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Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
ce387503
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
SEMA AM
Ano
2026
Cargo
TNS ( )

É claro que a gramática tem uma função sociocognitiva relevante, desde que entendida como uma ferramenta que permite uma melhor atuação comunicativa. O problema é fazer de uma metalinguagem técnica e de uma análise formal o centro do trabalho com a língua. Também não se deve reduzir a língua à ortografia e às regras gramaticais. E nesse sentido, temos a ver com uma correta identificação do que seja a gramática. O falante deve saber flexionar os verbos e usar os tempos e os modos verbais para obter os efeitos desejados; deve saber usar os artigos e os pronomes para não confundir seu ouvinte; deve seguir a concordância verbo-nominal naquilo que for necessário à boa comunicação; e assim por diante. Mas ele não precisa justificar com algum argumento por que faz isso ou aquilo nessas escolhas.

 

O falante de uma língua deve fazer-se entender e não explicar o que está fazendo com a língua, ponto.

 

Luiz Antônio Marcuschi. Produção textual:

análise de gêneros e compreensão.

São Paulo: Parábola Editorial, 2008, p. 57.

Texto CB2A1-I

   

O texto CB2A1-I caracteriza-se como

  1. Aexpositivo, quanto ao tipo, e publicitário, quanto ao gênero, com finalidade persuasiva imediata.
  2. Bargumentativo, quanto ao tipo, e uma reflexão teórica sobre a linguagem, quanto ao gênero.
  3. Cnarrativo, quanto ao tipo, e semelhante à crônica, quanto ao gênero, uma vez que se baseia em experiências cotidianas.
  4. Dinjuntivo, quanto ao tipo, e um manual normativo, quanto ao gênero, visto que é voltado à prescrição de regras.
  5. Edescritivo, quanto ao tipo, e científico, quanto ao gênero, já que seu foco é a sistematização conceitual.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — argumentativo, quanto ao tipo, e uma reflexão teórica sobre a linguagem, quanto ao gênero.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia e gênero do texto de Marcuschi

Gabarito: letra B. O texto é argumentativo quanto ao tipo, pois defende uma tese — a de que a gramática deve ser entendida como ferramenta comunicativa e não como fim em si mesma — e uma reflexão teórica sobre a linguagem quanto ao gênero, pois discute conceitos e posições sobre o ensino de língua. A passagem que ancora essa leitura é a tese central:

"É claro que a gramática tem uma função sociocognitiva relevante, desde que entendida como uma ferramenta que permite uma melhor atuação comunicativa. O problema é fazer de uma metalinguagem técnica e de uma análise formal o centro do trabalho com a língua."

O autor não apenas expõe informações: ele assume uma posição (a gramática como ferramenta, não como centro) e a defende com argumentos, o que caracteriza o tipo argumentativo. O gênero, por sua vez, é uma reflexão teórica, típica de um ensaio acadêmico, e não um manual, uma crônica ou um texto publicitário.

O comando: identificar tipo e gênero

A questão pede que você classifique o texto em duas dimensões: tipo textual (a estrutura linguística predominante: narrativo, descritivo, expositivo, argumentativo, injuntivo) e gênero textual (a forma concreta e socialmente situada: crônica, manual, artigo, etc.). A banca mistura essas duas classificações nas alternativas, então o primeiro passo é separá-las mentalmente. O tipo é definido pela intenção comunicativa predominante; o gênero, pela função social e pelo formato. Aqui, a intenção é persuadir (defender um ponto de vista), e a função é refletir teoricamente sobre a linguagem.

O texto: tese e argumentação

O texto de Marcuschi é um fragmento de uma obra acadêmica. Ele começa com uma concessão ("É claro que a gramática tem uma função sociocognitiva relevante"), mas logo introduz a tese com um operador argumentativo: "O problema é fazer de uma metalinguagem técnica e de uma análise formal o centro do trabalho com a língua." A partir daí, ele desenvolve argumentos: o falante deve saber usar a língua para se comunicar bem, mas não precisa justificar tecnicamente suas escolhas. A conclusão é enfática: "O falante de uma língua deve fazer-se entender e não explicar o que está fazendo com a língua, ponto." Esse movimento — tese, argumentos, conclusão — é a estrutura clássica do texto dissertativo-argumentativo. Não há narração de fatos, nem descrição estática, nem instruções ao leitor.

