta

Gabarito: letra C. No trecho "foi condenado a rolar uma rocha montanha acima e, a cada vez que chegava ao topo, a rocha caía", as vírgulas isolam a oração adverbial temporal "a cada vez que chegava ao topo", que está anteposta à oração principal "a rocha caía". A regra é clara: quando a oração subordinada adverbial vem antes da principal, a vírgula é obrigatória para separá-las. Veja a passagem no texto:

"foi condenado a rolar uma rocha montanha acima e, a cada vez que chegava ao topo, a rocha caía"

A oração "a cada vez que chegava ao topo" expressa uma circunstância de tempo (equivale a "sempre que chegava ao topo") e está deslocada de sua posição natural (que seria após a principal: "a rocha caía a cada vez que chegava ao topo"). Por isso, as vírgulas são empregadas para isolar essa oração adverbial anteposta.

O comando da questão

A questão pergunta para que as vírgulas são empregadas, ou seja, qual a função sintática da vírgula naquele trecho específico. Não se trata de interpretação de sentido, mas de análise sintática da pontuação: identificar o que as vírgulas estão isolando e por quê. É uma questão de gramática aplicada ao texto.

A técnica que resolve

  1. Localize o trecho e identifique os verbos: "foi condenado", "rolar", "chegava", "caía".

  2. Separe as orações: "foi condenado a rolar uma rocha montanha acima" (principal), "a cada vez que chegava ao topo" (subordinada adverbial temporal), "a rocha caía" (principal).

  3. Observe a ordem: a subordinada está antes da principal, ou seja, anteposta. Quando isso ocorre, a vírgula é obrigatória para separar as duas orações.

  4. Confirme a circunstância: "a cada vez que" = "sempre que" = ideia de tempo (frequência).

A regra por trás

A vírgula é usada para isolar orações subordinadas adverbiais quando estão deslocadas (antepostas ou intercaladas). Na ordem direta, a subordinada viria depois da principal, e a vírgula seria dispensável. Exemplo:

  • Ordem inversa: Quando cheguei, ele já tinha saído. (vírgula obrigatória)

  • Ordem direta: Ele já tinha saído quando cheguei. (sem vírgula)

No trecho, a oração "a cada vez que chegava ao topo" está no meio do período, entre a primeira oração e a segunda, por isso as duas vírgulas a isolam.

Análise das alternativas

  1. 1Localize os verbos
  2. 2Separe as orações
  3. 3Observe a ordem (anteposta?)
  4. 4Confirme a circunstância
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A vírgula não indica elipse (omissão de termo). Elipse seria, por exemplo: "Na casa de mamãe, roupa lavada; na minha, contas embaixo da porta" (omissão de "há"). No trecho, não há termo omitido; há uma oração inteira intercalada. Erro: troca de conceito (elipse × oração intercalada).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A vírgula não delimita oração de valor explicativo. Oração explicativa é a adjetiva explicativa, como "Minha mãe, que era uma mulher sábia, nunca fez faculdade". No trecho, "a cada vez que chegava ao topo" não explica um termo anterior; indica tempo. Erro: troca de conceito (explicativa × adverbial temporal).

Alternativa C — ✅ Correta

Como demonstrado, as vírgulas isolam a oração adverbial temporal anteposta à oração principal. A passagem "a cada vez que chegava ao topo" está deslocada, e a vírgula é obrigatória nesse caso. É a única alternativa que descreve corretamente a função.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A vírgula não separa termos de enumeração. Enumeração seria: "Comprei frutas, legumes, cereais e carnes". No trecho, não há lista de termos; há orações. Erro: troca de conceito (enumeração × oração intercalada).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A vírgula não isola oração coordenada de valor aditivo. Oração coordenada aditiva seria introduzida por "e", "nem", etc., como "Chegou, sentou, começou a discursar". No trecho, "a cada vez que chegava ao topo" é subordinada, não coordenada. Erro: troca de conceito (coordenada × subordinada).

Conclusão

A questão testa a habilidade de identificar a função da vírgula em um contexto específico. A chave é reconhecer a oração subordinada adverbial temporal anteposta e lembrar que, nessa posição, a vírgula é obrigatória. As demais alternativas descrevem outros usos da vírgula, mas nenhum se aplica ao trecho.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar a função da vírgula, identifique os verbos e separe as orações. Pergunte: "Que circunstância essa oração expressa?" Se for tempo, causa, condição, etc., e estiver deslocada, a vírgula a isola.

Gabarito: letra C

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