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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
ce387407
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
IPAAM
Ano
2026
Cargo
Ass Amb (Ipaam)

A relação entre cientistas e jornalistas, por vezes, é marcada por certa tensão. De um ladob, pesquisadores temerosos de que os resultados dos seus estudos, desenvolvidos com rigor durante anos, sejam simplificados demais ou distorcidos. De outrob, comunicadores — que têm espaço e tempo limitados para a produção e veiculação das notícias — diante de novos conhecimentos e terminologias difíceis, buscando transmitir conceitos e informações corretas e em uma linguagem de fácil entendimento.

 

“A linguagem da academia deve ser, por definição, universal. Entretantoc, os artigos científicos são, muitas vezes, impenetráveis. Precisamos nos responsabilizar como atores desse processo de comunicação universal. É nosso dever como cientistas ter forte interlocução com jornalistas. Temos a responsabilidade de fazer uma parte do caminho para qued a sociedade possa ter conhecimento da ciência produzida na academia”, enfatizou o pró-reitor de Pesquisa e Inovação da USP.

 

O pró-reitor destacou também que a redação científica e a comunicação oral não precisam ser enfadonhas. Correlacionando como ciência e cultura se conectam e se realimentam, o professor assinalou que “apresentar um novo conhecimento usando referências culturais pode fazer a diferença para propagar e tornar memoráveis as ideias da ciência”.

 

Um exemplo mencionado por ele foi a comunicação dos resultados de pesquisas sobre resfriamento de átomos por luz laser por dois grupos distintos. O grupo dos Estados Unidos da América (EUA) utilizou um método matemático, enquantoa o grupoe francês apresentou uma imagem física que representava o movimento dos átomos subindo e descendo colinas de potencial. “Para denominar esse processo, o grupo francês fez referência a Sísifo, da mitologia grega, que foi condenado a rolar uma rocha montanha acima e, a cada vez que chegava ao topo, a rocha caía e ele precisava começar tudo de novo. Essa conexão de um mecanismo físico com uma imagem cultural levou a uma perenização do conhecimento, e hoje toda a comunidade se refere a esse mecanismo como resfriamento Sísifo”, ilustra.

 

Para a diretora da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP, a divulgação científica é uma responsabilidade essencial de todos aqueles que fazem pesquisa em uma universidade pública. “Produzimos conhecimento que só cumpre plenamente seu papel quando chega à sociedade de forma acessível, contextualizada e correta, e o diálogo com profissionais de comunicação bem-preparados e interessados em compreender o rigor científico nos ajuda a traduzir achados complexos em informações úteis para o público”, avalia a professora.

 

Tiago Rodella. Colaboração entre pesquisadores

e comunicadores fortalece a divulgação científica. In: Jornal da USP, 14/11/2025 (com adaptações).

Texto CG2A1

 

De acordo com as relações de sentido e de coesão estabelecidas no texto CG2A1, assinale a opção correta.

  1. AO termo “enquanto” (segundo período do quarto parágrafo) indica a simultaneidade do relato do grupo francês e do grupo dos EUA durante a comunicação dos resultados de suas pesquisas.
  2. BNo primeiro parágrafo, as expressões “De um lado” (segundo período) e “De outro” (terceiro período) expressam a ideia de alternância entre as perspectivas apresentadas.
  3. CO conectivo „Entretanto‟ (segundo período do segundo parágrafo) poderia ser substituído, sem prejuízo da coesão e dos sentidos do texto, por Porquanto.
  4. DEstariam preservados os sentidos caso se substituísse „para que‟ (último período do segundo parágrafo) por desde que.
  5. ENo segundo período do quarto parágrafo, a elipse da segunda ocorrência da palavra “grupo” não prejudicaria a coesão e os sentidos do texto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — No segundo período do quarto parágrafo, a elipse da segunda ocorrência da palavra “grupo” não prejudicaria a coesão e os sentidos do texto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão e sentido dos conectivos no texto CG2A1

Gabarito: letra E. A alternativa correta trata da elipse — omissão de um termo recuperável pelo contexto — e afirma que suprimir a segunda ocorrência de “grupo” no segundo período do quarto parágrafo não prejudicaria a coesão nem os sentidos. Isso é exatamente o que ocorre: o termo omitido é facilmente recuperado pela estrutura paralela da frase, como se lê no trecho: “O grupo dos Estados Unidos da América (EUA) utilizou um método matemático, enquanto o grupo francês apresentou uma imagem física...”. A elipse é um mecanismo legítimo de coesão, e a banca a explora corretamente.

O comando pede que se analisem as relações de sentido e de coesão estabelecidas no texto. Isso significa que cada alternativa deve ser testada contra o que o texto efetivamente diz e contra o valor semântico dos conectivos e mecanismos coesivos empregados. Não se trata de interpretação livre, mas de verificação técnica: qual é o sentido de “enquanto”? O que “De um lado/De outro” realmente expressam? “Entretanto” pode ser trocado por “Porquanto”? “Para que” equivale a “desde que”? E a elipse de “grupo” é possível? Cada pergunta tem resposta ancorada no texto e na gramática.

O texto trata da relação entre cientistas e jornalistas na divulgação científica. No quarto parágrafo, o autor narra um exemplo concreto: dois grupos de pesquisa comunicaram resultados sobre resfriamento de átomos por laser. O grupo dos EUA usou método matemático; o grupo francês, uma imagem física. A estrutura é claramente comparativa/contrastiva, e é nesse contexto que a elipse se torna possível: quando há paralelismo sintático, a omissão de um termo repetido é natural e não gera ambiguidade.

