Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — CESPE / CEBRASPE 2026
Português›Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
ce387499
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEMA AM
Ano
2026
Cargo
AA ( )
O Collège de France, uma das instituições de ensino superior e pesquisa científica mais prestigiosas da França, recebeu, em abril de 2025, o único imortal indígena da Academia Brasileira de Letras, o escritor Ailton Krenak. O filósofo emocionou a plateia de acadêmicos com uma visão singular sobre a crise climática e a destruição dos recursos naturais do planeta.
O escritor alertou que, diante das evidências científicas sobre o impacto das ações humanas sobre o clima, como o uso de combustíveis fósseis, a humanidade “está experimentando a imensa perda da qualidade da experiência de estar viva”. Segundo ele, “não estamos só ameaçados pelo clima, mas pela imobilidade”.
Na sua palestra, Krenak incitou os presentes a “cogitarem outros mundos, além dessa experiência quase terminal que nós passamos a experimentar no século 21”. Segundo ele, “estamos provocando o colapso do mundo que nós habitamos, o seu empobrecimento, e não estamos sendo capazes de cogitar outros”.
Nesses outros mundos, que o escritor reporta à floresta, o modo de vida e os hábitos de consumo dos centros urbanos não são mais o foco. “Nós somos a presença mais efêmera da Terra, e estamos causando um dano irreparável a outras formas de vida, como se nós tivéssemos a Terra à nossa disposição”, constatou.
O filósofo brasileiro apresentou ao público seus conceitos de “florestania” (da junção de “floresta” com “cidadania”) e “floricidade” (“floresta” e “cidade”). Em plena capital francesa, erguida sobre pedras e concreto e que hoje briga para devolver os espaços verdes aos seus moradores, as palavras de Krenak inspiram.
“Na maioria das cidades, jazem os rios debaixo das calçadas e estruturas que vão erigindo essa paisagem tão atraente que são as cidades. Como pensar uma floricidade? Como pensar num lugar onde um rio e uma floresta possam conviver com essa nossa disposição para nos socializarmos e reunirmos em espaços tão acolhedores e seguros que são as cidades?”, indagou.
Da organização das ideias do texto CB1A1-II entende-se que a condição humana a que se refere Krenak no segmento ‘não estamos sendo capazes de cogitar outros' é uma referência
Aao empobrecimento do mundo que a humanidade provoca.
Bà ameaça do clima.
Cao colapso do mundo provocado pela humanidade.
Dà destruição dos recursos naturais do planeta.
Eà imobilidade que ameaça a humanidade.
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GabaritoE — à imobilidade que ameaça a humanidade.
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A condição humana em "não estamos sendo capazes de cogitar outros"
Gabarito: letra E. A expressão "não estamos sendo capazes de cogitar outros" refere-se à imobilidade que ameaça a humanidade, conforme o texto: "não estamos só ameaçados pelo clima, mas pela imobilidade". A alternativa E é a única que captura exatamente o que Krenak aponta como a condição que impede a humanidade de pensar em alternativas — não o clima, nem o colapso, mas a paralisia diante deles.
O comando da questão
O enunciado pede uma interpretação — "Da organização das ideias do texto... entende-se que" —, ou seja, exige que se identifique o referente semântico de uma expressão dentro do texto. Não se trata de uma informação explícita e isolada, mas de uma relação de sentido que o texto estabelece entre a incapacidade de "cogitar outros" e a causa dessa incapacidade. A tarefa é rastrear, no texto, o que Krenak associa diretamente a essa impossibilidade.
