Função sintática do pronome relativo "que" no segundo parágrafo
Gabarito: letra B. Na oração "que não queria saber de brincadeira", o pronome relativo "que" retoma "Mundoca", pois é o termo imediatamente anterior que funciona como antecedente. A prova está na substituição: "Mundoca não queria saber de brincadeira" — a oração adjetiva restringe o sentido do substantivo próprio, característica típica do pronome relativo.
"...e até mesmo de Mundoca, que não queria saber de brincadeira."
O trecho mostra que a oração iniciada por "que" se liga diretamente a "Mundoca", o último nome da enumeração. O pronome relativo "que" equivale a "a qual" e retoma o termo antecedente mais próximo, que aqui é "Mundoca".
O comando da questão
O enunciado pede para assinalar a opção correta em relação a aspectos linguísticos do segundo parágrafo. Isso significa que a questão é de análise sintática e morfossintática — não de interpretação de sentido. Cada alternativa faz uma afirmação sobre a função de um termo ou a classificação de uma palavra; a tarefa é verificar se a afirmação está correta à luz da gramática normativa aplicada ao texto.
O texto e o ponto central
O segundo parágrafo apresenta a boneca Ceci esperando o vestido novo, com retalhos "roubados da avó, da mãe, e até mesmo de Mundoca". A oração "que não queria saber de brincadeira" é uma oração subordinada adjetiva restritiva — ela restringe o sentido de "Mundoca", indicando que essa pessoa, especificamente, não queria saber de brincadeira. O pronome relativo "que" é o conectivo que retoma o antecedente.
A técnica para identificar o antecedente do pronome relativo
Para descobrir o referente de um pronome relativo, o método é simples: substitua o pronome pelo termo anterior e veja se a oração faz sentido. No caso:
A substituição funciona perfeitamente, confirmando que "que" retoma "Mundoca". O pronome relativo "que" é invariável e pode retomar pessoa ou coisa; aqui, retoma um nome próprio de pessoa.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Os termos "da avó", "da mãe" e "de Mundoca" não são adjuntos adnominais. Eles completam o sentido do substantivo "retalhos" — "retalhos roubados da avó, da mãe e de Mundoca". O verbo "roubar" pede complemento: quem rouba, rouba algo de alguém. Assim, esses termos funcionam como complemento nominal (completam o nome "retalhos" com ideia de origem/procedência), não como adjunto adnominal. O adjunto adnominal caracteriza o substantivo sem completar seu sentido; aqui, há uma relação de complementação exigida pelo sentido do nome.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como demonstrado, o pronome relativo "que" retoma "Mundoca". A oração "que não queria saber de brincadeira" é subordinada adjetiva restritiva, e o pronome "que" equivale a "a qual", referindo-se ao termo imediatamente anterior. A substituição confirma: "Mundoca não queria saber de brincadeira".
Alternativa C — ❌ Incorreta
O verbo "saber", na oração "que não queria saber de brincadeira", é transitivo indireto, não transitivo direto. Quem não quer saber, não quer saber de alguma coisa — exige a preposição "de". O termo "de brincadeira" é objeto indireto. A alternativa erra ao classificar o verbo como transitivo direto, que seria o caso se o complemento viesse sem preposição (ex.: "saber a resposta").
Alternativa D — ❌ Incorreta
A expressão "de olhos duros" não é complemento do nome "Ceci". Ela funciona como adjunto adverbial de modo — indica a maneira como Ceci esperava o vestido novo (com olhos duros, fixos). O complemento nominal completaria o sentido de um nome (ex.: "medo de altura"); aqui, "de olhos duros" modifica o verbo "esperava", caracterizando a circunstância da ação. Além disso, "Ceci" é o sujeito da oração, não um nome que exija complemento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O vocábulo "porque", em "porque em nova forma", não expressa condição. No contexto, "porque" tem valor explicativo — explica o motivo de Ceci esperar o vestido novo: porque estaria em nova forma (renovada). A condição seria expressa por "se" ou "caso" (ex.: "se em nova forma"). O "porque" explicativo introduz uma justificativa, não uma hipótese.
Fechamento
A questão testa a habilidade de identificar a função do pronome relativo e de distinguir termos sintáticos. A pegadinha central está em confundir complemento nominal com adjunto adnominal (alternativa A) e em classificar erroneamente a transitividade do verbo (alternativa C). Para acertar, aplique sempre o teste da substituição do pronome relativo pelo antecedente e verifique a regência do verbo.
Gabarito: letra B