A técnica central para resolver esta questão é testar cada substituição ou interpretação proposta: o conectivo mantém o mesmo valor semântico? A expressão realmente expressa o que a alternativa afirma? A elipse é recuperável? Para a elipse, a regra é simples: se o termo omitido é facilmente identificado pelo leitor (porque já foi mencionado ou está implícito na estrutura), a coesão e o sentido são preservados. É o que ocorre com “grupo” — a segunda ocorrência é desnecessária, pois o paralelismo com “O grupo dos EUA” deixa claro que se trata do grupo francês.

NÃO CAIA NESSA!

A banca arma com o valor semântico dos conectivos. “Enquanto” aqui não marca simultaneidade temporal, mas oposição/comparação entre os dois grupos. “Entretanto” é adversativo, e “Porquanto” é explicativo/causal — não são equivalentes. “Para que” expressa finalidade, e “desde que” expressa condição — sentidos distintos. A única alternativa que não depende de troca de conectivo é a E, que trata de elipse.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar conectivos, pergunte: qual relação lógica ele estabelece (causa, condição, oposição, finalidade, tempo)? Substitua mentalmente por sinônimos e veja se o sentido muda. Para elipse, verifique se o termo omitido é recuperável pelo contexto imediato.

1"enquanto"
Simultaneidade (A)
Oposição/comparação
2"De um lado/De outro"
Alternância (B)
Contraste de perspectivas
3"Entretanto"
Adversativo
"Porquanto" (explicativo) (C)
4"para que"
Finalidade
"desde que" (condição) (D)
5Elipse de "grupo"
Recuperável pelo paralelismo (E)
Conectivos e coesão
LEVELsoulevel.com.br
Conectivos e coesão: "enquanto" (Simultaneidade (A), Oposição/comparação); "De um lado/De outro" (Alternância (B), Contraste de perspectivas); "Entretanto" (Adversativo, "Porquanto" (explicativo) (C)); "para que" (Finalidade, "desde que" (condição) (D)); Elipse de "grupo" (Recuperável pelo paralelismo (E))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que “enquanto” indica simultaneidade entre o relato do grupo francês e do grupo dos EUA. No texto, porém, o conectivo estabelece uma relação de oposição/comparação entre as duas formas de comunicação dos resultados. Veja o trecho:

“O grupo dos Estados Unidos da América (EUA) utilizou um método matemático, enquanto o grupo francês apresentou uma imagem física...”

Aqui, “enquanto” contrapõe duas maneiras diferentes de apresentar o mesmo fenômeno — não indica que os relatos ocorreram ao mesmo tempo. A banca explora a confusão entre o valor temporal (que “enquanto” pode ter em outros contextos) e o valor contrastivo presente no texto. Erro: troca de sentido do conectivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que “De um lado” e “De outro” expressam alternância entre as perspectivas. No texto, essas expressões introduzem duas perspectivas complementares (a dos pesquisadores e a dos comunicadores), mas não há alternância — ou seja, não há revezamento ou sucessão de ideias. Veja:

De um lado, pesquisadores temerosos... De outro, comunicadores...”

A função é contrapor dois pontos de vista que coexistem, não alternar entre eles. A banca tenta confundir com o sentido de “ora... ora...”, que sim expressa alternância. Erro: atribuição de valor semântico inadequado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa propõe substituir “Entretanto” por “Porquanto” sem prejuízo de sentido. Isso é inviável: “Entretanto” é adversativo (oposição), enquanto “Porquanto” é explicativo/causal (introduz uma justificativa). No texto:

“A linguagem da academia deve ser, por definição, universal. Entretanto, os artigos científicos são, muitas vezes, impenetráveis.”

A relação é de contraste entre o ideal (universal) e a realidade (impenetrável). “Porquanto” introduziria uma causa, o que alteraria completamente o sentido. Erro: substituição por conectivo de valor semântico distinto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa sugere trocar “para que” por “desde que”. “Para que” expressa finalidade (objetivo), enquanto “desde que” expressa condição. No texto:

“Temos a responsabilidade de fazer uma parte do caminho para que a sociedade possa ter conhecimento da ciência...”

A ideia é de propósito — fazer o caminho com o objetivo de a sociedade conhecer a ciência. “Desde que” introduziria uma condição (ex.: “fazer o caminho, desde que a sociedade...”), o que não faz sentido no contexto. Erro: troca de finalidade por condição.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que a elipse da segunda ocorrência de “grupo” não prejudicaria a coesão nem os sentidos. Isso é verdadeiro. No trecho:

“O grupo dos Estados Unidos da América (EUA) utilizou um método matemático, enquanto o grupo francês apresentou uma imagem física...”

Se omitirmos “grupo”, teremos “enquanto o francês apresentou...”. O termo “francês” (adjetivo substantivado) retoma claramente “grupo francês”, e o paralelismo com “O grupo dos EUA” garante a compreensão. A elipse é um mecanismo coesivo legítimo, que evita repetição desnecessária sem gerar ambiguidade. Correta: a elipse é permitida e preserva o sentido.

Conclusão: a questão testa o domínio dos mecanismos de coesão e do valor semântico dos conectivos. A única alternativa que não propõe uma troca indevida é a E, que reconhece a elipse como recurso válido. Gabarito: letra E.

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