O texto e o movimento argumentativo
O texto apresenta a fala de Krenak sobre a crise climática. No segundo parágrafo, ele estabelece uma oposição crucial:
"não estamos só ameaçados pelo clima, mas pela imobilidade"
Essa frase é a chave. Krenak não nega a ameaça do clima; ele a supera ao afirmar que há algo mais profundo: a imobilidade. No terceiro parágrafo, ele desenvolve essa ideia:
"estamos provocando o colapso do mundo que nós habitamos, o seu empobrecimento, e não estamos sendo capazes de cogitar outros"
Aqui, a estrutura é clara: "estamos provocando o colapso... e não estamos sendo capazes de cogitar outros". O "e" liga duas ações humanas: provocar o colapso e não conseguir cogitar alternativas. A pergunta é: o que impede essa cogitação? A resposta está no parágrafo anterior: a imobilidade. É ela que paralisa a humanidade diante do colapso que ela mesma provoca.
A técnica que decide
A questão testa a capacidade de estabelecer a relação semântica correta entre as ideias. O erro mais comum é confundir a causa (o colapso, o empobrecimento) com o impedimento (a imobilidade). O texto diz que a humanidade provoca o colapso e não consegue cogitar outros mundos. A razão dessa incapacidade não é o colapso em si, mas a imobilidade — a paralisia, a falta de movimento para pensar diferente.
Observe a sequência lógica:
A humanidade provoca o colapso (ação).
A humanidade não consegue cogitar outros mundos (incapacidade).
Essa incapacidade é causada pela imobilidade (causa).
A alternativa E é a única que nomeia essa causa. As demais apontam para os efeitos ou sintomas da crise, não para a condição que impede a superação.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
"estamos provocando o colapso do mundo que nós habitamos, o seu empobrecimento, e não estamos sendo capazes de cogitar outros"
O empobrecimento do mundo é uma consequência da ação humana, mencionada no mesmo trecho. Mas a expressão "não estamos sendo capazes de cogitar outros" não se refere ao empobrecimento; ela se refere à incapacidade de pensar alternativas. A alternativa troca a causa pelo efeito: o empobrecimento é o resultado, não o impedimento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"não estamos só ameaçados pelo clima, mas pela imobilidade"
A alternativa B aponta para a ameaça do clima, mas o texto explicitamente a supera: "não estamos só ameaçados pelo clima". Krenak reconhece a ameaça climática, mas afirma que há algo além — a imobilidade. A alternativa restringe o alcance da afirmação, ignorando a parte mais importante: a imobilidade como ameaça maior.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"estamos provocando o colapso do mundo que nós habitamos, o seu empobrecimento, e não estamos sendo capazes de cogitar outros"
Assim como a A, a alternativa C aponta para o colapso como referente. Mas o colapso é a ação que a humanidade provoca, não a condição que impede a cogitação. A expressão "não estamos sendo capazes" descreve uma incapacidade, e o texto atribui essa incapacidade à imobilidade, não ao colapso. A alternativa contradiz a relação de causa estabelecida no texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A destruição dos recursos naturais é o tema geral do texto, mencionado no primeiro parágrafo: "a destruição dos recursos naturais do planeta". No entanto, a expressão específica "não estamos sendo capazes de cogitar outros" está ligada à imobilidade, não à destruição em si. A alternativa tangencia o tema: fala de algo relacionado, mas não do referente exato da expressão.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"não estamos só ameaçados pelo clima, mas pela imobilidade"
A alternativa E é a única que identifica corretamente a imobilidade como a condição que impede a humanidade de cogitar outros mundos. O texto estabelece uma oposição entre a ameaça do clima e a ameaça da imobilidade, e é esta última que explica a incapacidade de pensar em alternativas. A expressão "não estamos sendo capazes de cogitar outros" é a consequência direta da imobilidade.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece alternativas que apontam para os efeitos da crise (colapso, empobrecimento, destruição) para confundir o candidato. A chave é perceber que a expressão "não estamos sendo capazes" descreve uma incapacidade, e o texto atribui essa incapacidade à imobilidade, não aos efeitos.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o referente de uma expressão, procure no texto a causa ou condição que a explica, não apenas o tema geral. Pergunte: "o que impede essa ação?" — a resposta estará no texto.