Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — CESPE / CEBRASPE 2026
Português›Tipologia e Gênero Textual
Código
ce387426
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE RN
Ano
2026
Cargo
AudCE ( )
O Rio Grande do Norte é, hoje, parte do imenso território brasileiro. Ocupa uma área de aproximadamente 53.000 km2. A compreensão da história dessa parte do território nacional só é possível a partir da história da civilização ocidental e da história do Brasil. A história do Brasil, por sua vez, só é verdadeiramente compreendida se a pudermos apreciar desde antes da chegada da expedição cabralina, marco cronológico inicial da história brasileira. O "descobrimento" é, sem dúvida, fato da maior importância, mas por si só insuficiente para explicar a origem do Brasil. Para tanto, faz-se necessário o conhecimento dos fatos anteriores que nos possibilite uma compreensão mais abrangente do processo histórico que resultou no descobrimento dos rincões tupiniquins. Só assim poderemos entender o que ocorreu a partir da chegada dos portugueses, conhecer os motivos que levaram as monarquias cristãs europeias a empreender a expansão marítima mercantil, grandes navegações rumo ao desconhecido.
Sérgio Luiz Bezerra Trindade.
História do Rio Grande do Norte. Natal: Editora do IFRN, 2010, p. 13 (com adaptações).
Texto CG3A1
A respeito das ideias veiculadas no texto CG3A1 e de sua organização discursiva, julgue o item a seguir.
Quanto à tipologia, o texto é predominantemente injuntivo, pois tem a finalidade de instruir o leitor a respeito da verdadeira história do Rio Grande do Norte.
CCerto
EErrado
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GabaritoE — Errado
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Tipologia textual: o texto é injuntivo?
Gabarito: ERRADO. O texto CG3A1 não é predominantemente injuntivo; sua finalidade é expor e argumentar sobre a necessidade de se compreender a história do Rio Grande do Norte a partir de um contexto mais amplo, e não instruir o leitor sobre como fazer algo. A passagem que comprova isso é a tese central:
"A compreensão da história dessa parte do território nacional só é possível a partir da história da civilização ocidental e da história do Brasil."
O autor defende um ponto de vista (a necessidade de olhar para antes da chegada dos portugueses) e o justifica com argumentos — típico de texto dissertativo-argumentativo, não injuntivo.
O comando
A questão pede que se julgue a afirmação sobre a tipologia do texto. Isso exige identificar a finalidade predominante do texto, comparando-a com as características do tipo injuntivo. Não se trata de interpretar uma ideia implícita, mas de reconhecer a intenção comunicativa do autor.
O texto
O texto apresenta uma tese: para entender a história do Rio Grande do Norte, é preciso considerar a história ocidental e a do Brasil, inclusive o período anterior à chegada dos portugueses. O autor argumenta que o "descobrimento" é importante, mas insuficiente, e que é necessário conhecer os fatos anteriores. Essa estrutura — tese + argumentos — é característica do texto dissertativo-argumentativo, cuja finalidade é convencer o leitor.
A técnica
O texto injuntivo tem como finalidade instruir, orientar, prescrever procedimentos. Suas marcas linguísticas típicas são verbos no imperativo (faça, siga, misture) ou infinitivos com valor de ordem (adicionar, bater). Exemplos: receitas, manuais, bulas, editais.
O texto CG3A1 não apresenta nenhuma dessas marcas. Não há verbos no imperativo, não há sequência de passos a seguir, não há orientação de procedimento. O que há é uma exposição de ideias com o objetivo de defender uma tese. Portanto, a classificação correta seria dissertativo-argumentativo (ou, no máximo, dissertativo-expositivo, se considerarmos apenas a intenção de informar).
A afirmação de que o texto é "predominantemente injuntivo" é falsa. O texto não instrui o leitor; ele expõe e argumenta. A passagem que sustenta essa conclusão é a tese central:
"A compreensão da história dessa parte do território nacional só é possível a partir da história da civilização ocidental e da história do Brasil."
Essa frase não dá uma ordem nem um conselho de procedimento; ela defende uma ideia — a de que a história local só se entende num contexto maior. O autor desenvolve essa ideia com argumentos (a importância dos fatos anteriores, a insuficiência do "descobrimento" isolado), o que é típico da argumentação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato confundir a finalidade de informar/argumentar com a de instruir. O texto fala sobre como se deve estudar a história, mas isso é uma tese, não uma instrução no sentido injuntivo.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar a tipologia, pergunte: qual é a intenção do autor? Se ele quer convencer, é argumentativo; se quer ensinar um procedimento, é injuntivo. Aqui, o autor quer convencer o leitor de que é preciso olhar para antes de 1500.
Conclusão: o item está ERRADO, pois o texto é dissertativo-argumentativo, não injuntivo. A finalidade é expor e defender uma tese, não instruir o leitor.