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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
ce387441
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
TCE RN
Ano
2026
Cargo
Med ( )

A consolidação de um Estado comprometido com a boa governança, a eficiência e a integridade exige o reconhecimento de que a incorporação de tecnologias digitais avançadas, entre elas, a inteligência artificial (IA), deixou de representar mera inovação administrativa para se firmar como exigência estrutural da administração pública contemporânea.


Assim como os direitos fundamentais sociais dependem de políticas públicas adequadamente formuladas, os instrumentos de fiscalização demandam novas capacidades analíticas capazes de lidar com a complexidade crescente da gestão estatal. A IA, nesse sentido, emerge como ferramenta auxiliar indispensável para ampliar a capacidade do Estado de identificar riscos, interpretar dados massivos e orientar decisões estratégicas.


No âmbito do controle externo, os tribunais de contas assumem protagonismo natural nesse processo de transformação. O Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE/RN), guardião da legalidade e da racionalidade das políticas públicas, encontra-se diante do desafio de produzir uma atuação que seja, simultaneamente, tecnicamente sofisticada e constitucionalmente orientada. Isso implica compreender que a adoção de IA não se limita à implementação de ferramentas, mas exige a formação de servidores capazes de interagir criticamente com esses sistemas, avaliando seus limites, seus vieses e seus impactos. Trata-se, em última análise, de reconhecer que o exercício contemporâneo da fiscalização depende de agentes públicos dotados de letramento digital específico, condição indispensável para assegurar uma atuação estatal responsável e alinhada aos valores constitucionais.


Leonardo Medeiros Junior. O TCE do futuro: IA que ajuda, humanos que decidem. In: Revista do TCE, Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte, v. 27, n.º 1, dez./2025, p. 26 (com adaptações).

Texto CG6A1

 

Em relação aos sentidos e a aspectos linguísticos e discursivos do texto CG6A1, julgue o item a seguir.

 

No texto, há predominância do emprego de verbos no presente do indicativo, o que reforça a atualidade e a firmeza das argumentações.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Predominância do presente do indicativo e seus efeitos argumentativos

Gabarito: C (CERTO). O item está correto porque o texto, de fato, apresenta predominância de verbos no presente do indicativo, e esse emprego contribui para reforçar a atualidade e a firmeza das argumentações. Como se lê já no primeiro parágrafo: "a incorporação de tecnologias digitais avançadas... deixou de representar mera inovação administrativa para se firmar como exigência estrutural" — note que mesmo o pretérito "deixou" aparece em contraste com o presente "firmar", que expressa o estado atual e permanente. A tese central do texto é construída com verbos no presente, como "exige", "emergem", "assumem", "encontra-se", "implica", "depende", todos indicando verdades atemporais e convicções do autor.

O comando da questão

O enunciado pede um julgamento sobre aspectos linguísticos e discursivos do texto. Isso significa que a resposta não depende apenas do conteúdo (o que o texto diz), mas também da forma (como o texto diz) e do efeito de sentido produzido por essa forma. A banca quer que o candidato observe o tempo verbal predominante e avalie se a afirmação sobre seu efeito (atualidade e firmeza) procede. Trata-se de uma questão de interpretação ancorada na gramática em uso: o tempo verbal não é analisado isoladamente, mas pelo que ele faz no texto.

O texto e o movimento argumentativo

O texto é um artigo de opinião sobre a adoção de inteligência artificial na administração pública, com foco no TCE/RN. O autor defende que a IA deixou de ser inovação opcional e se tornou exigência estrutural. Para sustentar essa tese, ele usa o presente do indicativo como tempo-base, o que é típico de textos dissertativo-argumentativos que apresentam verdades universais ou estados permanentes. Veja os exemplos:

"A consolidação de um Estado comprometido com a boa governança... exige o reconhecimento..."

"A IA, nesse sentido, emerge como ferramenta auxiliar indispensável..."

"os tribunais de contas assumem protagonismo natural nesse processo..."

"Isso implica compreender que a adoção de IA não se limita à implementação de ferramentas..."

"o exercício contemporâneo da fiscalização depende de agentes públicos dotados de letramento digital..."

Todos esses verbos estão no presente do indicativo e expressam certeza, atemporalidade e vigência. O autor não está narrando fatos passados nem fazendo projeções futuras; ele está afirmando como as coisas são. Esse uso confere ao texto um tom de assertividade e atualidade, exatamente como afirma o item.

A técnica que decide a questão

A chave para resolver é reconhecer a função discursiva do presente do indicativo. Em textos argumentativos, o presente é o tempo da enunciação e da verdade geral. Ele indica que a afirmação vale agora e sempre, o que dá firmeza ao argumento. Se o autor tivesse usado o futuro do pretérito ("seria", "poderia"), o texto ganharia um tom de hipótese e incerteza. Se usasse o pretérito ("foi", "era"), o texto se tornaria um relato de fatos passados, sem a força de uma constatação atual. O presente, portanto, é a escolha linguística que materializa a convicção do autor.

A banca explora exatamente essa relação entre forma verbal e efeito de sentido. O candidato que apenas conta os verbos e verifica a predominância já acerta; mas quem entende por que o presente produz firmeza tem segurança total. A atualidade vem do fato de o presente indicar que a situação descrita é vigente; a firmeza vem do fato de o presente expressar certeza e atemporalidade, sem marcas de dúvida ou condição.

Análise do item

O item afirma duas coisas: (1) há predominância de verbos no presente do indicativo; (2) isso reforça a atualidade e a firmeza das argumentações. Ambas as partes são verdadeiras e estão ancoradas no texto. A predominância é facilmente verificável: a quase totalidade dos verbos principais está no presente. O efeito de sentido também é claro: o texto soa como uma constatação atual e categórica, não como uma especulação. Portanto, o item está correto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões sobre tempo verbal, pergunte-se: "que efeito esse tempo produz no texto?" Presente = atualidade, certeza, verdade geral; pretérito = narração, fato passado; futuro do pretérito = hipótese, condição. Essa associação resolve a maioria das questões do Cespe.

Gabarito: C (CERTO).

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