Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
ce387494
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEMA AM
Ano
2026
Cargo
AA ( )

A 30.ª Conferência do Clima da ONU (COP 30), realizada em Belém – PA, em novembro de 2025, terminou com decisões consideradas insuficientes diante da gravidade da crise climática.

 

Temas centrais como a eliminação dos combustíveis fósseis e o enfrentamento ao desmatamento ficaram de fora dos resultados, enquanto o financiamento climático — elemento crucial para reparação histórica e apoio aos países em desenvolvimento — avançou pouco e segue distante do que seria um compromisso justo, público e acessível.

 

Por outro lado, a COP 30 registrou conquistas históricas.

 

Após quatro conferências com restrições à participação social, Belém se tornou palco de uma mobilização global inédita. A Cúpula dos Povos reuniu 25 mil pessoas e mais de mil organizações do mundo inteiro em cinco dias de plenárias, debates e articulações na Universidade Federal do Pará. A presença indígena também foi marcante: cerca de 3 mil representantes formaram uma grande aldeia na cidade. A Marcha Global pelo Clima levou 70 mil pessoas às ruas sob o lema “A resposta somos nós!”.

 

Também, pela primeira vez na história das COP, o tema do racismo ambiental ganhou destaque oficial. A presidência brasileira publicou uma declaração conclamando todas as nações a enfrentar as desigualdades que impactam de forma desproporcional pessoas negras, povos indígenas e comunidades tradicionais. O termo “afrodescendente” apareceu em documentos oficiais relativos à Transição Justa, ao Plano de Ação de Gênero e aos Objetivos Globais de Adaptação — um marco sem precedentes. O tema também foi transversal em diversos eixos da Cúpula dos Povos.

 

Outro avanço importante foi a aprovação do Plano de Ação de Gênero 2026-2034, com vitórias importantes após forte atuação de movimentos feministas, negros e latino-americanos. O documento reconhece defensoras ambientais, o trabalho de cuidados, a violência de gênero e, pela primeira vez, mulheres e meninas afrodescendentes como centrais na ação climática.

 

Apesar dos avanços históricos em temas como justiça de raça e gênero, participação social e transição justa, o resultado final ficou longe da urgência necessária para o enfrentamento da crise climática, sobretudo no que diz respeito à eliminação dos combustíveis fósseis, ao combate ao desmatamento e ao financiamento climático. “As divisões geopolíticas ficaram expostas”, afirmou Cristiane Ribeiro, do colegiado de gestão do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC).

 

Internet: <www.inesc.org.br> (com adaptações).

Texto CB1A1-I

   

Com base nas relações coesivas e nos sentidos veiculados no segundo período do parágrafo do texto CB1A1-I, entende-se que a expressão “reparação histórica” é uma referência

  1. Aao enfrentamento da crise climática pelos países desenvolvidos por meio da eliminação dos combustíveis fósseis e do fim do desmatamento.
  2. Bà dívida moral contraída pelos países desenvolvidos pela exploração de mão de obra escravizada.
  3. Cà necessidade de ressarcimento dos países desenvolvidos às antigas colônias pelos séculos de exploração de suas riquezas.
  4. Dà compensação que se espera dos países desenvolvidos em razão de sua contribuição para a crise climática.
  5. Eà prontidão dos países desenvolvidos em apoiar financeiramente os países em desenvolvimento para o enfrentamento à crise climática.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — à compensação que se espera dos países desenvolvidos em razão de sua contribuição para a crise climática.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O sentido de “reparação histórica” no contexto da COP 30

Gabarito: letra D. A expressão “reparação histórica” refere-se, no texto, à compensação que se espera dos países desenvolvidos em razão de sua contribuição para a crise climática — e não a dívidas coloniais ou à escravidão. A pista está no segundo período, que liga o financiamento climático à “reparação histórica” e ao “apoio aos países em desenvolvimento”, dentro do debate sobre a crise climática.

O comando pede que você identifique a referência da expressão “reparação histórica” no segundo período do texto. Isso é uma questão de coesão referencial: a expressão retoma, por meio do contexto, uma ideia já apresentada ou que se constrói naquele trecho. Não se trata de buscar o sentido literal da palavra “reparação” (como indenização por danos passados em geral), mas de ver a que exatamente o texto está se referindo quando usa essa expressão.

