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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
ce387524
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ANSA
Ano
2026
Cargo
Prof NS ( )

Texto CB1A1


Em 2019, o Instituto Mundial de Recursos, o Banco Mundial e a Organização das Nações Unidas (ONU) publicaram o relatório Recursos mundiais: criando um futuro alimentar sustentável, com a conclusão de que, para atender a demanda de uma população estimada em 9,8 bilhões de pessoas em 2050, o mundo teria de aumentar em 50% ao ano a produção de alimentos, tomando-se por base o ano de 2010. Para tanto, também seria preciso melhorar a forma como se produz, com o uso mais eficiente de recursos naturais, melhoria na gestão, inovação, desenvolvimento tecnológico e preservação do ambiente.


A compatibilização entre a ampliação da produção de alimentos e a preservação dos recursos naturais encontra solução na incorporação de tecnologias, via aumento da produtividade, que reduz a pressão sobre a ampliação de novas fronteiras agrícolas. Nesse pacote tecnológico, estão os corretivos de solo, os fertilizantes, os defensivos agrícolas, as sementes melhoradas, a agricultura de precisão, os cultivos intensivos, entre outros.


A crise sanitária de 2020 chamou a atenção para o desafio da segurança alimentar, que passou a ser uma das principais preocupações da humanidade. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a fome afeta 828 milhões de pessoas em todo o mundo. Esse número representa um crescimento de 46 milhões em relação ao ano de 2021, e 150 milhões desde o início da pandemia de covid-19. Mesmo diante de uma recuperação econômica, as estimativas apontam que em 2030 ainda haverá mais de 670 milhões de famintos.


O tema segurança alimentar não estava tão evidente nos primeiros anos do século XXI, uma vez que a oferta de alimentos em nível global era adequada e a persistência da fome era muito mais um problema de renda dos consumidores do que de disponibilidade física de alimentos. Mas, em 2020, ficou claro que nem todos os países estavam imunes ao fenômeno, o que deu origem a um neoprotecionismo que começou a interferir nas regras de comércio agrícola internacional. É cada vez mais explícito que a segurança alimentar é um elemento importante para a manutenção da estabilidade política e social de qualquer país.


A contribuição para a segurança alimentar, com sustentabilidade, passa pela agricultura tropical, passível de ser desenvolvida em toda a América Latina, na África subsaariana e em países asiáticos. Nesse cinturão tropical do planeta, não apenas existe muita terra a ser incorporada aos sistemas produtivos, como também há um potencial ainda maior para a introdução de novas tecnologias que levam ao aumento da produtividade.


Internet: <www.cnabrasil.org> (com adaptações).

Com base nas ideias veiculadas no texto CB1A1, julgue o item que se segue.

 

No texto, a insegurança alimentar nos primeiros anos do século XXI é atribuída a uma causa única.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Insegurança alimentar nos primeiros anos do século XXI

Gabarito: ERRADO. A afirmativa de que a insegurança alimentar nos primeiros anos do século XXI é atribuída a uma causa única contradiz o texto, que aponta duas causas para o fenômeno: a questão da renda dos consumidores e a disponibilidade física de alimentos. Como se lê no 4º parágrafo, a fome era "muito mais um problema de renda dos consumidores do que de disponibilidade física de alimentos". A expressão "muito mais... do que" não exclui a segunda causa; ela apenas hierarquiza as duas, indicando que uma pesa mais que a outra, mas ambas são reconhecidas como fatores.

O comando pede um julgamento de compreensão ("com base nas ideias veiculadas no texto"), ou seja, a resposta deve ser encontrada em uma informação explícita ou em uma inferência imediata ancorada em pistas textuais. Não se trata de interpretar nas entrelinhas, mas de verificar se a afirmação do item corresponde ao que o texto efetivamente diz. A palavra-chave do item é "causa única" — um termo absoluto que restringe indevidamente o alcance do que o autor afirma.

O 4º parágrafo é o coração da questão. O autor afirma que, nos primeiros anos do século XXI, a fome persistia por dois motivos: a renda dos consumidores e a disponibilidade física de alimentos. A estrutura comparativa "muito mais... do que" estabelece uma hierarquia entre as causas, mas não elimina nenhuma delas. Se o texto dissesse "a fome era um problema de renda, e não de disponibilidade", aí sim teríamos uma causa única. Mas o texto diz "muito mais um problema de renda do que de disponibilidade", o que pressupõe que ambas as causas existem, apenas com pesos diferentes.

A técnica para resolver é o teste do quantificador absoluto: palavras como "única", "sempre", "apenas", "somente" quase sempre sinalizam uma restrição indevida (generalização). O texto apresenta duas causas; o item reduz a uma. Isso é um clássico erro de limitar/restringir o alcance da informação original. A banca não precisa inventar uma informação falsa — basta suprimir uma das causas que o texto menciona para criar o distrator.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a restrição indevida (generalização). O texto cita duas causas para a fome (renda e disponibilidade), mas o item usa o termo absoluto "causa única" para reduzir a uma. A estrutura "muito mais... do que" é a pista que desmonta a armadilha: ela hierarquiza, não exclui.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens de compreensão, grife os quantificadores absolutos (única, sempre, nunca, apenas, somente). Se o texto não usar esses termos, desconfie: a banca provavelmente está restringindo ou generalizando indevidamente o que foi dito.

Insegurança alimentar (séc. XXI)
  • 1Causas apontadas no texto
    • Renda dos consumidores
    • Disponibilidade física de alimentos
  • 2Relação entre as causas
    • "Muito mais... do que" (hierarquiza, não exclui)
    • Ambas existem, com pesos diferentes
  • 3Erro do item
    • Causa única (restrição indevida)
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Item — ❌ ERRADO

A afirmativa está errada porque o texto atribui a insegurança alimentar dos primeiros anos do século XXI a duas causas, e não a uma única. A passagem decisiva é:

"a persistência da fome era muito mais um problema de renda dos consumidores do que de disponibilidade física de alimentos"

A estrutura comparativa "muito mais X do que Y" tem um efeito semântico preciso: ela compara a intensidade de duas causas, indicando que X é predominante, mas não nega a existência de Y. Se o autor quisesse afirmar causa única, teria escrito algo como "a fome era um problema de renda, e não de disponibilidade" ou "a fome era causada apenas pela renda". Nada disso está no texto. Portanto, o item restringe o alcance da informação original ao suprimir a causa da disponibilidade física de alimentos.

Conclusão: o item está ERRADO porque contradiz o texto ao reduzir a duas causas a uma única. A regra de ouro: quando o texto usa "muito mais... do que", há duas causas em jogo, apenas com pesos diferentes — e qualquer alternativa que diga "causa única" está restringindo indevidamente o que foi dito.

Gabarito: ERRADO

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