Questão de Português — Conjunção — CESPE / CEBRASPE 2026
Português›Conjunção
Código
ce387476
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEDUC PI
Ano
2026
Cargo
Prof ( )
Existe um consenso entre linguistas, atualmente, de que o ensino não pode mais continuar considerando errado o uso que o falante faz de sua língua. Admitidas as variações existentes no uso da língua, o ensino tem de deixar de ser prescritivo para ser descritivo e produtivo. No ensino descritivo, mostra-se como a língua funciona e dá-se ao(à) aluno(a) consciência do uso que ele(a) próprio(a) faz de sua língua; no produtivo, ensinam-se ao(à) aluno(a) variantes de sua língua apropriadas a diversas situações, de modo que possa efetivamente usá-las de acordo com suas necessidades. Com esses dois tipos de ensino, procura-se atingir os objetivos do ensino: o objetivo educacional de mostrar como funciona a língua e o objetivo pragmático de dar meios aos falantes de usar apropriadamente a sua língua. No entanto, a linguística não tem receitas a oferecer. Extrair de uma teoria linguística algumas de suas noções básicas e usá-las isoladamente, fora do conjunto da teoria, não é renovar o ensino de línguas: isso seria pura mistificação. Qualquer aplicação possível da linguística ao ensino de línguas deve ser o resultado de longa reflexão e de um trabalho conjunto entre linguistas e professores.
Lúcia Lobato. Linguística
e ensino de línguas. Editora da UnB: Brasília, 2015, p. 53-54 (com adaptações).
Texto 12A1-II
A coerência das ideias do texto 12A1-II seria mantida caso a expressão “No entanto” (antepenúltimo período) fosse substituída por
APor conseguinte.
BPortanto.
CPor isso.
DLogo.
EContudo.
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GabaritoE — Contudo.
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Substituição de “No entanto” por conectivo equivalente
Gabarito: letra E. A expressão “No entanto” é uma locução conjuntiva adversativa (indica oposição/ressalva), e a única alternativa que preserva esse valor é “Contudo”, também adversativa. As demais opções (Por conseguinte, Portanto, Por isso, Logo) são conclusivas — trocariam a relação de oposição por uma de conclusão, quebrando a coerência do trecho.
O comando pede uma substituição que mantenha a coerência das ideias — ou seja, exige que o novo conectivo preserve a relação semântica que “No entanto” estabelece entre o que vem antes e o que vem depois. Não se trata de sinônimo perfeito, mas de mesmo valor lógico-discursivo. No texto, “No entanto” introduz uma ressalva à ideia anterior: o autor vinha defendendo o ensino descritivo e produtivo, mas adverte que “a linguística não tem receitas a oferecer”. Há, portanto, um contraste entre a expectativa criada (aplicar a linguística ao ensino) e a realidade (não há receitas prontas).
A técnica decisiva é classificar o conectivo pelo valor semântico e testar se a troca mantém a relação. Conectivos adversativos formam uma família: mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto, não obstante, só que. Já os conclusivos (logo, portanto, por conseguinte, por isso, assim) indicam consequência ou dedução — relação totalmente diversa. A banca montou a pegadinha justamente com quatro conclusivos, porque muitos candidatos confundem “no entanto” com “portanto” por começarem com “por” ou soarem parecidos.
PEGA ESSA DICA!
Ao substituir conectivos, pergunte: “que relação o conectivo original estabelece?” Se for oposição, só serve outro adversativo; se for conclusão, só serve conclusivo. Nunca troque um pelo outro.
Conectivos
1Adversativos (oposição/ressalva)
No entanto
Contudo
Mas, porém, todavia, entretanto
2Conclusivos (consequência/dedução)
Logo
Portanto
Por conseguinte
Por isso
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Alternativa A — ❌ Incorreta
“Por conseguinte” é locução conclusiva (= portanto, em consequência). Substituir “No entanto” por ela transformaria a ressalva em conclusão, invertendo a lógica do período. O texto diria que, por causa do ensino descritivo/produtivo, a linguística não tem receitas — o que não é o sentido original. Erro: troca de valor semântico (conclusivo no lugar de adversativo).
Alternativa B — ❌ Incorreta
“Portanto” é conjunção conclusiva. Mesmo problema da A: introduziria uma conclusão onde há uma oposição/ressalva. A coerência se romperia, pois o trecho “a linguística não tem receitas” não é consequência do que foi dito, mas uma advertência contrária à expectativa. Erro: troca de valor semântico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“Por isso” é locução conclusiva (indica consequência). Também quebraria a relação de contraste. O autor não diz que a linguística não tem receitas por causa do ensino descritivo; ele faz uma ressalva após defender esse ensino. Erro: troca de valor semântico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“Logo” é conjunção conclusiva. Idêntico às anteriores: transformaria a oposição em conclusão, alterando o sentido e a coerência. Erro: troca de valor semântico.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“Contudo” é conjunção adversativa, exatamente como “No entanto”. A substituição preserva a relação de oposição/ressalva entre a defesa do ensino descritivo/produtivo e a advertência de que “a linguística não tem receitas a oferecer”. A coerência é mantida porque o valor semântico é o mesmo. Única alternativa que não altera o sentido do texto.