No segundo período, lemos:

“Temas centrais como a eliminação dos combustíveis fósseis e o enfrentamento ao desmatamento ficaram de fora dos resultados, enquanto o financiamento climático — elemento crucial para reparação histórica e apoio aos países em desenvolvimento — avançou pouco e segue distante do que seria um compromisso justo, público e acessível.”

A expressão “reparação histórica” aparece dentro do aposto que explica o que é o financiamento climático. Ou seja, o financiamento climático é visto como um instrumento de reparação histórica. E qual é a “história” que se quer reparar? O texto fala de crise climática, de combustíveis fósseis, de desmatamento e de países em desenvolvimento. A reparação, portanto, está ligada à contribuição histórica dos países desenvolvidos para a crise climática — eles poluíram mais e agora devem compensar os países mais vulneráveis.

A alternativa D captura exatamente isso: “compensação que se espera dos países desenvolvidos em razão de sua contribuição para a crise climática”. Ela é uma paráfrase fiel do trecho, sem acrescentar nada de fora.

As demais alternativas extrapolam o texto, trazendo ideias que não estão nele (como escravidão, colonialismo) ou restringem o sentido (como a letra E, que fala apenas em “prontidão” e “apoio financeiro”, sem o caráter de compensação).

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa A diz que “reparação histórica” se refere ao “enfrentamento da crise climática pelos países desenvolvidos por meio da eliminação dos combustíveis fósseis e do fim do desmatamento”. O texto menciona esses temas, mas não os associa diretamente à expressão “reparação histórica”. No segundo período, a reparação está ligada ao financiamento climático, não à eliminação de combustíveis fósseis ou ao desmatamento (que, aliás, ficaram “de fora dos resultados”). A alternativa troca o referente: pega elementos do mesmo parágrafo, mas os conecta de forma indevida. Erro: troca_conceito.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B fala em “dívida moral contraída pelos países desenvolvidos pela exploração de mão de obra escravizada”. O texto não menciona escravidão em nenhum momento. Essa é uma extrapolação clássica: o candidato traz conhecimento de mundo (a escravidão como dívida histórica) e o projeta no texto, mas o texto não autoriza. A “reparação histórica” aqui é climática, não racial ou trabalhista. Erro: fora_do_escopo (extrapolação).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C fala em “ressarcimento dos países desenvolvidos às antigas colônias pelos séculos de exploração de suas riquezas”. Novamente, o texto não trata de colonialismo nem de exploração de riquezas coloniais. É outra extrapolação baseada em conhecimento histórico geral, mas ausente do texto. A referência correta está no contexto climático, não no colonial. Erro: fora_do_escopo (extrapolação).

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como vimos, a alternativa D é a única que se ancora no texto. O segundo período associa “reparação histórica” ao financiamento climático, que é “elemento crucial para reparação histórica e apoio aos países em desenvolvimento”. A compensação esperada dos países desenvolvidos decorre de sua contribuição para a crise climática — é isso que o texto sugere ao falar em “compromisso justo, público e acessível”. A alternativa D é uma paráfrase desse trecho, sem acrescentar nem restringir. É a resposta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E fala em “prontidão dos países desenvolvidos em apoiar financeiramente os países em desenvolvimento para o enfrentamento à crise climática”. Ela se aproxima do texto, mas restringe o sentido: o texto fala em “reparação histórica”, que carrega um sentido de compensação por danos passados, não apenas “prontidão” ou “apoio financeiro”. Além disso, o texto diz que o financiamento “avançou pouco e segue distante do que seria um compromisso justo”, o que indica que não há prontidão — pelo contrário, há insuficiência. A alternativa contradiz o tom do texto e restringe o alcance da expressão. Erro: contradiz_texto (e generalizacao por restringir).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o sentido contextual de “reparação histórica” (ligado à crise climática) e o sentido histórico-genérico (colonialismo, escravidão). As alternativas B e C são extrapolações com fatos verdadeiros do mundo real, mas ausentes do texto. A letra E é uma restrição que suaviza o sentido de compensação.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de coesão referencial, grife o termo e volte ao trecho em que ele aparece. Pergunte: “a que exatamente o texto está se referindo?”. Não traga conhecimento de mundo que o texto não autoriza.

Gabarito: letra D.

Link permanente: /questoes/ce387494