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Questão de Português — Conjunção — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsConjunção
Código
ce387414
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE RN
Ano
2026
Cargo
Ana Adm ( )

Comparações são de grande valor, uma vez que remetem uma relação desconhecida a uma conhecida. Também as comparações mais detalhadas, que evoluem para parábolas ou alegorias, são apenas a referência de alguma relação à sua apresentação mais simples, explícita e palpável.


No fundo, toda formação de conceitos se baseia em comparações, já que seu ponto de partida é a compreensão da semelhança e o abandono da dessemelhança nas coisas. Além disso, em última instância, todo entendimento propriamente dito consiste numa compreensão de relações, mas cada relação será compreendida de maneira mais clara e mais pura quando for reconhecida em casos muito diversificados e entre coisas inteiramente heterogêneas. Assim, enquanto só conheço uma relação num único caso particular, tenho dela somente um conhecimento individual, portanto apenas intuitivo. Porém, logo que identifico a mesma relação em pelo menos dois casos distintos, tenho um conceito de toda a sua espécie, portanto um conhecimento mais profundo e mais perfeito.


Justamente porque as comparações são uma alavanca tão poderosa para o conhecimento, a formulação de comparações surpreendentes e, ao mesmo tempo, apropriadas dá mostras de um entendimento profundo.


Arthur Schopenhauer. A arte de escrever. Tradução: Pedro Süssekind. Porto Alegre: L&PM, 2009 (com adaptações).

Texto CG1A1

 

Considerando os sentidos do texto CG1A1 e as relações de coesão e coerência nele estabelecidas, julgue o item a seguir.

 

No trecho "enquanto só conheço uma relação num único caso particular, tenho dela somente um conhecimento individual" (segundo parágrafo), a oração introduzida pelo termo "enquanto" exprime conformidade em relação à oração imediatamente subsequente.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O valor semântico de "enquanto" no texto de Schopenhauer

Gabarito: ERRADO. A oração introduzida por "enquanto" no trecho citado não exprime conformidade, mas sim uma relação de proporcionalidade/simultaneidade (ou, em última análise, de oposição entre duas situações contrastantes). A pista decisiva está no próprio texto: "enquanto só conheço uma relação num único caso particular, tenho dela somente um conhecimento individual" — o "enquanto" correlaciona duas circunstâncias que ocorrem de modo paralelo e contrastante, e não uma relação de acordo com um modelo, como ocorreria com "conforme", "segundo" ou "como".

O comando e o que ele pede

A questão é de gramática aplicada ao texto: não se pergunta o que o autor diz, mas que relação de sentido o conectivo "enquanto" estabelece entre as orações. Isso muda a estratégia: você não procura uma paráfrase do conteúdo, e sim o valor semântico do conectivo — e esse valor só se define pelo contexto. A banca afirma que o termo exprime "conformidade"; sua tarefa é verificar se essa classificação é correta.

O texto e o movimento argumentativo

No segundo parágrafo, Schopenhauer explica como se forma um conceito: primeiro, conhecemos uma relação em um caso particular (conhecimento individual, intuitivo); depois, identificando a mesma relação em casos distintos, formamos um conceito (conhecimento mais profundo). O trecho citado é a primeira parte desse contraste:

"enquanto só conheço uma relação num único caso particular, tenho dela somente um conhecimento individual"

O "enquanto" aqui contrapõe o conhecimento individual (caso único) ao conhecimento conceitual (casos distintos), que vem logo em seguida no texto: "Porém, logo que identifico a mesma relação em pelo menos dois casos distintos, tenho um conceito de toda a sua espécie". Há, portanto, uma relação de proporcionalidade/oposição: de um lado, o caso particular; de outro, o caso geral. O conectivo poderia ser substituído por "ao passo que" ou "à medida que", jamais por "conforme".

A técnica que decide: o valor semântico de "enquanto"

O conectivo "enquanto" é polissêmico — seu sentido depende do contexto. Veja os dois usos principais:

Uso

Valor semântico

Exemplo

Temporal

Simultaneidade (duas ações no mesmo tempo)

"Enquanto chovia, ele lia."

Proporcional/opositivo

Contraste entre duas situações que se correlacionam

"Enquanto uns estudam, outros dormem."

No trecho do texto, o "enquanto" não marca apenas tempo; ele estabelece um contraste lógico entre o conhecimento individual e o conhecimento conceitual. A relação é de proporcionalidade (à medida que conheço em um caso, tenho conhecimento individual) e, ao mesmo tempo, de oposição (um caso particular × casos distintos).

Já as conjunções conformativas — "conforme", "segundo", "consoante", "como" (no sentido de conforme) — expressam acordo, adequação a um modelo: "Conforme nos foi dito, amanhã não haverá aula". Não há, no trecho, nenhuma ideia de "de acordo com" ou "em conformidade com". O "enquanto" não se encaixa nesse grupo semântico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a polissemia do "enquanto" e a confusão entre classes de conjunções. O candidato que decora listas ("enquanto = temporal") pode até acertar por eliminação, mas quem confunde "proporcional" com "conformativo" cai na armadilha. A questão não pede decoreba: pede leitura do contexto.

Análise da assertiva

Assertiva — ❌ ERRADO

A afirmação de que "enquanto" exprime conformidade é falsa. No trecho, o conectivo estabelece uma relação de proporcionalidade/oposição entre o conhecimento individual (caso único) e o conhecimento conceitual (casos distintos). A prova está na estrutura do parágrafo: o autor contrapõe "enquanto só conheço uma relação num único caso particular" a "Porém, logo que identifico a mesma relação em pelo menos dois casos distintos". O "enquanto" introduz a primeira parte de um contraste, e não uma ideia de acordo com um modelo.

PEGA ESSA DICA!

Para classificar um conectivo, substitua-o por outro da mesma classe e veja se o sentido se mantém. Aqui, "enquanto" poderia ser trocado por "ao passo que" (proporcional) ou "à medida que" (proporcional), mas não por "conforme" (conformativo). Se a substituição quebra o sentido, a classificação está errada.

Conclusão

A assertiva está ERRADA porque classifica como "conformidade" uma relação que, no contexto, é de proporcionalidade/oposição. O "enquanto" não expressa acordo com um modelo; expressa um contraste correlacionado entre duas situações. A banca testa exatamente a capacidade de ler o conectivo pelo contexto, e não por uma lista decorada.

Gabarito: ERRADO (E).

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