É claro que a gramática tem uma função sociocognitiva relevante,(d)desde que entendida como uma ferramenta(a)que permite uma melhor atuação comunicativa.(e) O problema é fazer de uma metalinguagem técnica e de uma análise formal o centro do trabalho com a língua. Também não se deve reduzir a língua à ortografia e às regras gramaticais. E nesse sentido, temos a ver com uma correta identificação do que seja a gramática. O falante deve saber flexionar os verbos e usar os tempos e os modos verbais para obter os efeitos desejados;(b) deve saber usar os artigos e os pronomes para não confundir seu ouvinte; deve seguir a concordância verbo-nominal naquilo que for necessário à boa comunicação; e assim por diante. Mas ele não precisa justificar com algum argumento(c) por que faz isso ou aquilo nessas escolhas.
O falante de uma língua deve fazer-se entender e não explicar o que está fazendo com a língua, ponto.
Luiz Antônio Marcuschi. Produção textual:
análise de gêneros e compreensão.
São Paulo: Parábola Editorial, 2008, p. 57.
Texto CB2A1-I
Considerando as relações de subordinação estabelecidas no texto CB2A1-I, tanto entre orações quanto entre termos de orações, assinale a opção correta.
ANo, o segmento “desde que entendida como uma ferramenta” classifica-se como oração subordinada reduzida de particípio com função adverbial.
BNo período, a oração “para obter os efeitos desejados” exerce função adverbial e expressa circunstância de consequência em relação à oração a que se subordina.
CEm “Mas ele não precisa justificar com algum argumento”, o segmento “com algum argumento” constitui oração substantiva com função de objeto indireto, já que complementa o verbo “justificar” por meio de preposição.
DEm “É claro que a gramática tem uma função sociocognitiva relevante”, a oração introduzida pelo vocábulo “que” tem natureza substantiva e exerce a função sintática de predicativo.
ENo trecho “uma ferramenta que permite uma melhor atuação comunicativa”, a oração iniciada pelo vocábulo “que” tem função adjetiva e restringe o sentido do substantivo “ferramenta”.
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GabaritoE — No trecho “uma ferramenta que permite uma melhor atuação comunicativa”, a oração iniciada pelo vocábulo “que” tem função adjetiva e restringe o sentido do substantivo “ferramenta”.
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Orações subordinadas no texto de Marcuschi
Gabarito: letra E. A oração “que permite uma melhor atuação comunicativa” é subordinada adjetiva restritiva, pois é introduzida pelo pronome relativo “que”, retoma o substantivo “ferramenta” e restringe o seu sentido — exatamente o que a alternativa E afirma. As demais alternativas erram ao classificar outros segmentos do texto como orações substantivas ou adverbiais quando não o são, ou ao atribuir circunstâncias equivocadas.
O comando e o método
A questão pede que você analise as relações de subordinação no texto, tanto entre orações quanto entre termos. Isso significa que você deve identificar, para cada trecho destacado, qual é a função sintática que ele exerce na estrutura do período. Não se trata de interpretar o sentido global, mas de aplicar a análise sintática com precisão.
O caminho mais seguro é: (1) localizar o trecho no texto; (2) identificar o conectivo que o introduz (pronome relativo, conjunção integrante, conjunção adverbial); (3) verificar a que termo ele se refere ou qual circunstância expressa; (4) classificar a oração conforme a função. Vamos aplicar isso a cada alternativa.
A técnica que decide
Oração adjetiva: introduzida por pronome relativo (que, o qual, cujo, onde), refere-se a um substantivo antecedente e exerce função de adjunto adnominal (como um adjetivo). Se não houver vírgula, é restritiva (restringe o sentido); com vírgula, é explicativa.
Oração substantiva: introduzida por conjunção integrante (que, se), pode ser substituída por “isso” e exerce função de sujeito, objeto, predicativo etc.
Oração adverbial: introduzida por conjunção subordinativa adverbial (porque, quando, se, para que, embora etc.) e expressa circunstância (causa, tempo, condição, finalidade...).
Oração reduzida: não tem conectivo, o verbo está numa forma nominal (infinitivo, gerúndio, particípio).
Aplicando isso ao texto:
“desde que entendida como uma ferramenta” — o verbo “entendida” está no particípio, sem conectivo, logo é uma oração reduzida de particípio. A locução “desde que” aqui tem valor de condição (equivale a “se for entendida”), portanto é adverbial condicional.
