Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce387427
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE RN
Ano
2026
Cargo
AudCE ( )
O Rio Grande do Norte é, hoje, parte do imenso território brasileiro. Ocupa uma área de aproximadamente 53.000 km2. A compreensão da história dessa parte do território nacional só é possível a partir da história da civilização ocidental e da história do Brasil. A história do Brasil, por sua vez, só é verdadeiramente compreendida se a pudermos apreciar desde antes da chegada da expedição cabralina, marco cronológico inicial da história brasileira. O "descobrimento" é, sem dúvida, fato da maior importância, mas por si só insuficiente para explicar a origem do Brasil. Para tanto, faz-se necessário o conhecimento dos fatos anteriores que nos possibilite uma compreensão mais abrangente do processo histórico que resultou no descobrimento dos rincões tupiniquins. Só assim poderemos entender o que ocorreu a partir da chegada dos portugueses, conhecer os motivos que levaram as monarquias cristãs europeias a empreender a expansão marítima mercantil, grandes navegações rumo ao desconhecido.
Sérgio Luiz Bezerra Trindade.
História do Rio Grande do Norte. Natal: Editora do IFRN, 2010, p. 13 (com adaptações).
Texto CG3A1
A respeito das ideias veiculadas no texto CG3A1 e de sua organização discursiva, julgue o item a seguir.
Infere-se do texto que a história do Brasil pode ser explicada por seus acontecimentos internos, privilegiando-se uma perspectiva linear e autossuficiente da história nacional.
CCerto
EErrado
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GabaritoE — Errado
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A tese do texto sobre a compreensão da história do Brasil
Gabarito: ERRADO. A assertiva afirma que o texto permite inferir que a história do Brasil pode ser explicada por seus acontecimentos internos, com perspectiva linear e autossuficiente — mas o texto defende exatamente o oposto: a compreensão da história brasileira depende da história da civilização ocidental e dos fatos anteriores à chegada dos portugueses. A passagem que decide é: "A compreensão da história dessa parte do território nacional só é possível a partir da história da civilização ocidental e da história do Brasil" e "O 'descobrimento' é, sem dúvida, fato da maior importância, mas por si só insuficiente para explicar a origem do Brasil".
O comando: inferência com pista no texto
O enunciado pede que se infira do texto — ou seja, que se deduza uma conclusão a partir de pistas deixadas pelo autor. Inferência legítima é aquela ancorada em pressupostos do próprio texto; extrapolação é deduzir além do que as pistas autorizam. Aqui, a assertiva não apenas extrapola: ela contradiz a tese central. O verbo "infere-se" não permite que se atribua ao texto uma ideia que ele refuta explicitamente.
O texto: tese e movimento argumentativo
O autor parte de uma constatação (o RN é parte do Brasil) e constrói uma tese: a história do Brasil não se explica por si mesma. Ele afirma que a compreensão "só é possível a partir da história da civilização ocidental e da história do Brasil" e que o descobrimento, embora importante, é "por si só insuficiente para explicar a origem do Brasil". Para entender o que veio depois, é preciso conhecer "os fatos anteriores" e os motivos da expansão marítima europeia. Ou seja: a perspectiva defendida é relacional, não autossuficiente — a história nacional se explica pelo contexto externo e anterior.
A técnica que decide: confrontar a assertiva com a tese
A assertiva diz que a história do Brasil pode ser explicada por "acontecimentos internos", com "perspectiva linear e autossuficiente". O texto diz o contrário: a explicação exige o conhecimento da história ocidental e dos fatos anteriores à chegada dos portugueses. Não há nenhuma pista que autorize a ideia de autossuficiência; ao contrário, o autor a nega ao dizer que o descobrimento é "insuficiente". Portanto, a inferência proposta é incompatível com o texto — é uma contradição, não uma dedução.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte a tese. Ela parafraseia o tema (história do Brasil) mas troca o núcleo: onde o texto diz "depende do externo e do anterior", a assertiva diz "explica-se por si mesma". O candidato que não localiza a tese cai na armadilha.
Item — ❌ ERRADO
A assertiva está errada porque contradiz o texto. Veja os trechos que a refutam:
"A compreensão da história dessa parte do território nacional só é possível a partir da história da civilização ocidental e da história do Brasil."
Aqui o autor afirma que a compreensão depende de algo externo (a civilização ocidental) — não é autossuficiente.
"O 'descobrimento' é, sem dúvida, fato da maior importância, mas por si só insuficiente para explicar a origem do Brasil."
O autor nega que um acontecimento interno (o descobrimento) baste para explicar a origem — exatamente o oposto da "perspectiva autossuficiente".
"Para tanto, faz-se necessário o conhecimento dos fatos anteriores que nos possibilite uma compreensão mais abrangente do processo histórico."
A necessidade de "fatos anteriores" reforça que a explicação não é linear (não começa no descobrimento) nem autossuficiente.
A assertiva, portanto, contradiz o texto — não é uma inferência válida, mas uma inversão da tese.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "infere-se", pergunte: "o texto me obriga a concluir isso?" Se a conclusão vai contra o que o autor afirma, é extrapolação ou contradição — nunca inferência.
Conclusão: a assertiva está ERRADA porque o texto defende que a história do Brasil só é compreendida a partir da história ocidental e dos fatos anteriores, não por acontecimentos internos e autossuficientes. Gabarito: ERRADO.