Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — CESPE / CEBRASPE 2026
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
ce387436
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE RN
Ano
2026
Cargo
AudCE ( )
O Rio Grande do Norte é, hoje, parte do imenso território brasileiro. Ocupa uma área de aproximadamente 53.000 km2. A compreensão da história dessa parte do território nacional só é possível a partir da história da civilização ocidental e da história do Brasil. A história do Brasil, por sua vez, só é verdadeiramente compreendida se a pudermos apreciar desde antes da chegada da expedição cabralina, marco cronológico inicial da história brasileira. O "descobrimento" é, sem dúvida, fato da maior importância, mas por si só insuficiente para explicar a origem do Brasil. Para tanto, faz-se necessário o conhecimento dos fatos anteriores que nos possibilite uma compreensão mais abrangente do processo histórico que resultou no descobrimento dos rincões tupiniquins. Só assim poderemos entender o que ocorreu a partir da chegada dos portugueses, conhecer os motivos que levaram as monarquias cristãs europeias a empreender a expansão marítima mercantil, grandes navegações rumo ao desconhecido.
Sérgio Luiz Bezerra Trindade.
História do Rio Grande do Norte. Natal: Editora do IFRN, 2010, p. 13 (com adaptações).
Texto CG3A1
Acerca dos sentidos e das estruturas linguísticas do texto CG3A1, julgue o item que se segue.
A coerência e a correção gramatical do texto seriam preservadas se o trecho "O 'descobrimento' é, sem dúvida, fato da maior importância, mas por si só insuficiente para explicar a origem do Brasil" fosse reescrito da seguinte forma: Embora o "descobrimento" seja, sem dúvida, fato da maior importância, ele por si só é insuficiente para explicar a origem do Brasil.
CCerto
EErrado
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GabaritoC — Certo
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Reescrita com 'embora': preservação de sentido e correção gramatical
Gabarito: Certo (C). A reescrita proposta mantém a coerência e a correção gramatical do trecho original, pois a conjunção "embora" estabelece a mesma relação de oposição/concessão que o "mas" original, e a estrutura verbal foi adequadamente ajustada para o modo subjuntivo ("seja"), com a pontuação correta. A passagem que sustenta a equivalência é o trecho original:
"O 'descobrimento' é, sem dúvida, fato da maior importância, mas por si só insuficiente para explicar a origem do Brasil"
A reescrita apresentada — "Embora o 'descobrimento' seja, sem dúvida, fato da maior importância, ele por si só é insuficiente para explicar a origem do Brasil" — preserva exatamente o mesmo conteúdo proposicional: reconhece a importância do descobrimento, mas afirma que isso não basta para explicar a origem do Brasil.
O comando da questão
A questão pede que se julgue se a reescrita mantém coerência (sentido) e correção gramatical (norma culta). Não se trata de interpretação de ideias, mas de reescritura de frases: verificar se a nova redação é equivalente à original, sem alterar o sentido e sem violar a sintaxe. O verbo "seriam preservadas" indica que devemos comparar as duas estruturas e ver se a mudança de conectivo e de modo verbal é aceitável.
O texto e o trecho em questão
No texto, o autor argumenta que o descobrimento é importante, mas insuficiente para explicar a origem do Brasil. A relação entre as duas ideias é de oposição: a primeira reconhece a importância, a segunda a relativiza. No original, essa oposição é marcada pela conjunção "mas", que liga duas orações coordenadas. Na reescrita, a oposição é marcada pela conjunção "embora", que introduz uma oração subordinada adverbial concessiva. Ambas expressam a mesma ideia de concessão: admite-se um fato, mas ele não impede a conclusão contrária.
A técnica: equivalência entre "mas" e "embora"
A troca de "mas" por "embora" é um recurso clássico de reescrita. O "mas" é uma conjunção coordenativa adversativa; o "embora" é uma conjunção subordinativa concessiva. Ambos estabelecem oposição, mas com diferenças sintáticas:
Com "mas": as duas orações são independentes (coordenadas). Ex.: "Ele é rico, mas não é feliz."
Com "embora": a oração introduzida é subordinada, exigindo o verbo no subjuntivo. Ex.: "Embora ele seja rico, não é feliz."
Na reescrita, o verbo "é" foi corretamente alterado para "seja" (presente do subjuntivo), atendendo à regência de "embora". A vírgula após "importância" separa a oração subordinada da principal, o que é obrigatório. O pronome "ele" retoma "descobrimento", garantindo a coesão referencial. Portanto, a reescrita está gramaticalmente correta e semanticamente equivalente.
Análise da alternativa
Reescrita com "embora": Relação de oposição ("mas" (coordenação), "embora" (subordinação)); Exigência do subjuntivo ("é" → "seja"); Pontuação (Vírgula após a oração concessiva); Coesão referencial (Pronome "ele" retoma "descobrimento")
Alternativa C — ✅ Certo ⟵ GABARITO
A reescrita está correta. O trecho original e o reescrito têm o mesmo sentido: o descobrimento é importante, mas não basta para explicar a origem do Brasil. A troca de "mas" por "embora" mantém a relação de oposição, e o ajuste do verbo para o subjuntivo ("seja") é obrigatório e foi feito. A pontuação também está adequada: a vírgula após "importância" isola a oração concessiva. Não há erro de coerência nem de gramática.
Alternativa E — ❌ Errado
Esta alternativa afirma que a reescrita não preservaria a coerência e a correção gramatical. Isso é falso, pois, como demonstrado, a reescrita é perfeitamente válida. Quem marca esta opção provavelmente não percebeu que "embora" exige o subjuntivo e que a reescrita já o utiliza corretamente, ou confundiu a relação de oposição com outra (como causa ou condição). O erro aqui é de troca de conceito: achar que "embora" muda o sentido, quando na verdade mantém a oposição.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "mas" (coordenação) e "embora" (subordinação). Muitos candidatos acham que a mudança de conectivo altera o sentido, mas ambos expressam oposição. A chave é verificar se o verbo foi passado para o subjuntivo e se a pontuação está correta.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de reescrita, teste a equivalência perguntando: "a relação entre as ideias é a mesma?" Se o conectivo original é adversativo (mas, porém, contudo), a reescrita com concessivo (embora, ainda que, conquanto) é válida, desde que o verbo seja ajustado para o subjuntivo.
Conclusão: a reescrita está correta, pois preserva o sentido de oposição e atende à norma culta. Portanto, o item está Certo.