A técnica: tipo × gênero

A pegadinha central é confundir tipo com gênero. O tipo é a "espinha dorsal" do texto; o gênero é o "vestido" que ele usa em cada situação. Um mesmo tipo pode aparecer em vários gêneros: um texto argumentativo pode ser um artigo de opinião, um editorial, uma carta de leitor, uma reflexão teórica. Aqui, o gênero é uma reflexão teórica — um texto que discute conceitos e posições sobre a linguagem, típico de ensaios e artigos acadêmicos. Não é um manual (que prescreve regras), não é uma crônica (que narra experiências cotidianas), não é um texto publicitário (que busca vender algo).

Análise das alternativas

Tipo textual
  • 1Intenção predominante
    • Narrativo (relato)
    • Descritivo (caracterização)
    • Expositivo (informar)
    • Argumentativo (defender tese)
    • Injuntivo (instruir)
  • 2Gênero textual
    • Função social e formato
      • Crônica
      • Manual
      • Publicitário
      • Reflexão teórica
      • Artigo científico
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"expositivo, quanto ao tipo, e publicitário, quanto ao gênero, com finalidade persuasiva imediata."

Erro: contradiz o texto e mistura conceitos. O texto não é expositivo, pois não se limita a informar; ele defende uma tese. E não é publicitário: não há apelo comercial nem finalidade persuasiva imediata de consumo. A finalidade persuasiva existe, mas é de natureza argumentativa/teórica, não publicitária. A alternativa tangencia o tema ao falar em persuasão, mas a aplica ao gênero errado.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"argumentativo, quanto ao tipo, e uma reflexão teórica sobre a linguagem, quanto ao gênero."

Correta. O texto é argumentativo porque apresenta uma tese e a defende com argumentos, como se vê na passagem citada. O gênero é uma reflexão teórica, pois discute o papel da gramática e do ensino de língua de forma conceitual, sem prescrever regras práticas. A alternativa é uma paráfrase fiel do que o texto faz.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"narrativo, quanto ao tipo, e semelhante à crônica, quanto ao gênero, uma vez que se baseia em experiências cotidianas."

Erro: contradiz o texto. Não há narração: não há personagens, enredo, tempo ou espaço. O texto é uma discussão teórica, não um relato de experiências. A menção a "experiências cotidianas" é uma extrapolação — o texto fala do falante em geral, mas não narra nenhuma experiência específica. A crônica, além disso, é um gênero narrativo, o que não se aplica aqui.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"injuntivo, quanto ao tipo, e um manual normativo, quanto ao gênero, visto que é voltado à prescrição de regras."

Erro: contradiz o texto. O texto não prescreve regras; ele discute o papel da gramática. Não há verbos no imperativo nem instruções ao leitor. O autor até menciona que o falante "deve saber flexionar os verbos", mas isso é um argumento sobre o que é necessário para a comunicação, não uma instrução direta. A alternativa restringe o texto a um manual, o que não é.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"descritivo, quanto ao tipo, e científico, quanto ao gênero, já que seu foco é a sistematização conceitual."

Erro: contradiz o texto e confunde gênero. O texto não descreve nada; ele argumenta. Quanto ao gênero, "científico" é um termo vago — o texto é uma reflexão teórica, mas não um artigo científico com metodologia e resultados. A alternativa tangencia ao falar em "sistematização conceitual", que é um traço do texto, mas o tipo descritivo não se sustenta.

Conclusão

A questão testa a distinção entre tipo e gênero. O tipo é definido pela intenção (argumentar = defender tese); o gênero, pela função social (reflexão teórica). A alternativa B é a única que acerta as duas classificações. Para resolver questões assim, pergunte: "qual é a intenção predominante?" e "qual é a função social do texto?". Se houver tese e argumentos, é argumentativo; se houver instruções, é injuntivo; se houver relato, é narrativo.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o tipo textual, procure a tese (o que o autor pensa) e os argumentos (por que ele pensa assim). Se houver tese, é argumentativo; se houver apenas informações, é expositivo.

Gabarito: letra B.

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