“para obter os efeitos desejados” — introduzida por “para”, expressa finalidade (equivale a “para que obtenha”), logo é adverbial final.
“com algum argumento” — é um sintagma preposicionado que funciona como adjunto adverbial de instrumento/meio, não como objeto indireto (o verbo “justificar” é transitivo direto, não exige preposição para seu complemento).
“É claro que a gramática tem uma função sociocognitiva relevante” — a oração “que a gramática tem...” é substantiva subjetiva, pois funciona como sujeito de “é claro” (equivale a “Isso é claro”).
“uma ferramenta que permite uma melhor atuação comunicativa” — “que” é pronome relativo, retoma “ferramenta”, e a oração restringe o sentido (não é qualquer ferramenta, mas a que permite melhor atuação). Logo, adjetiva restritiva.
Orações subordinadas: Adjetiva (Pronome relativo (que, o qual, cujo), Função: adjunto adnominal, Restritiva (sem vírgula) → restringe o sentido, Explicativa (com vírgula)); Substantiva (Conjunção integrante (que, se), Substituível por "isso", Funções: sujeito, objeto, predicativo...); Adverbial (Conjunção adverbial (porque, quando, se, para que...), Circunstância: causa, tempo, condição, finalidade...); Reduzida (Sem conectivo, Verbo no infinitivo, gerúndio ou particípio)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que “desde que entendida como uma ferramenta” é oração subordinada reduzida de particípio com função adverbial. A primeira parte está correta: o verbo “entendida” está no particípio e não há conectivo, então é reduzida de particípio. Porém, a função não é meramente “adverbial” — é especificamente adverbial condicional, pois “desde que” equivale a “se”. A alternativa é imprecisa e, portanto, incorreta. O erro está em generalizar a função sem especificar a circunstância.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa diz que “para obter os efeitos desejados” expressa consequência. Isso está errado: a preposição “para” indica finalidade (o objetivo da ação), não consequência. Consequência seria expressa por “tanto que”, “de modo que”, etc. O trecho poderia ser reescrito como “para que obtenha os efeitos desejados”, o que confirma a finalidade. A alternativa contradiz o valor semântico do conectivo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa classifica “com algum argumento” como oração substantiva com função de objeto indireto. Há dois erros: (1) “com algum argumento” não é uma oração — não há verbo, é apenas um sintagma preposicionado; (2) não é objeto indireto, pois o verbo “justificar” é transitivo direto (justifica-se algo, não se justifica “de” algo). O sintagma funciona como adjunto adverbial de instrumento/meio (justifica “por meio de” um argumento). A alternativa extrapola ao transformar um termo simples em oração e troca a função sintática.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que “que a gramática tem uma função sociocognitiva relevante” é oração substantiva com função de predicativo. Na verdade, ela é substantiva subjetiva, pois funciona como sujeito do verbo “é claro”. Veja: “É claro isso” — “isso” é o sujeito. Para ser predicativo, seria necessário um verbo de ligação explícito com sujeito claro, como em “O certo é que...”. Aqui, a oração é o sujeito de “é claro”. A alternativa troca a função de sujeito por predicativo.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que “que permite uma melhor atuação comunicativa” é oração adjetiva e restringe o sentido de “ferramenta”. Isso está perfeitamente correto:
“uma ferramenta que permite uma melhor atuação comunicativa”
O “que” é pronome relativo (equivale a “a qual”), retoma “ferramenta” e introduz uma oração que especifica qual ferramenta: a que permite melhor atuação. Sem essa oração, o sentido seria genérico; com ela, o conjunto é restringido. Não há vírgula, então é restritiva. A alternativa acerta na classificação e na função.
Conclusão
A questão testa sua capacidade de distinguir os tipos de oração subordinada e os termos da oração. A chave é sempre identificar o conectivo e a função que o trecho exerce. A alternativa E é a única que classifica corretamente o trecho como adjetiva restritiva, enquanto as demais erram ao confundir funções ou ao atribuir valores semânticos equivocados.
PEGA ESSA DICA!
Ao analisar orações, pergunte: “que palavra introduz?” (pronome relativo → adjetiva; conjunção integrante → substantiva; conjunção adverbial → adverbial) e “qual função exerce?” (adjunto adnominal, sujeito, adjunto adverbial...). Isso resolve a maioria das questões de subordinação.