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Questão de Português — Crase — CESPE / CEBRASPE 2026

PortuguêsCrase
Código
ce387531
Banca
CESPE / CEBRASPE
Órgão
ANSA
Ano
2026
Cargo
Prof NS ( )

Texto CB1A1


Em 2019, o Instituto Mundial de Recursos, o Banco Mundial e a Organização das Nações Unidas (ONU) publicaram o relatório Recursos mundiais: criando um futuro alimentar sustentável, com a conclusão de que, para atender a demanda de uma população estimada em 9,8 bilhões de pessoas em 2050, o mundo teria de aumentar em 50% ao ano a produção de alimentos, tomando-se por base o ano de 2010. Para tanto, também seria preciso melhorar a forma como se produz, com o uso mais eficiente de recursos naturais, melhoria na gestão, inovação, desenvolvimento tecnológico e preservação do ambiente.


A compatibilização entre a ampliação da produção de alimentos e a preservação dos recursos naturais encontra solução na incorporação de tecnologias, via aumento da produtividade, que reduz a pressão sobre a ampliação de novas fronteiras agrícolas. Nesse pacote tecnológico, estão os corretivos de solo, os fertilizantes, os defensivos agrícolas, as sementes melhoradas, a agricultura de precisão, os cultivos intensivos, entre outros.


A crise sanitária de 2020 chamou a atenção para o desafio da segurança alimentar, que passou a ser uma das principais preocupações da humanidade. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a fome afeta 828 milhões de pessoas em todo o mundo. Esse número representa um crescimento de 46 milhões em relação ao ano de 2021, e 150 milhões desde o início da pandemia de covid-19. Mesmo diante de uma recuperação econômica, as estimativas apontam que em 2030 ainda haverá mais de 670 milhões de famintos.


O tema segurança alimentar não estava tão evidente nos primeiros anos do século XXI, uma vez que a oferta de alimentos em nível global era adequada e a persistência da fome era muito mais um problema de renda dos consumidores do que de disponibilidade física de alimentos. Mas, em 2020, ficou claro que nem todos os países estavam imunes ao fenômeno, o que deu origem a um neoprotecionismo que começou a interferir nas regras de comércio agrícola internacional. É cada vez mais explícito que a segurança alimentar é um elemento importante para a manutenção da estabilidade política e social de qualquer país.


A contribuição para a segurança alimentar, com sustentabilidade, passa pela agricultura tropical, passível de ser desenvolvida em toda a América Latina, na África subsaariana e em países asiáticos. Nesse cinturão tropical do planeta, não apenas existe muita terra a ser incorporada aos sistemas produtivos, como também há um potencial ainda maior para a introdução de novas tecnologias que levam ao aumento da produtividade.


Internet: <www.cnabrasil.org> (com adaptações).

Acerca dos sentidos e de aspectos linguísticos do texto CB1A1, julgue o item a seguir.

 

Estaria mantida a correção gramatical do trecho "A crise sanitária de 2020 chamou a atenção para o desafio da segurança alimentar" (terceiro parágrafo) caso se inserisse sinal indicativo de crase no vocábulo "a", em "chamou a atenção", devido à múltipla regência do verbo chamar.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase facultativa em "chamar a atenção"

Gabarito: Errado (E). A inserção do sinal indicativo de crase no vocábulo "a" em "chamou a atenção" não é obrigatória para manter a correção gramatical; trata-se de caso facultativo, pois o termo "atenção" vem precedido de pronome possessivo "a" (que funciona como artigo definido). A banca afirma que a crase seria devida à múltipla regência do verbo "chamar", mas isso não justifica a obrigatoriedade — a crase antes de possessivo é opcional, e sua ausência não torna o trecho incorreto.

Desenvolvimento

1. O comando: A questão pede para julgar se a inserção da crase em "chamou a atenção" manteria a correção gramatical, sob a justificativa da múltipla regência do verbo "chamar". Trata-se de uma questão de gramática normativa (crase e regência), não de interpretação de texto. O foco está em saber se a crase é obrigatória ou facultativa nesse contexto.

2. O texto: No trecho "A crise sanitária de 2020 chamou a atenção para o desafio da segurança alimentar", o verbo "chamar" é transitivo direto (quem chama, chama algo/alguém) e o termo "a atenção" é objeto direto. O "a" antes de "atenção" é um artigo definido feminino, e "atenção" é um substantivo feminino. A questão sugere que, por causa da múltipla regência do verbo "chamar" (que pode ser VTD, VTI ou VTDI), haveria necessidade de crase. No entanto, a regência do verbo não determina a crase; o que importa é a presença de preposição + artigo.

3. A regra de crase: A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo "a" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos. Para haver crase, é necessário que o termo regente exija a preposição "a" e que o termo regido aceite o artigo feminino. No caso de "chamar a atenção", o verbo "chamar" não exige preposição antes do objeto direto; portanto, não há preposição para fundir com o artigo. A crase seria possível apenas se houvesse a preposição, o que não ocorre. Além disso, mesmo que houvesse preposição, a crase antes de pronome possessivo é facultativa (ex.: "entreguei a carta a sua mãe" ou "à sua mãe").

4. A pegadinha: A banca tenta confundir o candidato ao mencionar a "múltipla regência do verbo chamar". O verbo "chamar" pode ser VTD (chamar alguém), VTI (chamar por alguém) ou VTDI (chamar alguém de algo). No trecho, "chamar a atenção" é uma expressão cristalizada em que "atenção" é objeto direto, sem preposição. Portanto, a crase não é obrigatória, e a justificativa apresentada é incorreta. A inserção do acento grave seria um erro, pois não há preposição.

Análise da assertiva

1Verbo "chamar"
VTD (chamar alguém/algo)
VTI (chamar por alguém)
VTDI (chamar alguém de algo)
2No trecho
"a atenção" = objeto direto
Sem preposição → sem crase
3Teste da substituição
"chamou o cuidado" → sem "ao"
Logo, não há crase
Crase em "chamar a atenção"
LEVELsoulevel.com.br
Crase em "chamar a atenção": Verbo "chamar" (VTD (chamar alguém/algo), VTI (chamar por alguém), VTDI (chamar alguém de algo)); No trecho ("a atenção" = objeto direto, Sem preposição → sem crase); Teste da substituição ("chamou o cuidado" → sem "ao", Logo, não há crase)

Assertiva — ❌ Errado

A afirmação de que "estaria mantida a correção gramatical caso se inserisse sinal indicativo de crase" é falsa. No trecho "chamou a atenção", o "a" é artigo definido, e o verbo "chamar" é transitivo direto, não exigindo preposição. Portanto, a crase seria inadequada, pois não há fusão de preposição + artigo. A justificativa de "múltipla regência" não se aplica, pois a regência do verbo não cria a obrigatoriedade da crase. A forma correta é sem acento grave: "chamou a atenção".

PEGA ESSA DICA!

Para verificar se há crase, substitua o termo feminino por um masculino. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer "o" ou "a" sem preposição, não há. Ex.: "chamou a atenção" → "chamou o cuidado" (sem preposição, logo sem crase).

Conclusão: A assertiva está errada, pois a crase não é obrigatória e, na verdade, seria incorreta no contexto, já que não há preposição exigida pelo verbo. A banca explorou a confusão entre regência e crase, mas a regra é clara: sem preposição, não há crase.

Gabarito: Errado (E)

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